Promessa de construção de casas populares na Região Portuária gera polêmica | Diário do Porto

Infraestrutura

Promessa de construção de casas populares na Região Portuária gera polêmica

A promessa de construção de cinco mil moradias do Minha Casa Minha Vida na Zona Portuária divide opiniões de moradores da região e leitores do DIÁRIO DO PORTO. Para Secovi-Rio, empreendimento pode ajudar a melhorar o mercado imobiliário na região. Porto Novo já começou a retomar as atividades

31 de agosto de 2018


Futuro do Porto Maravilha também está em pauta no novo Plano Diretor do Rio (foto Riotur / Alexandre Macieira)


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Marcelo Crivella discursa durante a cerimônia de assinatura do acordo de retomada da PPP do Porto Maravilha (Foto: Bruno Menezes)
Marcelo Crivella discursa durante a cerimônia de assinatura do acordo de retomada da PPP do Porto Maravilha (Foto: Bruno Menezes)

A promessa do governo federal de construir cinco mil casas populares do Programa Minha Casa Minha Vida na Zona Portuária vem causando polêmica entre moradores da região nas redes sociais. Uns duvidam de sua concretização, outros se animam com a novidade e defendem a proposta e há os que se posicionam contrariamente, alegando que vai piorar a região.

O anúncio foi feito há uma semana pelo ministro das Cidades, Alexandre Baldy,no Palácio da Cidade, durante assinatura do acordo entre prefeitura e Caixa para a retomada da PPP Porto Maravilha. A prefeitura já estuda o local para o empreendimento, como o DIÁRIO DO PORTO mostrou esta semana.

Ricardo Amorim, de 25 anos, morador do Santo Cristo e pós-graduando em Administração, diz não acreditar que as unidades residenciais prometidas sairão do papel em curto ou médio prazo. “Moro e conheço a região há 25 anos, sempre existiram proposta de moradias para famílias carentes que moram em invasões e áreas de risco da região, e não tenho visto obras concretas. O estado e o município passam por dificuldades financeiras, a torneira fechou.”

Na fanpage do DIÁRIO DO PORTO, o assunto tem dado o que falar entre os leitores. A proposta é vista com desconfiança pela maioria. Alguns criticam o projeto e chegam a alegar que o projeto projeto representa risco de favelização e de aumento da criminalidade na região. Luiz Carlos Tavares entende que vai virar um “favelão”. E Roberto Figueiredo reforçou: “Vai estragar a Zona Portuária”.

Roberto Figueiredo protestou: “Tanto terreno por aí abandonado e vão construir justamente numa área que tem uma proposta de se tornar um polo empresarial. Estão vendo que o local não é para construção de casas ou apartamentos populares”, Já Veridiane Vidal acha que “Moradia é a única solução para acabar com o abandono da Zona Portuária”. “Não adianta fazer obra para ninguém. Hoje este lugar é o erro”, comentou.

O debate seguiu, entre especulações sobre o local que será escolhido para alocar as residências. “Acredito que essas moradias populares devam ser construídas no antigo gasômetro, já existe um projeto para esse local”, arriscou Thadeu Braga. “Que tenha pelo menos um projeto arquitetônico”, ressalvou Telma Dau. (Veja mais comentários abaixo).

Mercado imobiliário aprova a ideia

Para Leonardo Schneider, vice-presidente do Sindicato da Habitação do Rio de Janeiro (Secovi-Rio), a política de habitação popular é adequada e “interessante” para a Região Portuária. “O foco neste momento é ocupar o porto, quanto mais gente vivendo e trabalhando ali, mais fluxo de pessoas e comércio gera. A região tem altíssima taxa de vacância e uma capacidade muito grande de ocupação, residencial, comercial, de média, baixa e alta renda”, comentou ao DIÁRIO DO PORTO.

A Zona Portuária permanece como o metro quadrado mais barato da cidade e tem desvalorizado recentemente. O que o dirigente do Secovi-Rio não atribui diretamente à interrupção do Porto Maravilha, e sim à crise, “que derrubou os valores no Rio como um todo”. Schneider ainda enxerga grande potencial na região, mas acredita em uma recuperação gradual.

Para ele, o adensamento popular atrai mais empreendimentos e investimentos, não só pela mão de obra, gerando empregos, mas pela reativação da área. “É bastante representativa, produtiva e bem localizada, porém, fragmentada ─ ‘cada um no seu quadrado’. Então, a política de ocupação não só revitaliza a economia local como promove e a integração de seu tecido urbano”, observou.

Porto Novo reassume aos poucos

No final da tarde desta quinta-feira (30), a Companhia de Desenvolvimento Urbano da Região do Porto do Rio de Janeiro (Cdurp) informou, por meio de nota, que a concessionária Porto Novo “está retornando suas atividades gradualmente” e que a “expectativa é de que todos os serviços estejam normalizados até o início de setembro”.

A Porto Novo mantém silêncio em torno da renegociação do contrato da PPP entre prefeitura e Caixa. A empresa esperava receber R$ 429 milhões na emissão a sétima ordem de serviços, que deveria começar em 15 de junho. Mas com a iliquidez do fundo imobiliário que financia o projeto, a empresa paralisou as atividades e dispensou cerca de 800 colaboradores.

No acordo para retomada dos serviços, o valor foi reduzido em dois terços. A previsão é que R$ 147 milhões sejam liberados até junho de 2019. Apenas serviços públicos serão mantidos. As obras previstas nesta fase do projeto, como a reurbanização da Avenida Francisco Bicalho e seu entorno, foram suspensas.

Debate sobre risco de ‘favelização’

Na fanpage do DIÁRIO DO PORTO, alguns leitores alegam que o projeto pode afastar turistas e visitantes e atrair traficantes. “Essas moradias são mal feitas, e logo viram favelas que serão dominadas por traficantes e milicianos. Aí sim ninguém mais vai nem passear nem investir na Zona Portuária ─ vai matar aquela área de vez. Realmente é a solução para acabar de enterrar de vez a Zona Portuária”, opinou Gustavo Torres.

Veridiane Vidal rebateu: “Tanto comentário sem noção da realidade do Porto. É ridículo este pensamento, vamos deixar de construir e de investir devido ao tráfico?”. E prosseguiu: “Não será moradia que vai aumentar o tráfico, e sim a miséria. É disto que o povo carioca entende bem, tando que você está contra pobre ter moradia popular e sair do aluguel”.

Já Gustavo prossegue: “Miséria essa porque o Rio não conseguiu absorver o tanto de gente que veio morar aqui, com isso, aumentando o número de favelas e moradores de rua de forma absurda”. Na sua opinião, a construção é equivocada. “Fazer essas casas no porto é suicídio, melhor declarar falência. Tanto lugar pra fazer isso e construir logo ali. Logo começa tiroteio, tráfico, aí ninguém mais investe ali. Ninguém é contra a construção de moradias populares, mas tem lugar para fazer isso”.

“Espero que não seja mais uma promessa a não ser cumprida”, escreveu Maria Catarina. Teresa Eckstein Costa Lopes tambémé contra:”Meu Deus, que insanidade. Tem tantas lugares com terrenos e prédios abandonados que poderiam ser aproveitados. Alguém tem que impedir que isso aconteça, socorro”.

 

Moradores lembram antigas promessas

Ainda pelo Facebook, leitores aprovam a ideia, mas vêem com desconfiança. Marcelo Teteu ironizou: “Será que agora vai? Kkkk.” Fátima Aparecida Costa Veiga afirmou: “Só acredito vendo.” Paulo Cunha lembrou um antigo projeto de construção de moradias populares na região.

“Desde os governos militares, há um projeto para construir um grande condomínio popular onde hoje é a garagem dos ônibus da Viaçao Silvestre, que está desativada. Tal projeto foi entregue ao ex-ministro Jarbas Passarinho, e era para ser executado junto com a construçao da Perimetral, que já foi derrubada para dar lugar à Orla Conde ou Boulevard Olímpico. Se em mais de 40 anos, nada foi feito, obviamente que isso é um anúncio requentado para enganar”, escreveu.

Ricardo Amorim também questiona o futuro do Porto. “Do jeito que o acordo está feito, o porto viverá de altos e baixos, alívios e sufocos momentâneos. É um alívio passageiro, talvez venhamos a ter novos gargalos.” Para ele, a retomada do Porto Maravilha é mais uma estratégia política em véspera de eleições e as obras vão ficar só na promessa, como um eterno ‘elefante branco

Leitores cobram outras melhorias

Os moradores aproveitam para fazer outras reinvindicações de melhorias para a região. “Tem que redobrar os cuidados com a preservação. Vai ter camelô liberado pra todo lado. Vide Maracanã, onde o turista não consegue tirar fotos porque tem bancas de madeira encostadas nas estátuas”, escreveu Ricardo Barbedo.

“Sem supermercado, sem policiamento, sem médico no posto de saúde, sem posto de gasolina, sem comércio e cheio de gente vai ser um caos maior que já é”, opinou Cosme Silva. “A Rua Barão de São Félix, está esquecida! Só tem ferro velho, casas invadidas, droga e bandido. Os moradores ficam com medo”, denunciou Ana Paula Carvalho.

“E as casas que ficaram vazias por causa das obras? E mercado, comércio, ônibus, empregos? Cadê na Saúde, Gamboa, Leopoldina, Santo Cristo, etc”, lembrou Marcelo Gonçalves. A leitora Rosangela Pereira Dos Santos opinou: “Que infelicidade, o povo quer saúde”.