Projeto proíbe armas às vésperas da disputa pela Alerj | Diário do Porto


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Projeto proíbe armas às vésperas da disputa pela Alerj

Mesa Diretora deve aprovar a proibição expressa de armas na Casa. Veja quais são os candidatos na disputa pela Presidência da Alerj

26 de dezembro de 2018

Paz na política: projeto proíbe armas na Alerj (DepositPhotos)

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Cena de faroeste americano
Paz na política: projeto proíbe armas na Alerj (DepositPhotos)

Além de ser feio que doi, só faltava o prédio anexo da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro virar cenário de bang-bang. Com a radicalização política crescente e a chegada de muitos marinheiros de primeira viagem, desacostumados a resolver desaforos com jogo de cintura, não seria de se estranhar. A boa notícia é que chegou à Mesa Diretora um projeto de resolução que proíbe o porte de armas no interior dos prédios da casa.

No plenário, já faz tempo que a entrada de pistoleiros não é permitida, mas falta um veto explícito que dê aos guardas da Casa Legislativa a atribuição de desarmar Vossas Excelências. Com a resolução, os portadores de armas podem ser enquadrados no Conselho de Ética. A qualquer suspeita, os seguranças estarão autorizados a revistar deputados e os servidores.

O autor do projeto, já aprovado em todas as discussões, é o deputado Dionísio Lins, do PP. Ele chegou à Alerj em 2006 e se reelegeu três vezes. Foi um dos que, em abril de 2015, votaram pela nomeação para o Tribunal de Contas do Estado do colega Domingos Brazão, já afastado. Em junho, Brazão foi convocado a depor sobre o assassinato da vereadora Marielle Franco, quando disse que a polícia estava “querendo aparecer”.

Domingos Brazão e Cidinha Campos
Domingos Brazão e Cidinha Campos

Brazão faz o estilo valentão. Em 2014, em uma das maiores baixarias da história da Alerj, foi chamado de “matador e ladrão” pela deputada Cidinha Campos (PDT). “Mando matar vagabundo mesmo. Sempre mandei. Mas vagabundo. Vagabunda eu ainda não mandei matar”, teria respondido Brazão, segundo os colegas. Foi em uma reunião do Colégio de Líderes para rever o Código de Ética, segundo o jornal O DIA (clique aqui).

Há pouco mais de um ano, o deputado Dionísio Lins votou pela revogação da prisão dos colegas Jorge Picciani, Paulo Melo e Edson Albertassi, do MDB. Os três foram denunciados pelo esquema criminoso de agentes públicos do Executivo e do Legislativo, inclusive do TCE, e de grandes empresários da construção civil e do setor de transporte.

As prisões da Alerj abriram um vácuo de poder que precisa ser resolvido na eleição para a Mesa Diretora. Nas últimas eleições, a Casa passou por sua maior renovação, com 36 deputados novatos, entre os 70. A divisão ficou assim: PSL (13 deputados), DEM (6), MDB e PSOL (5 cada um); PRB, PSD, PDT, PT e SD (3 cada um); PSDB, PSC, PP, PRP, PHS, Novo e DC (2 cada um); e PSB, PCdoB, PPS, PTB, PR, Pode, Patri, Avante, PRTB, Pros, PTC e PMB (com 1).

Cinco nomes são cotados na disputa pela Presidência da Casa.

Andre Siciliano
Andre Siciliano

1. O atual presidente interino, André Ceciliano (PT), tenta se efetivar. Enfrenta a resistência da direita, que cresceu muito nas últimas eleições, mas tem como trunfo a experiência em negociações políticas.

 

Márcio Pacheco
Márcio Pacheco

2. Márcio Pacheco é do PSC, partido do governador eleito, Wilson Witzel. Vinha crescendo, mas sofreu desgaste com o escândalo da Coaf. É um dos deputados com assessores com movimentações financeiras esquisitas.

 

Tia Ju
Tia Ju

3. Tia Ju, do PRB, tem simpatia de muitos colegas evangélicos. Carrega o bônus e também o ônus de ser do partido do prefeito Marcelo Crivella.

 

Rodrigo Amorim
Rodrigo Amorim

4. Rodrigo Amorim, do PSL, voltou a ser cogitado diante do desgaste de Pacheco. Foi campeão de votos, mas ficou marcado por ter quebrado em público a placa com o nome de Marielle. As denúncias do Coaf atingiram o correligionário Flávio Bolsonaro, do PSL, senador eleito.

 

Chicão Bulhões
Chicão Bulhões

5. Chicão Bulhões, o jovem eleito pelo Novo, corre por fora e tenta atrair apoios a um programa de renovação das práticas da Alerj, incluindo o fim da reeleição. O ponto fraco é a falta de experiência em uma Casa geralmente sem espaço para principiantes.

 


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