Projeto em Niterói transforma redes de pesca em bolsas | Diário do Porto


Sustentabilidade

Projeto em Niterói transforma redes de pesca em bolsas

Desenvolvido pela engenheira ambiental Maria Fernanda Bastos, iniciativa em Niterói recolhe lixo da Baía de Guanabara e ajuda pescadores

28 de julho de 2022

Junto com pescadores de Jurujuba, projeto Redinha já retirou 250 quilos de redes descartadas na Baía de Guanabara (Foto: @minharedinha/ Divulgação)

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Em Niterói, um projeto conhecido como “Redinha” transforma redes de pesca retiradas da Baía de Guanabara em bolsas. Desenvolvido pela engenheira Maria Fernanda Bastos, moradora da cidade, a iniciativa já retirou cerca de 250 quilos de rede de pesca das águas e vendeu mais de 2.700 bolsas feitas com o material, recebendo no mês passado, uma menção em palestra da Organização das Nações Unidas (ONU), em Portugal.

Criado em 2020, o projeto ambiental começou quando Maria foi conversar com os pescadores da Enseada de Jurujuba, tradicional polo pesqueiro de Niterói, sobre o descarte do material. Ao saber que as redes eram jogadas fora, a engenheira propôs uma parceria com os pescadores para reutilizar o material.

Em 2020, os pescadores ficaram em situação financeira complicada devido à restrições da pandemia da Covid-19. Com a ação de Maria Fernanda, muitos puderam ganhar dinheiro, além de ajudar o meio ambiente. “Os pescadores me receberam muito bem e são superprestativos todas as vezes que eu entro em contato para pedir mais redes. Somos um negócio de impacto socioambiental, que visa a remunerar de maneira justa mulheres em vulnerabilidade social e os pescadores que nos fornecem as redes. Queremos mostrar que dá para ganhar dinheiro resolvendo problemas e remunerando bem as pessoas,” afirma a engenheira ambiental ao Globo.


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Projeto em Niterói pretende se expandir pelo Rio

Atualmente a iniciativa conta com a parceria da Casa Paul Singer, um centro destinado à formação, capacitação e orientação de empreendedores da economia solidária, cooperativas e associações de Niterói. O objetivo da união é ajudar na transformação dos materiais recolhidos em bolsas de praia ou esportivas. Vale ressaltar que cerca de 75% das trabalhadoras que participam dessa etapa da produção do Redinha participam da Casa Paul Singer.

Maria Fernanda espera que agora o projeto possa chegar a novas comunidades pesqueiras da Baía de Guanabara, inclusive na cidade do Rio. Ao todo, ela aponta 42 grupos no entorno e destaca que 10% de todo o lixo encontrado no mar são oriundo desse tipo de descarte. Já existe um diálogo com pescadores de Itaipu e de Magé, na Baixada Fluminense.


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