Editorial

Presidente da Caixa deve dar prioridade ao Porto Maravilha

EDITORIAL. Futuro dos investimentos na região exige o comprometimento da Caixa em valorizar o que foi feito e planejar a conclusão do projeto

11 de fevereiro de 2019
Pedro Guimarães, novo presidente da Caixa (reprodução)

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Passados mais de dois anos após os Jogos Olímpicos, é inegável que o Porto Maravilha figura entre os mais importantes legados para a cidade. A demolição do Elevado da Perimetral, substituído por túneis modernos, novas vias e um extenso boulevard, arejou o coração do Rio. Milhões de visitantes foram atraídos para passear na região e conhecer suas atrações.

Porém o mesmo bom desempenho não ocorreu nos investimentos imobiliários que estavam previstos para ocupar os bairros revitalizados do Porto. Limitaram-se à construção de alguns edifícios corporativos modernos, sem qualquer empreendimento residencial.

Também já é evidente a queda na qualidade da conservação dos equipamentos urbanos da região. Ela foi assumida pela Prefeitura, depois que a Concessionária Porto Novo deixou de receber pela prestação desses serviços.

Entre as causas desses fracassos, dois fatores são os mais importantes.

O primeiro, onipresente no país, é a crise econômica iniciada em 2014, que inibiu investidores, empresas e consumidores.

O segundo, que afeta diretamente o Porto Maravilha, é a falta de compromisso da Caixa Econômica Federal com o sucesso de um projeto pelo qual a instituição se tornou responsável desde seu início.

O projeto do Porto Maravilha sofre com a falta de recursos para a finalização de suas obras e para a manutenção das que já foram realizadas. Isso acontece por causa do encalhe dos títulos imobiliários, os Cepacs, que autorizam a construção de prédios altos na região.

Em 2011, o fundo imobiliário regido pela Caixa comprou todos os 6,4 milhões de Cepacs, além de 400 mil metros quadrados de terrenos na Região Portuária. Pagou à vista R$ 3,5 bilhões, com dinheiro do FGTS, e se comprometeu a repassar cerca de R$ 6,5 bilhões por 15 anos para finalizar as obras e custear os gastos com serviços públicos como iluminação, limpeza, controle de tráfego e de galerias pluviais em uma área de 5 milhões de metros quadrados.


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O cronograma de repasses começou a sofrer suspensões devido à dificuldade de revender os terrenos e os Cepacs. A Caixa não admite baixar os preços, como faz qualquer proprietário que precisa vender imóvel em um momento de crise.

Como não vende, o fundo fica sem recursos para investir nas obras de reurbanização e na manutenção da área e acaba desvalorizando o próprio patrimônio.

Além de não ter flexibilidade para baixar seus preços, a Caixa também não tem demonstrado preocupação em tomar iniciativas para consolidar o Porto Maravilha como opção de investimentos.

Mudança para Cinelândia mostra que Porto não é prioridade

A mais recente demonstração desse descuido foi a escolha no final do ano passado de um prédio na Cinelândia para realocar a sede carioca da CEF, em detrimento de um moderno edifício na região portuária do qual ela mesma é uma das proprietárias.

Ao fazer isso, a instituição mandou um recado direto para o mercado: o Porto Maravilha não é prioridade.

Moradores, empresários e trabalhadores do Porto têm sentido os efeitos negativos desse impasse, com queda na qualidade dos serviços públicos e falta de perspectiva para investimentos de longo prazo.

Recolocar o Porto Maravilha como prioridade deve ser uma preocupação do novo presidente da Caixa, Pedro Guimarães. Ele foi escolhido pelo ministro da EconomiaPaulo Guedes, em função da experiência de mais de 20 anos de atuação no mercado financeiro na gestão de ativos e reestruturação de empresas.

Doutor em Economia pela universidade americana de Rockester, Guimarães especializou-se em privatizações. O futuro do Porto Maravilha, que passa por um momento difícil, depende muito das decisões e da habilidade de Guimarães na gestão das propriedades do fundo imobiliário na região, especialmente os Cepacs.

Decisões para garantir retorno não só aos próprios investimentos já feitos pela Caixa, mas também para manter a saúde do coração da cidade, o Porto Maravilha, projeto cujo sucesso tem tudo para ser a base para a recuperação do Estado do Rio de Janeiro.

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