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Prêmio Espírito Público destaca proteção à mulher

Uma das ganhadoras do Prêmio Espírito Público, a tenente-coronel da PM do RIo, Cláudia Moraes, criou programa Patrula Maria da Penha – Guardiães da Vida

26 de dezembro de 2020
Vencedora do Prêmio Espírito Público, a tenente-coronel da PM do Rio, Cláudia Moraes (foto: Divulgação)

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A Polícia Militar do Rio chega a ter 300 atendimentos diários para atuar em denúncias contra agressões a mulheres, afirma a tenente-coronel Cláudia Moraes. Inquieta diante dessa situação, ela desenvolveu um programa para combater a violência doméstica no Estado, chamado de Patrulha Maria da Penha — Guardiões da Vida.

O programa conseguiu reduzir a zero a morte de mulheres que estão sob sua proteção. A iniciativa da tenente-coronel foi reconhecida como uma das melhores ações desenvolvidas por servidores do Estado. E, neste ano, foi uma das vencedoras do Prêmio Espírito Público, realizado por mais de 20 entidades não-governamentais e empresas privadas.

O Prêmio Espírito Público reconhece e valoriza servidores que tenham desenvolvido projetos de relevância social. Neste ano, foram premiados 15 servidores de vários Estados e uma equipe da área de Saúde, que atuou no combate ao Covid-19.

Prêmio Espírito Público dá viagem ao exterior

Cada vencedor recebe um prêmio de R$ 10 mil, uma viagem para conhecer o serviço público de algum outro país, além de uma bolsa de estudos em um curso de inglês. Segundo Eloy Oliveira, diretor executivo da República.org, uma das instituições organizadoras do prêmio, o número de inscritos em 2020 quase triplicou e há mais diversidade. “Ficamos felizes em observar o aumento de mulheres e de pessoas pretas e pardas. Isso também se refletiu na maior presença desses grupos entre os vencedores”, afirmou.

O projeto Patrulha Maria da Penha — Guardiões da Vida é uma ação institucional da PMERJ, distribuída por todas as regiões do Estado, contando com 43 grupos de policiais, inclusive em comunidades localizadas em áreas de risco.

A tenente-coronel conseguiu que o projeto firmasse um convênio com o Tribunal de Justiça do Rio, que informa à PM a cada medida protetiva emitida, para que a patrulha possa fiscalizar o cumprimento da medida e acompanhar de perto a mulher sob situação de risco.

De acordo com Cláudia Moraes, um ano e quatro meses depois do lançamento do programa, cerca de 10 mil mulheres estão em acompanhamento, 230 prisões de agressores foram efetuadas e não houve nenhum caso de feminicídio registrado entre as mulheres do programa.

Nesta semana, um feminicídio abalou o Rio de Janeiro. A juíza Viviane Vieira do Amaral Arronenzi foi assassinada pelo ex-marido Paulo José Arronenzi, na última quinta-feira (24). Ela, que havia recebido ameaças de Paulo após a separação, chegou a ter proteção policial, mas abriu mão da escolta por acreditar que “o perigo havia passado”, de acordo com o relato de uma amiga ao jornal O Globo.

A tenente-coronel Cláudia Moraes afirma que é importante acionar a PM diante de qualquer indício de violência doméstica. “Não podemos minimizar qualquer ato, sejam empurrões ou xingamentos. Isso vale para quem sofre as agressões, mas também para parentes e vizinhos. A rapidez em acionar a polícia pode ser a diferença para se evitar uma tragédia. Infelizmente, a cada feminicídio temos uma mulher morta, crianças órfãs e um pai preso”.

 


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