Prefeitura não paga, e Linha 3 do VLT não funciona | Diário do Porto


Mobilidade

Prefeitura não paga, e Linha 3 do VLT não funciona

Prefeito atrela pagamento ao aumento no número de usuários, mas consórcio diz que a dívida da Prefeitura se refere às obras já realizadas da Linha 3 do VLT

15 de janeiro de 2019

VLT em teste da Linha 3 passa em frente ao Palácio Itamaraty

Compartilhe essa notícia:


VLT em teste passa pela Matriz de Santa Rita
VLT em teste passa pela Matriz de Santa Rita, na Avenida Marechal Floriano

Depois de um ano de obras, um tormento para os comerciantes, a Linha 3 do VLT Carioca ficou pronta. Mas quem botou fé, investiu ou sobreviveu bravamente aos transtornos ainda não pode colher os frutos da reurbanização da Avenida Marechal Floriano, no Porto Maravilha. O charmoso trenzinho só vai circular pela via quando a prefeitura pagar o que deve ao consórcio VLT Carioca, responsável pela construção e operação do sistema.

O prefeito Marcelo Crivella justifica a suspensão do pagamento ao fato de o VLT Carioca transportar apenas 60 mil passageiros por dia, quando o contrato inicial previa cerca de 260 mil. Ou seja, a Prefeitura estaria subsidiando o consórcio com o equivalente a 200 mil passageiros/dia, que não existem. Ele usa termos como “caixa preta”, semelhantes aos utilizados nas brigas com os empresários de ônibus.

O VLT Carioca, por sua vez, diz que os repasses têm a ver com as obras executadas, e não com o número de passageiros. O movimento, segundo o consórcio, foi afetado pela crise, pelo recuo de investidores no Porto Maravilha e pela não adoção de medidas para melhorar a mobilidade no Centro e no Porto, como a redução na circulação de ônibus.

 


LEIA TAMBÉM:

Rio redescobre Av. Marechal Floriano com Linha 3 do VLT

Novas estações do VLT homenageiam cultura africana

Alô Região Portuária: a boa é ligar para o 1746!


A Linha 3, pronta desde 15 de dezembro, é o último trecho para completar o circuito do VLT. As obras começaram em janeiro de 2018 para ligar a Central do Brasil à Avenida Rio Branco, via Marechal Floriano. São três novas estações, além das sete compartilhadas com as linhas 1 e 2, beneficiando 24 mil usuários por dia.

O imbróglio da falta de pagamento foi informado pelo jornal O DIA. Segundo a publicação, em razão do atraso dos pagamentos, o VLT Carioca deve à empresa francesa Alstom, que não liberou o sistema para operação. A Alstom detém a tecnologia de alimentação elétrica por solo e do funcionamento dos semáforos das três linhas do VLT.

Prejuízos no comércio

Pelo meio do caminho das obras, muitos lojistas não puderam suportar a queda no movimento e fecharam as portas. Com patrocínio da Fecomércio e do Sindicato do Comércio Varejista de Material Elétrico (Simerj), um grupo chegou a fazer duas faixas saudando a inauguração.

O investimento total para a implantação do VLT foi de R$ 1,157 bilhão, sendo R$ 532 milhões de recursos federais do PAC da Mobilidade. Outros R$ 625 milhões saíram da Parceria Público-Privada, na qual a empresa investidora é ressarcida pelas tarifas e a contrapartida da prefeitura em 25 anos de concessão. A remuneração pela obra, segundo o contrato (2013) era de R$ 5,9 milhões por mês, com atualizações.

Leia nota do VLT Carioca

O consórcio divulgou hoje a seguinte nota:

O VLT Carioca esclarece que o pagamento mensal da Prefeitura do Rio previsto no contrato de parceria público privada diz respeito aos investimentos realizados pela concessionária durante as obras de implantação do sistema que são fundamentais para a saúde financeira da Concessionária. Além disso, garantem que toda a estrutura seja devolvida ao poder público e mantida para a população ao fim da concessão. A dívida atual da Prefeitura com o VLT não tem relação com a quantidade de passageiros transportados e sim com o pagamento mensal citado acima.

O VLT hoje transporta cerca de 80 mil pessoas por dia útil nas duas linhas em operação e a previsão de ultrapassar a marca de 200 mil passageiros é para a operação plena, com todas as linhas, veículos e intervalos em configuração definitiva.

Ainda assim, o número de passageiros transportados atualmente é, sim, afetado por um cenário previsto no contrato de concessão e não realizado, como a reestruturação da circulação de linhas de ônibus no Centro e a revitalização da região portuária. Ainda nesse contexto, o VLT busca junto a Prefeitura receber parcela da repartição tarifária relativa às integrações com ônibus municipais que estão previstas no contrato de concessão. Hoje, todas as integrações do gênero não geram receita para o sistema, diferentemente do previsto contratualmente.

Cabe esclarecer que, ao longo do período de operação do sistema, a concessionária vem tentando agendar reuniões com o Secretário responsável pelo contrato e com o Prefeito em busca regularização dos pagamentos e do equilíbrio econômico-financeiro do projeto. A concessionária aguarda o retorno para a regularização desta situação.

Por fim, a concessionária reforça que a linha 3 está construída, testada e pronta para operar. Porém, pendências financeiras com fornecedores, ocasionadas pelo atraso nos repasses da Prefeitura impedem que o trecho entre em operação no momento.

As linhas 1 e 2 do Veículo Leve sobre Trilhos, já em operação plena, não serão afetadas. O VLT reforça que a segurança e a prestação de um serviço de qualidade, aprovado por 92% dos usuários, segundo o Datafolha, são valores primordiais e inegociáveis do projeto.”


/