Prefeitura autoriza demolição no Moinho Fluminense | Diário do Porto

Investimentos

Prefeitura autoriza demolição no Moinho Fluminense

Demolição só pode ocorrer em áreas do Moinho Fluminense que não estão protegidas por tombamento. Novos donos do imóvel investem em prédios comerciais

2 de outubro de 2019


Pequeno prédio será próximo do imponente Moinho Fluminense, na Praça da Harmonia (Foto: DiPo)


Compartilhe essa notícia:


O grupo Autonomy Investimentos e Affiliates, que comprou em julho os prédios do Moinho Fluminense, no Porto Maravilha, obteve no último dia 19 de setembro licença da Prefeitura para demolição das áreas do imóvel que não estão protegidas por tombamento.

O Moinho, cujo alvará de funcionamento foi concedido pela princesa Isabel no século 19, tem 53 mil m² de área construída em um terreno de 27 mil m², distribuídos por 4 quarteirões. A fachada de sua sede, na Praça da Harmonia, é considerado um dos mais belos exemplos da arquitetura industrial inglesa no Brasil.

Em resposta a questionamentos do DIÁRIO DO PORTO, a Prefeitura não especificou quanto da área total será demolida nem esclareceu quando as obras começam, mas afirmou que todo o processo foi autorizado e está sendo acompanhado pelo Instituto Rio Patrimônio da Humanidade (IRPH). Esse órgão municipal é o responsável por fiscalizar e autorizar o licenciamento de obras relativas ao patrimônio cultural e histórico da cidade.

O tombamento dos prédios do Moinho foi feito por decreto da Prefeitura em 1986, acrescido de especificações no ano seguinte. O grupo Autonomy ainda não revelou seus planos para sua nova propriedade. A notícia sobre o início da demolição foi publicada primeiramente pelo Diário do Rio, com comentários de Cláudio Castro, diretor da imobiliária Sergio Castro, que participou do processo de venda do imóvel.

O grupo Autonomy tem um portfólio de investimentos em prédios comerciais. Se resolver usar a nova propriedade para um empreendimento também residencial, será algo inédito em sua trajetória.


LEIA TAMBÉM:

Roda Gigante Rio Star contratará moradores do Porto

Rock in Rio lota hotéis e movimenta R$ 1,7 bilhão

CSN é acusada de poluir rio Paraíba do Sul, no RJ


Isso é o que se pode ver em sua página na internet, nas quais lista 8 projetos, sendo 4 no Rio de Janeiro e 4 em São Paulo, onde o grupo tem sua sede. Em sua apresentação, os investidores afirmam que têm foco em transações que promovam melhorias urbanas, por meio de retrofits ou reposicionamento de ativos.

A construção de prédios residenciais é uma das demandas mais frequentes quando se pensa nos fatores que faltam para consolidar o sucesso do Porto Maravilha. A Região Portuária tem baixa ocupação populacional, apenas 30 mil habitantes em uma área que poderia comportar 400 mil pessoas.

Talvez os novos compradores resolvam dar sequência a um projeto de 2014, em que outros investidores já haviam obtido aprovação da Prefeitura para realizar um shopping, salas corporativas e um hotel, com estimativa de R$ 1 bilhão de investimentos. Por desacordo na época, o empreendimento não foi levado adiante.

O Autonomy é um dos donos do Vista Guanabara, um dos mais modernos edifícios corporativos do Rio e que fica próximo do Moinho Fluminense. Construído na onda de revitalização da região portuária, tem quase todos os seus andares ocupados. Estão lá o Bocom BBM, banco de origem chinesa, a Casa Granado, a Amil e a seguradora italiana Generali.