Diário do Porto

Prédio só para Airbnb, sem moradia? Flamengo terá prédio exclusivo para aluguel de temporada

Empreendimento no Flamengo terá 83 unidades voltadas exclusivamente para aluguel de temporada (Foto: Divulgação)

O bairro do Flamengo, na Zona Sul do Rio, vai receber um novo empreendimento totalmente voltado ao aluguel de temporada. O projeto, chamado Soul Rio Barão de Icaraí, terá 83 unidades e Valor Geral de Vendas estimado em R$ 80 milhões.

O lançamento é da RJDI em parceria com a Schipper Engenharia e será feito ainda este mês. A proposta chama atenção porque o prédio não será pensado para moradia tradicional, mas para hospedagens de curta duração, modelo associado a plataformas como Airbnb.

A gestão das unidades ficará a cargo da Lobie, empresa especializada na administração de imóveis voltados para aluguel temporário. Na prática, o comprador adquire o imóvel, mas a operação cotidiana será estruturada para receber hóspedes, administrar reservas e cuidar da rotatividade das estadias.

O projeto chega em um momento em que bairros da Zona Sul vivem uma disputa crescente entre moradia, investimento imobiliário e uso turístico dos imóveis. Em áreas bem localizadas, próximas ao metrô, à praia e a pontos de interesse da cidade, empreendimentos voltados para aluguel de curta duração passaram a ganhar espaço no mercado.

Projeto terá lazer no rooftop e serviços para hóspedes

O Soul Rio Barão de Icaraí foi planejado com estrutura típica de empreendimentos voltados à hospedagem. O condomínio terá área de lazer no rooftop, com lounge gourmet, skypool, academia, sauna, lavanderia e pet care.

Também estão previstos serviços como maleiro, delivery box, espaço de “grab and go” — modelo de conveniência rápida — e bicicletário. A combinação indica uma tentativa de aproximar o empreendimento da lógica de hotelaria, mas dentro do formato de condomínio residencial.

Esse tipo de projeto costuma atrair investidores interessados em renda com locação, especialmente em regiões com demanda turística e boa infraestrutura urbana. No caso do Flamengo, a localização pesa: o bairro fica entre o Centro e outros pontos da Zona Sul, tem acesso ao metrô, ao Aterro e a áreas de lazer.

Ao mesmo tempo, prédios voltados exclusivamente ao aluguel de temporada levantam discussão sobre o impacto no uso residencial dos bairros. A ampliação desse modelo pode reduzir a oferta de unidades para moradia permanente e mudar a dinâmica de vizinhança em áreas já pressionadas pelo mercado imobiliário.

Empreendimento inclui ação social vinculada às vendas

Além da operação voltada ao aluguel temporário, as empresas afirmam que parte das vendas será destinada a ações de impacto social. Os compradores poderão escolher uma entre 13 iniciativas participantes, com atuação em áreas como educação, cultura, esporte e assistência a pessoas em situação de vulnerabilidade.

Segundo a RJDI, a proposta será adotada também em outros lançamentos da empresa. A incorporadora afirma que, ao todo, outras 26 organizações devem ser contempladas em projetos futuros.

O sócio da RJDI, Jomar Monnerat, diz em entrevista ao O Globo que a iniciativa busca associar os lançamentos imobiliários a ações sociais. “O propósito vai além da venda de um imóvel. Queremos impactar quem confia em nossos projetos e também quem mais precisa”, afirmou.

O lançamento no Flamengo reforça uma tendência do mercado imobiliário carioca: produtos desenhados não apenas para quem quer morar, mas para quem pretende investir em imóveis operados como ativos de renda. No caso do Soul Rio Barão de Icaraí, essa lógica aparece de forma explícita, já que todo o prédio será voltado ao aluguel de temporada.


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