Preços altos afastam interessados no Porto Maravilha | Diário do Porto

Imóveis

Preços altos afastam interessados no Porto Maravilha

Porto Maravilha tem imóvel que será leiloado por R$ 24 milhões, mas mercado avalia que o preço é alto, assim como terreno da Prefeitura, de R$ 13,5 milhões

23 de fevereiro de 2021
Terreno no Porto Maravilha, no centro da foto, será leiloado pela União em abril (foto: Cdurp / Divulgação)


Compartilhe essa notícia:


Por preço mínimo de R$ 24 milhões, um imóvel na avenida Rodrigues Alves, no Porto Maravilha, será leiloado no próximo dia 4 de abril, pela Superintendência de Patrimônio da União (SPU) do Ministério da Economia. O local tem 4,5 mil m² e está situado de frente para o Cais da Gamboa, o que sugere uma bela vista para a Baía de Guanabara, caso seja aproveitado para um edifício.

O problema é que o mercado imobiliário considera o preço elevado. Fontes consultadas pelo DIÁRIO DO PORTO indicam que o processo pode não ter compradores, da mesma forma que a Prefeitura do Rio não conseguiu ofertas neste mês para a primeira tentativa de vender um terreno de 7.175 m² na Avenida Pereira Reis, bem próximo a este que a SPU vai leiloar. Ambos estão localizados no bairro de Santo Cristo.

Com a recessão econômica agravada pela pandemia, o interesse dos investidores pelos terrenos disponíveis no Porto Maravilha diminuiu ainda mais. Antes da crise do novo coronavírus, a região já enfrentava os efeitos negativos dos sucessivos conflitos entre a Caixa Econômica Federal e a Prefeitura, que levaram o projeto de requalificação urbana da Região Portuária a uma paralisação e até disputa na Justiça.

Porto Maravilha é prioridade para Paes

A nova administração do prefeito Eduardo Paes promete soluções para os entraves no Porto Maravilha e o incentivo a projetos imobiliários é uma das metas do novo presidente da Companhia de Desenvolvimento Urbano da Região do Porto do Rio de Janeiro (Cdurp), Gustavo Guerrante, que é especialista em concessões e Parcerias Público-Privadas (PPPs).

O terreno que a Prefeitura quis vender, por meio de concorrência feita pela Cdurp, tinha um valor mínimo de R$ 13,5 milhões. Ele fica próximo ao local em que a Marinha pretende construir um empreendimento residencial destinado a seus integrantes. O financiamento para a construção está sendo negociado com o Banco Votoran, que recentemente adquiriu uma grande área da Odebrecht, ao lado do edifício Novocais.

Em nota, a Cdurp disse que, apesar de não ter recebido nenhum lance para a tentativa de venda do terreno, “viu com otimismo o interesse de grandes incorporadoras na aquisição do imóvel – ao menos 3 -, todos pensando em uso residencial ou misto. A empresa avalia que tanto o preço como a forma de pagamento disponibilizada são compatíveis com o mercado e não foram questionados pelos investidores que entraram em contato demonstrando interesse”. De acordo com a companhia, ainda não há nova data para outra licitação de terrenos.

No 1º Fórum de Soluções para o Porto Maravilha, realizado em dezembro de 2019 pelo DIÁRIO DO PORTO e Clube Empreendedor, os participantes identificaram que o lançamento de empreendimentos residenciais era uma das maiores necessidades da região. Os bairros da área, que somam 5 milhões de m², têm apenas cerca de 30 mil habitantes, havendo projeções que apontam capacidade para 400 mil.


LEIA TAMBÉM:

As ‘heranças malditas’ de Paes para Paes

Vendas de imóveis crescem, mas materiais preocupam

Coalizão Rio discute mais rodovias e ferrovias no RJ