#7set: na Praça XV, o berço da nação que vamos construir | Diário do Porto

História

#7set: na Praça XV, o berço da nação que vamos construir

Nossa dica para Sete de Setembro é reviver na Praça XV a memória de um país que ainda não chegou lá, mas, se Deus quiser, vai chegar. Viva a democracia!

3 de setembro de 2021


Detalhe do Palácio Tiradentes, na histórica Praça XV (Foto Rafael Wallace)


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Editorial

Neste Sete de setembro o Brasil comemora 199 anos como nação livre. Às vésperas do bicentenário da Independência, são imensos os desafios que deveriam unir os brasileiros por sua superação, como a desigualdade, a violência e a tragédia da Covid 19. Não é com ódio e divisão que se constrói um país, mas com coragem para respeitar diferenças e alimentar a democracia. O Sete de Setembro é uma oportunidade para refletir sobre a civilização de ordem e progresso com a qual sonhamos há tanto tempo. E não há cenário mais adequado a esse exercício de civilidade do que a Praça XV, coração do Rio de Janeiro, onde tudo começou.

Foi em uma janela do Paço que, em 9 de janeiro de 1822, o príncipe Pedro mandou avisarem ao pai, o rei João, que não retornaria à Europa. Ficaria no Brasil para apaziguar ânimos e ajudar na construção de um futuro digno para os brasileiros. Naquele tempo, os negros que vinham da África eram escravos, vendidos em arrobas pelas ruas. O mundo já saíra da Idade Média, mas as mulheres eram consideradas inferiores. Não podiam estudar nem fazer carreira política como os homens. O mundo deu passos gigantes para que enxergássemos essas desigualdades como absurdos. Revisitar a história – e a Praça XV – é importante para evitar a repetição de erros e entender que um bom país não se faz da noite para o dia.

1808: o Brasil no mapa-múndi

O Paço Real virou museu para contar história e festejar a arte brasileira, desprezada por tiranos que, ao longo desses dois séculos, apequenaram a brasilidade em vez de engrandecê-la. É o prédio mais importante e está na praça mais crucial da história do Brasil. Foi na Praça XV que chegaram os africanos para construir nossa economia – e também os passageiros da Europa. Foi nela que a Lei Áurea foi assinada pela princesa Isabel um mês depois de inaugurar, a um quilômetro dali, o Real Gabinete Português de Leitura, considerada pela Time uma das 20 bibliotecas mais bonitas do planeta.

Também continua na Praça XV o Chafariz do Mestre Valentim, de 1789, quando a França realizava a revolução da Liberdade, Igualdade e Fraternidade. Foi na Praça XV que a família imperial embarcou para o exílio depois que Deodoro proclamou a República, na então Praça da Aclimação, hoje Praça da República. Na Praça XV também fica a Igreja de Nossa Senhora do Carmo da Antiga Sé, onde foram coroados os dois imperadores do Brasil. Dom João VI a tomou como Capela Real em 1808, ano em que ele desembarcou na Praça XV, fugindo de Napoleão Bonaparte, para inserir o Brasil no mapa-múndi.

Museu da Democracia na Praça XV

A memória brasileira já é riquíssima no centro da cidade que foi capital da Colônia, do Reino Unido com Portugal e Algarves, do Império e da República. Mas acaba de ganhar um presente novo, com a saída da Assembleia Legislativa (Alerj) do Palácio Tiradentes. O prédio, que completou 95 anos, deverá abrigar o Museu da Democracia, um centro cultural com salas de exposição e espaços para ações educativas, exibição de filmes e apresentações artísticas.

”Nosso papel, como servidores públicos, é fortalecer o legado que essa instituição tem para a população e que vai contribuir, de forma bastante singular, para impulsionar o desenvolvimento cultural, econômico e humano do Centro do Rio de Janeiro. Temos um conjunto de saberes, fazeres, práticas que remetem à construção do nosso país”, pontua o subdiretor de Cultura da Alerj, Nelson Freitas.

O Palácio Tiradentes foi construído para sediar a Câmara Federal no lugar de um sobrado que, em 1640, ainda no Brasil Colônia, abrigava os três vereadores que cuidavam das finanças da cidade. No andar de baixo ficava a Cadeia Velha, onde Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes, ficou preso três anos. Ele foi enforcado pela monarquia portuguesa em 1792, ano em que os franceses prenderam seus monarcas para decapitá-los no ano seguinte. A Cadeia Velha foi também Tribunal, alojou a criadagem da Família Real, os Correios, a Tipografia Nacional, a Caixa Econômica e a Inspetoria de Higiene. Foi José Bonifácio de Andrada e Silva, patriarca da Independência e morador de Paquetá, que determinou a reforma da Cadeia Velha para abrigar a Assembleia Geral Constituinte Brasileira.

‘Harmonia e disciplina’

Indagado sobre a importância do Sete de Setembro na construção da nação brasileira, o presidente da Alerj, André Ceciliano, disse ao DIÁRIO DO PORTO que é preciso reforçar a democracia, ainda jovem no Brasil. “A gente precisa ser cada vez mais um país livre, com harmonia entre os Poderes, com disciplina neste momento de pandemia, pois é assim que vamos vencer esse momento difícil”, declarou.

Neste Sete de Setembro, enquanto uma parte dos brasileiros vai às ruas pregar a desunião nacional e a renúncia ao sonho de uma nação altiva e democrática, nossa dica é de um passeio pelo berço do país que nasceu há 199 anos com uma ideia na cabeça. Duas, aliás: ordem e progresso. Que o Museu da Democracia seja bem vindo para contar a história de uma nação que ainda não chegou lá, mas, se Deus quiser, vai chegar.

 


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