Portos do Rio faturam 39% a mais no primeiro bimestre | Diário do Porto


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Portos do Rio faturam 39% a mais no primeiro bimestre

Resultado dos quatro portos do Rio geridos pela Companhia Docas ficou 52% acima do projetado para janeiro e fevereiro. Movimentação de cargas cresceu 23,5%

12 de abril de 2021

Portos do Rio administrados por Docas tiveram crescimento no primeiro bimestre de 2021 (Foto: Arquivo)

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O faturamento da Companhia Docas do Rio de Janeiro (CDRJ) – responsável pela administração dos portos do Rio, Itaguaí, Niterói e Angra dos Reis – registrou um crescimento de 39% no primeiro bimestre de 2021 em relação ao mesmo período do ano passado. O resultado fica 52% acima da projeção feita para janeiro e fevereiro deste ano no Plano de Negócios 2021-2023, divulgado recentemente.

Em entrevista ao site Portos e Navios, o diretor de Negócios e Sustentabilidade da CDRJ, Jean Paulo Castro e Silva, disse que a alta no faturamento é decorrente do cenário de dólar em patamar acima do esperado. “A estimativa anterior não captava um crescimento tão expressivo de movimentação, como o que ocorreu nos dois primeiros meses de 2021”, disse.

Em 2020, a companhia registrou alta de 9,8% na movimentação de cargas. Já no primeiro bimestre deste ano, o crescimento chegou a 23,5% sobre o mesmo período do ano passado. O resultado é 14% superior ao projetado para os meses de janeiro e fevereiro no Plano de Negócios 2021-2023, concluído no fim do ano passado.

O documento prevê um crescimento de 2% ao ano na movimentação de cargas dos portos administrados pela CDRJ, o que colocaria o complexo portuário entre os cinco principais do Brasil. O plano prevê investimentos da ordem de R$ 2,1 bilhões até 2023, resultado de ações referentes à administração portuária, arrendamentos em vigor e novos arrendamentos.

Terreno do Museu do Amanhã

O executivo também comentou sobre a decisão de incluir o terreno do Museu do Amanhã no Plano de Desinvestimentos da companhia para acertar as dívidas tributárias com a Prefeitura do Rio, como o Diário do Porto já havia publicado.

Segundo ele, o prefeito Eduardo Paes já autorizou a continuidade das tratativas iniciadas junto à Companhia de Desenvolvimento Urbano da Região do Porto do Rio de Janeiro (Cdurp), empresa pública municipal que administra a região do Porto Maravilha.

“Acreditamos que essa é uma proposta benéfica para todas as partes, uma vez que solucionará questões pendentes entre a CDRJ, Cdurp e o Município, já há alguns anos e dará maior segurança jurídica para o próprio Museu do Amanhã, cuja destinação da área já está claramente definida como equipamento turístico”, disse o executivo à PN.

Arrendamentos no Rio e Itaguaí

O Plano de Negócios traz a possibilidade de novos contratos de arrendamento de algumas áreas nos Portos do Rio de Janeiro e Itaguaí, conforme estudos realizados pela companhia em 2019 e enviados à Secretaria Nacional de Portos. “Agora no início de 2021, estamos justamente na etapa de identificação de interessados nesses processos de novos arrendamentos”, disse.

 


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Sem adiantar nomes, o diretor informou que para as áreas brownfield, onde já há operação, existem interessados claramente identificados, que são justamente as empresas que atuam nessas áreas. “Também há interesse manifesto em uma área brownfield que atualmente não está em operação em Itaguaí. No caso das áreas greenfield, ainda estamos trabalhando na sua promoção para identificar a demanda necessária para o desenvolvimento desses projetos”, disse ele.

Receita de R$ 742 milhões em 2021

A receita total estimada de R$ 742 milhões para o ano 2021, prevista no Plano de Negócios da companhia, baseia-se na tendência esperada com os contratos de arrendamentos em vigência. Somam-se a isso os incrementos previstos com o novo formato de cobrança das tarifas de acessos aquaviários, novos arrendamentos e cessões onerosas.

Também está incluído o resultado da execução do Plano de Desinvestimentos de ativos não operacionais – no qual se inclui o terreno do Museu do Amanhã. O Plano de Negócios 2021-2023 detalha ainda as principais estratégias comerciais, o aprimoramento das atividades voltadas para o desenvolvimento socioambiental e a modernização tecnológica e de processos das operações portuárias.

Concorrência com Açu e privatização

Castro e Silva falou ainda sobre a necessidade de aumentar a competitividade dos portos administrados por Docas diante do seu principal concorrente: o Porto do Açu, no litoral norte fluminense. “É mais um estímulo para nos planejarmos adequadamente para elevar nossas receitas e gerar as fontes de recursos para os investimentos necessários para manter e elevar a atratividade dos nossos portos”, comentou.

O executivo disse ainda que, embora não esteja incluída no Plano Nacional de Desestatização, a privatização da CDRJ “é um cenário possível, principalmente se as privatizações em curso no setor portuário forem bem-sucedidas”. Ele esclareceu que a eventual desestatização da CDRJ é uma decisão a ser tomada pela União.