Turistas sem CEP: Prefeitura quer nômades digitais no Porto | Diário do Porto


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Turistas sem CEP: Prefeitura quer nômades digitais no Porto

Prefeitura estuda projeto para construir vila para nômades digitais no Porto. Mas antes região precisa ter internet rápida e com valor acessível

27 de agosto de 2021

Geralmente freelancers, nômades digitais rodam o mundo (Deposit Photos)

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A Região Portuária pode ser a “casa” dos nômades digitais no Rio. Segundo Daniela Maia, presidente da Riotur, a Prefeitura quer construir uma vila no Porto para abrigar essa nova modalidade de turista. A afirmação foi feita durante o “II Fórum de Soluções para o Porto Maravilha”, que reuniu empresários, ativistas sociais e autoridades públicas para debater ideias, projetos e soluções para a região.

“A área do Porto Maravilha é a que tem a maior concentração de equipamentos turísticos da cidade. Além disso, está em uma região central. Por isso entendemos que seja o lugar perfeito para receber essa vila para nômades digitais que estamos projetando”, afirmou Daniela.

O Rio pretende seguir os passos de Tbilisi, capital da Geórgia, ex-república da antiga União Soviética, e da Ilha da Madeira, em Portugal, dois destinos que criaram serviços e tarifas especiais para atrair esse turista que não tem domicílio fixo, mas continua trabalhando ou estudando à distância no sistema “home office itinerante”.

Em julho, a Prefeitura lançou o selo “Digital Nomads”, que certifica hotéis e hostels que ofereçam preços especiais para o cliente que aderir a pacotes de longa permanência. Espaços de coworkings também podem receber essa autenticação, que será oferecida pela Riotur. Pouco após o lançamento do programa, 56 hotéis, 14 hostels e 18 espaços de coworking já aderiam a iniciativa. A relação dos estabelecimentos está no site www.nomadesdigitais.rio

Mas para que tudo isso seja possível é preciso que a TCR Telecom, braço de telecomunicações da concessionária Porto Novo, empresa que ganhou a concessão do Porto Maravilha, e operadoras de telefonia e internet cheguem a um acordo sobre o custo da internet banda larga na região. Por um desacerto entre as empresas, hoje o preço do serviço é alto demais para moradores, pequenos comércios e médias empresas instaladas na região. A Prefeitura, via Companhia de Desenvolvimento Urbano do Porto Maravilha (Cdurp), informou que irá atuar para baixar o valor da internet, questão que hoje inviabilizaria tanto a vila dos nômades e até mesmo o Porto Maravalley, projeto que pretende transformar a Região Portuária no Vale do Silício carioca


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Porto Maravalley: onde os nômades encontram a inovação

Se a questão da internet for resolvida outro diferencial competitivo da região para se tornar o endereço temporário dos nômades digitais no Rio é a criação do Porto Maravalley, Um galpão de 9 mil metros quadrados irá abrigar um centro de formação de programadores e startups dos mais diversos segmentos.

Uma faculdade referência em inovação digital já está confirmada. Agora a Prefeitura, por meio da InvestRio, sua agência de promoção e atração de novos investimos, está captando parceiros para a viabilização da iniciativa. O investimento nas obras de adaptação da estrutura, que será 100% público, está orçado em R$ 40 milhões. A previsão de Chicão Bulhoes, secretário de Desenvolvimento Econômico, Inovação e Simplificação, e um dos idealizadores do projeto, é de que o Porto Maravalley esteja em operação no segundo semestre de 2022.