Porto Maravilha espera grandes projetos residenciais | Diário do Porto


Imóveis

Porto Maravilha espera grandes projetos residenciais

Painel sobre moradias no Porto discute as bolas da vez do mercado imobiliário. Papel da Caixa é fundamental para projetos para classe média e baixa renda

10 de dezembro de 2019

Conde e Haaillih Bittar diante de projeção da ilha artificial para cassino na baía (Foto Fabyane Salles/Clube Empreendedor)

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A cada dez pessoas que analisam as perspectivas do Porto Maravilha, pelo menos nove apontam a baixa densidade populacional nas áreas reurbanizadas como obstáculo ao sucesso da maior parceria público-privada do país. O tema foi central no painel Empreendimentos residenciais e comerciais na região portuária, que contou com o empresário Marcelo Conde, da STX Desenvolvimento Imobiliário, com a executiva Haaillih Bittar, da Tishman Speyer, e do subsecretário estadual de Habitação, Fábio Quintino. Foi a terceira mesa de discussões no 1º Fórum de Soluções para o Porto Maravilha, dia 9 de dezembro.

Conde, filho do ex-prefeito Luiz Paulo Conde, apresentou ao público que encheu o auditório do Novotel Porto Atlântico uma lista de sugestões de ações estratégicas para estimular o investimento em projetos de moradias na Região Portuária. A maioria dos pontos coincide com as opiniões frequentes que o DIÁRIO DO PORTO recebe de moradores e frequentadores do Porto Maravilha. São elas:

  • Criação de áreas verdes
  • Aumento da segurança local
  • Tratamento da encosta e urbanização do Morro da Providência
  • Integração da região com a via expressa Rodrigues Alves
  • Continuidade da Orla Conde em direção ao Cais da Gamboa
  • Estímulo legislativo à tipologia residencial
  • Estímulo ao retrofit dos casarios da Gamboa
  • Flexibilização de parâmetros do Inepac e do Iphan
  • Redução do custo das CEPACs
  • Maior oferta de estacionamentos

A STX realizou um estudo de viabilização para a obra interrompida do projeto Porto Vida, um complexo de uso misto inacabado perto da Rodoviária do Rio e da estação final Praia Formosa, do VLT Rio. Fica ao lado da torre construída pela Odebrecht para ser um hotel com a bandeira Holliday Inn, o maior hotel da Região Portuária. A torre se destaca no cenário da região próxima à Rodoviária do Rio, mas está desativada.

O Porto Vida previa mais de 2 mil unidades residenciais, projetadas para atrair diversos públicos, torres de uso estudantil e sênior, além de escritórios, shopping, ampla área de lazer e estacionamento. A prefeitura planejava que ali ficasse a Vila de Árbitros e a mídia não credenciada da Olimpíada de 2016. Posteriormente, as unidades seriam vendidas para os servidores municipais. Porém, não se conseguiu chegar a uma solução de financiamento para atender a este objetivo, e as obras ficaram no esqueleto.

Estacionamentos mais baratos

A STX também produziu um projeto de revitalização da orla portuária, entre os galpões 8 e 18, uma área com pouco mais de 120 mil metros quadrados. O estudo prevê ampla área arborizada, calçadão e diversos usos esportivos e de lazer, servidos por um centro comercial com 10.500 metros quadrados a ser instalado nas estruturas existentes. O complexo prevê a abertura do cruzamento entre a Avenida Pereira Reis com a via expressa Rodrigues Alves, facilitando o acesso de pedestres e automóveis, além da oferta de 660 vagas.

“A região precisa disponibilizar estacionamentos a preços populares. Conheço o caso de um morador da Baixada que trouxe a família para visitar a região, mas, além dos ingressos para as atrações, teria de pagar um dinheirão pelo estacionamento. Ele acabou voltando. Isso não pode acontecer, o Porto precisa ser mais amigável para os turistas, e estacionamento a custos menores é importante neste processo”, defendeu Marcelo Conde.

O empresário apresentou um esboço feito pela STX de uma ilha artificial na Baía de Guanabara para um resort integrado do bilionário americano Sheldon Adelson. Seria um complexo turístico com centro de convenções de 88 mil metros quadrados, arena de espetáculos, cassino e duas torres hoteleiras, com um total de 1.700 unidades. Conectado pela Orla Conde, a ilha teria fácil acesso de pedestres, automóveis, iates e até transatlânticos, tornando-se um polo internacional de lazer e comércio.

Ares da Califórnia na Baía de Guanabara

Haaillih Bittar, diretora da Tishman Speyer, reafirmou a disposição da empresa em construir o mais esperado lançamento residencial do Porto, o Lumina Rio. O projeto é parecido com outro já concluído em São Francisco, Califórnia. É todo de vidro, de frente para a baía e com uma arquitetura que combina conforto com integração à cidade. Prevê apartamentos de vários tamanhos, com serviços e lojas. A Tishman construiu e opera o Aqwa Corporate, o moderno edifício do arquiteto inglês Norman Foster que acaba de ganhar o coworking Studio, inspirado nos modelos novaiorquinos. E tem na agulha a construção da segunda torre do complexo, aguardando a demanda.

Bittar disse que o grupo se encantou com o Porto Maravilha desde que foi apresentado ao projeto. “Só não contávamos com a crise que nos pegou”, disse a executiva. Ainda assim, segundo ela, a Tishman foi em frente com seus projetos, construindo o Port Corporate, ao lado do Into, recentemente vendido à Bradesco Seguros, e, em seguida, o Aqwa Corporate. “É a nossa joia, nosso melhor prédio no Brasil”, exaltou, sem esconder as dificuldades que a crise criou para a ocupação do edifício assim que ele foi concluído.

“Fizemos várias parcerias, a Fábrica de Startups veio trabalhar com a gente”, narrou. Recentemente outras empresas chegaram, incluindo a gigante energética italiana Enel e um dos mais modernos escritórios de advocacia do Brasil, o Licks Advogados. Como outros palestrantes e debatedores, a executiva da Tishman manifestou esperança de que a Caixa se junte aos esforços pelo futuro do Porto. “Com o incentivo da Caixa, do ponto de vista de financiamento residencial e também do ponto de vista da comercialização dos Cepacs, a gente acaba tendo o ambiente perfeito para fazer esse sonho virar realidade”, previu.

Imóveis de R$ 250 mil na Praia Formosa

 

Fábio Quintino
Fábio Quintino: Cepacs a preço baixo para alavancar projetos

O subsecretário estadual de Habitação, Fábio Quintino, também falou sobre a dificuldade representada pelos preços dos Cepacs (certificados para construção acima do gabarito) para os empreendimentos imobiliários na região. Oriundo dos quadros da Caixa, Quintino defende que o banco adote a estratégia de vender por preços mais baixos os Cepacs para os primeiros empreendimentos residenciais, contribuindo para estimular o mercado e valorizar o próprio patrimônio do banco, maior proprietário de imóveis no Porto Maravilha e detentor do direito de construir acima dos gabaritos básicos nas áreas mais valorizadas da região.

O subsecretário de Habitação defendeu que empresas de construção de imóveis de baixa renda sejam atraídas para investir no Porto Maravilha, principalmente na região da Praia Formosa. Seriam imóveis na faixa de R$ 250 mil para competir com o mercado de aluguel, lembrando que, na Rocinha, a média de aluguel é de R$ 750, segundo estudo que a Secretaria de Habitação está concluindo. Ele sugeriu ainda transformar os prédios do Holiday Inn e do Porto Vida em prédios habitacionais mais baratos. “Isso é necessário para que as pessoas não só trabalhem, mas também morem aqui.”

 


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