'Porto Maravilha é um bebê de 2 anos perto do Puerto Madero', diz arquiteto | Diário do Porto


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‘Porto Maravilha é um bebê de 2 anos perto do Puerto Madero’, diz arquiteto

João Pedro Backheuser, responsável pela Orla Conde e da Praça Mauá, e argentino que criou porto de Buenos Aires há 25 anos apresentam detalhes dos projetos. Para Backheuser, agentes envolvidos no Porto Maravilha devem ser ouvidos em impasse entre prefeitura e Caixa

19 de julho de 2018



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O desejo de que o projeto de revitalização da região portuária do Rio de Janeiro se parecesse com a bem sucedida experiência do Puerto Madero ficou só no protoloco de intenções firmado em 2012.  O Porto Maravilha guarda diferenças marcantes em relação ao projeto argentino, reconhecido internacionalmente como um dos pontos turísticos mais visitados de Buenos Aires. A começar pela forma de financiamento das obras, que pode representar um significativo impacto no futuro do projeto carioca.

No Puerto Madero não existem os Cepacs Certificados de Potencial Adicional de Construção, títulos que dão direito a construir acima do permitido pela lei de zoneamento, com os quais o projeto carioca foi erguido. O investimento para a revitalização veio do dinheiro da venda dos antigos armazéns. As empresas atuaram diretamente nos restauros e novas construções e também nas áreas do entorno. As obras ocuparam mais de 2 milhões de metros quadrados, consumindo 30 milhões de dólares. Por aqui, já foram consumidos R$ 5 bilhões e ainda faltam mais R$ 5 bilhões até 2026.

Se a venda de Cepacs no Porto Maravilha era considerada durante as obras um alívio aos cofres públicos, hoje se tornou um tormento para a prefeitura diante da iliquidez do Fundo Imobiliário da Caixa, que detém os títulos.  Para o  arquiteto responsável pelo projeto da Orla Conde e da Praça Mauá, a prefeitura perde o poder de gerenciar a ocupação desta região agora revitalizada. “Hoje o poder de atrair empreendedores e empreendimentos imobiliários para garantir a ocupação da área não está mais na mão de quem deveria (prefeitura)”, criticou João Pedro Backheuser, durante evento nesta quinta-feira (19), no Museu do Amanhã.

Ele demonstrou preocupação em relação ao futuro do projeto diante do impasse envolvendo Caixa e Prefeitura (veja aqui), já que o município teve que arcar com serviços básicos para manutenção, depois que a instituição financeira não conseguiu repassar os R$ 429 milhões previstos em contrato para a concessionária Porto Novo, obrigando a prefeitura a assumir o ônus.

Segundo ele, o Porto Maravilha ainda é “um bebê de dois anos” perto do Puerto Madero, que já tem 25 anos e se consolidou como uma das mais importantes experiências de revitalização de regiões portuárias no mundo. E sugeriu que todos os agentes envolvidos no Porto Maravilha possam ser ouvidos em busca de soluções. Hoje o Porto Maravilha tem 20 mil habitantes – mesmo número de moradores do Puero Madero – mas por aqui a projeção é chegar a 100 mil pessoas vivendo na região.

Jorge Moscato, arquiteto do Puerto Madero

Ao lado do arquiteto e professor argentino Jorge Moscato (foto), um dos coautores do projeto de revitalização do Puerto Madero, Backheuser participou do  Cidade = Universidade, seminário internacional de ensino de arquitetura e urbanismo, que prossegue nesta sexta-feira (20) no Museu do Amanhã e termina sábado (21) no Museu de Arte do Rio (MAR). A uma plateia formada em sua maioria por estudantes e profissionais de Arquitetura e Urbanismo, os dois mostraram detalhes de seus projetos, desde a concepção até o resultado final, com muitas fotografias para ilustrar ‘o antes e o depois’.

Backheuser destacou o conceito e a intenção de trazer de volta para a região central do Rio a sua importância como “centro de gravidade da cidade”, recuperando uma área que estava abandonada e retomando o contato com o mar após a derrubada da Perimetral, “uma ânsia rodoviarista” que escondia a paisagem da cidade desde a década de 60. Para ele, a maior  conquista do projeto é fazer as novas gerações conhecerem e frequentarem a região, enquanto as antigas estão redescobrindo uma área que estava abandonada,

Assista aqui a transmissão completa das palestras

Mais sobre o Cidade = Universidade

Sob o slogan “A cidade é a melhor sala para o futuro”, o evento debate o presente e o futuro da formação dos arquitetos e urbanistas perante os desafios do século 21 no Brasil e em diferentes partes do mundo. As discussões giram em torno dos temas mais relevantes para a cidade contemporânea, como “mudanças climáticas e a adaptação das nossas cidades”, “o papel social do arquiteto e urbanista” e “mulheres e o ensino de Arquitetura e Urbanismo”.

Organizado pela Abea (Associação Brasileira de Ensino de Arquitetura e Urbanismo), o evento é inspirado, também, pela escolha do Rio de Janeiro como sede do Congresso da União Internacional de Arquitetos em 2020 (UIA 2020 Rio), o mais importante evento internacional de arquitetura e urbanismo, que já teve edições memoráveis em Barcelona e Seul.

Mais informações: https://www.cidadeuniversidade.com/


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