Aos 108 anos, Porto do Rio aumenta capacidade em 40%

Operado pela Companhia Docas do Rio de Janeiro (CDRJ), o Porto do Rio tem previsão para 2018 de aumentar em mais de 40% a movimentação das cargas conteneirizadas, graças às obras de dragagem entregues pelo governo federal no final de novembro de 2017

No início do século, porto recebia também passageiros e cargas (Foto: Acervo Porto do Rio)

O Porto do Rio de Janeiro acaba de completar 108 anos como principal porto do estado e com muita história para contar. Inaugurado em 20 de julho de 1910, se destacou logo no início do século passado pelas excepcionais condições de navegabilidade na Baía de Guanabara, tornando-se um dos mais importantes do país. Operado pela Companhia Docas do Rio de Janeiro (CDRJ), o Porto do Rio tem previsão para 2018 de aumentar em mais de 40% a movimentação das cargas conteneirizadas, graças às obras de dragagem entregues pelo governo federal no final de novembro de 2017.

Foram dragados mais de 2,9 milhões de metros cúbicos de sedimentos, o que proporcionou o alargamento, entre 168 e 300 metros, do canal de acesso, o aumento do calado para 14,3m (com maré) e a ampliação dos berços e da bacia de evolução. Com isso, o Porto do Rio passou a ter condições de receber navios de até 349 metros de LOA (comprimento) e 48,5 metros de boca (largura), que têm capacidade total de aproximadamente 10.000 TEUs.

Entre janeiro e outubro de 2017, houve crescimento de 15% na movimentação de  granéis líquidos quando comparada ao mesmo período do ano anterior, sendo o álcool e seus derivados o item mais transportado. Já os granéis sólidos registraram, no acumulado do mesmo período, uma ampliação de movimentação na ordem de 5,5%. O destaque foi o ferro gusa, que teve alta de aproximadamente 285 mil toneladas, representando um acréscimo de 80% no embarque do produto, em relação ao mesmo período de 2016.

Visita de empresários da Argentina

Com o objetivo de fortalecer laços comerciais e cooperativos, uma comitiva de representantes da cadeia agroexportadora e de autoridades do Puerto Quequém, da Argentina, visitaram o Porto do Rio de Janeiro no último dia 30 de julho. Acompanhada pela chefe do Consulado da Argentina, Vanina Yanino, a delegação foi recepcionada pelas equipes da superintendência de Gestão Portuária do Rio de Janeiro e Niterói (Suprio) e da superintendência de Planejamento de Mercado (Suplam) da Companhia Docas. Os visitantes ainda assistiram a uma palestra de apresentação sobre as principais características do Porto do Rio.

Convidado a participar do encontro, pois 70% da movimentação do Puerto Quequén são de grãos, especialmente trigo, o gerente de Projetos da empresa Bunge, Márcio Silva, exibiu um vídeo mostrando como será o novo Terminal de Trigo do Rio de Janeiro – TTRJ, que tem inauguração prevista para outubro de 2019. O Puerto Quequén movimenta 18% da exportação de trigo de toda a Argentina, sendo o Brasil o seu principal destino. Logo após uma apresentação sobre o Puerto Quequén, a delegação visitou a sala de controle da Gerência de Acesso Aquaviário (Gerqua) e as instalações do cais do Porto do Rio de Janeiro.

Delegação visitou o Porto do Rio de Janeiro (Foto: Federico Brisighelli)

 

Um pouco de história

A modernização do porto, que durou de 1904 a 1910, foi um grande marco tanto para o Rio e para o País, como mostra o livro ‘Um Porto para o Rio – Imagens e Memórias de um Álbum Centenário’. Uma curiosidade: com a construção do novo cais do porto, as praias que existiam em frente à Praça Mauá, bairros da Saúde e Gamboa desapareceram, assim como o Saco de São Cristóvão, Saco do Alferez e a enseada ou saco da Gamboa.

Foi por conta da sua configuração geográfica que o Rio se tornou capital do vice-reino, em meados do século XVIII, e do próprio Reino, com a chegada da Família Real Portuguesa, no início do século XIX.Inicialmente, além de servir de local de embarque e desembarque de passageiros, a parte central da cidade, delimitada pelos morros do Castelo (demolido posteriormente) e de São Bento, o porto também recebia navios que chegavam com mercadorias vindas da metrópole e de outros mercados europeus.

Paralelamente, muitas mercadorias vindas das ilhas do fundo da Baía e das Minas Gerais, como a cal, a madeira, e os gêneros alimentícios, eram transportadas em pequenas embarcações até os trapiches para a Prainha, atual Praça Mauá, transformada no principal local de desembarque do açúcar para exportação e de chegada dos negros africanos para trabalharem como escravos na colônia portuguesa.

No início do século XIX, com a vinda da Família Real para o Brasil e a Abertura dos Portos às Nações Amigas, a atividade portuária atingiu seu ápice, mas foi na década de 1870 que surgiram os primeiros projetos para o desenvolvimento de um complexo portuário no Rio de Janeiro, que até então funcionava por meio de instalações dispersas, como os trapiches da Estrada de Ferro Central do Brasil, de São Cristóvão, da Ilha dos Ferreiros e da Praça Mauá, e os cais Dom Pedro II, da Saúde, do Moinho Inglês e da Gamboa.

Em 1890, dois decretos autorizaram a construção de cais acostáveis, armazéns e alpendres entre a Ilha das Cobras até a Ponta do Caju e, em 1903, o governo federal contratou obras de melhoramento para construção de 3500 metros de cais. Posteriormente, foram implantados o Cais da Gamboa e sete armazéns.

Após a inauguração, em 1910, a administração do Porto ficou a cargo da Compagnie du Port do Rio de Janeiro até 1922, e, entre 1923 e 1933, da Companhia Brasileira de Exploração de Portos. Em 16 de janeiro de 1936, pela Lei nº 190, foi constituído o órgão federal autônomo, denominado Administração do Porto do Rio de Janeiro, que recebeu as instalações em transferência, ficando subordinado ao Departamento Nacional de Portos e Navegação, do Ministério da Viação e Obras Públicas. Em 9 de julho de 1973, pelo Decreto nº 72.439, foi aprovada a criação da Companhia Docas da Guanabara, atualmente, Companhia Docas do Rio de Janeiro. Para conferir imagens antigas e atuais do Porto do Rio, clique aqui.

Fonte: Porto do Rio, com Redação

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