Tragédia

Porto do Rio diz que não estoca carga explosiva como a de Beirute

Cargas com materiais explosivos, só para entrada e saída imediatas do Porto do Rio; grande explosão na Ilha do Boqueirão assustou a cidade em 1995

10 de agosto de 2020
Cargas explosivas são autorizadas só para entrada e saída imediatas (Foto: Divulgação)

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FÁBIO CARDOSO

A explosão da terça-feira passada, dia 4, próxima ao porto de Beirute, capital do Líbano, chocou o mundo ao deixar mais de 150 mortos e 5.000 feridos. A tragédia ocorreu por conta de uma substância chamada nitrato de amônio. O fato espalha preocupações pelo mundo, especialmente em cidades que não primam pela capacidade de fiscalização do poder público. Qual seria a chance, por exemplo, de haver uma explosão semelhante no Porto do Rio? Há estocagem de materiais explosivos no local?

A Companhia Docas do Rio de Janeiro (CDRJ), responsável pelo porto, informou ao DIÁRIO DO PORTO que não há estocagem de material explosivo em nenhum de seus portos – Rio de Janeiro, Itaguaí, Niterói e Angra dos Reis. Isso não significa perigo zero.

As cargas deste tipo são autorizadas para entrada e saída imediatas, permanecendo pelo tempo necessário para movimentação de embarque e desembarque. A companhia ainda afirma que “as cargas perigosas são classificadas pela área de Segurança do Trabalho da CDRJ antes de entrarem no porto”.

 


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Há 25 anos, na Baía de Guanabara…

Há 25 anos, foram os cariocas quem ficaram apavorados com uma explosão na cidade. Às 17h20 de um domingo, 16 de julho de 1995, paióis de munição da Marinha provocaram uma explosão fortíssima na Baía de Guanabara, mais precisamente na Ilha do Boqueirão, a 300 metros da Ilha do Governador.

Explosão na Ilha do Boqueirão chocou o país em 1995 (Reprodução/TV Globo)

A explosão, ouvida e sentida de diversos pontos da cidade, em um raio de até 50 quilômetros, acabou por formar uma grande bola de fogo e um cogumelo de fumaça. Imagine o susto, correria, desespero? “A três quilômetros do local, nossa lancha quase foi arrancada da água”, disse o então vereador José Moraes (PFL) à Folha de São Paulo na época.

Impacto da explosão rachou parede de casa na Ilha do Governador, em 1995 (Foto: Reprodução/TV Globo)

O impacto da explosão destruiu vidros do Museu de Arte Moderna (MAM), a mais de 10 quilômetros de distância. Até no bairro da Urca, a 18 quilômetros, houve janelas estilhaçadas. Na Ilha do Governador, janelas desabadas, telhas caídas, rebocos destruídos e paredes rachadas.

Nos primeiros momentos, não se sabia o alcance da tragédia. Fato é que temia-se pelo pior, esperava-se por um grande número de mortos e feridos. Felizmente ninguém morreu, mas 23 militares ficaram feridos.