Carnaval

Portela lança sua nova marca de olho no centenário

Azul e Branca lança sua tradicional águia revitalizada e aposta em licenciamento de produtos. Confira entrevista exclusiva com o presidente da escola

15 de setembro de 2018
Portela lança nova marca no barracão da Cidade do Samba (Foto: Rosayne Macedo)

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Portela lança nova marca
Nova marca da Portela é lançada em evento no barracão da escola (Fotos: Rosayne Macedo)

Por Rosayne Macedo (texto e fotos)

Inovação com tradição. Esta vem sendo a receita da Portela para se manter entre as gigantes do Carnaval carioca nos últimos anos. Uma das estratégias é a nova marca, criada para revigorar seu maior símbolo e trazer novas fontes de receita para a escola de samba que tem o maior número de títulos (22). Nesta quinta-feira (13), a Azul e Branca de Oswaldo Cruz e Madureira abriu as portas de seu barracão na Cidade do Samba, na Gamboa, para anunciar a novidade. O DIÁRIO DO PORTO estava lá e registrou esse momento histórico.

“Eu e a Portela nos sentimos muito lisonjeados porque a escola está inovando. E vai surpreender muita gente quando vir a mudança que teve. Só não pode fugir da tradição, mas está tudo dentro do contexto”, disse a baluarte Tia Surica, aos 76 anos, 74 deles representando a Portela. Para o Carnaval 2019,  ela está otimista. “Pelo que eu vi os figurinos tenho certeza que esse enredo que a escola vai apresentar vai supreender muito e vamos correr atrás do 23º título”, adiantou.

 

Preparativos para o centenário

O presidente executivo da escola, Luiz Carlos Magalhães, disse que o projeto de branding, pioneiro dentre as escolas de samba do Rio, já ‘abre os trabalhos’ para as comemorações do centenário da Portela, daqui a cinco anos, e reforça a busca por uma escola autossuficiente e rentável, tendo no licenciamento de produtos uma de suas alternativas financeiras.

Segundo ele, a ideia é buscar “uma complementaridade dos recursos, sem abrir mão das verbas públicas do Carnaval”. Hoje, um quarto da receita da escola vem de recursos próprios, inclusive das feijoadas na quadra de Madureira. Com o licenciamento de produtos a partir da nova marca, a ideia é chegar a pelo menos 30%.

O projeto prevê o lançamento de uma linha de produtos licenciados, ainda a ser desenvolvidos. “Tudo o que nós vemos por aí clandestinamente, vamos buscar para fazer, seja sandália de borracha, saída de praia, boné, camiseta, relógio. Não adianta fazer coisa cafona, como disse a Rosa (Rosa Magalhães, carnavalesca), mas coisa bonita, à altura da nossa marca, com preço justo. A Portela não quer ficar rica, quer ter produtos rentáveis, compatíveis com o mercado, com preços competitivos”, enfatizou.

Magalhães ainda criticou os “hoteis chiques da Zona Sul”, que realizam suas feijoadas de Carnaval sem remunerar as escolas de samba e, cobrou da prefeitura uma regularidade no repasse de recursos ao longo do ano, não deixando para a reta final, o que prejudica o planejamento das escolas.

Veja entrevista exclusiva com o presidente da escola ao DIÁRIO DO PORTO:

Novo site e aplicativo

Desenvolvida pela Saravah Branding, Comunicação e Design, a nova marca foi lançada um ano após o início do projeto e apresentada em vídeo com locução da atriz e portelense Gloria Pires. Foi apresentado ainda o novo layout para o site oficial e redes sociais e lançado um aplicativo (disponível para Android) com notícias, vídeos e informações históricas da agremiação.

Presidente do Conselho Deliberativo, Fábio Pavão revelou que a nova marca não será aplicada no pavilhão e nem no palco, que continuarão estampados com a ‘marca tesouro’, representada pela tradicional águia e as 22 estrelas dos títulos conquistados. “A ‘marca tesouro’ representa a memória afetiva do portelense, por isso segue no nosso pavilhão e no palco da quadra. As duas marcas, agora, vão coexistir”, disse.

Portela lança nova marca
O presidente da escola, Luiz Carlos Magalhães, a baluarte Tia Surica e a carnavalesca Rosa Magalhães (Foto: Rosayne Macedo)

Palavra do presidente – Luiz Carlos Magalhães

Alternativas à crise

“A questão da modernidade, temos 95 anos, vamos fazer 100 amanhã. Quando a gente menos esperar chega o centenário. E o centenário marca um novo tempo, é uma preparação para o novo tempo. Nós não sabemos o que vem por aí, o país atravessa uma crise, o estado atravessa uma crise, o município atravessa uma crise. Isso atinge muito o Carnaval”.

“No Carnaval passado foi uma verdadeira tortura fazer, a não ser que não queira ser campeão, mas o portelense quer isso. Então foi uma tortura chegar até o fim, colocar a escola inteira na rua, bonita, é muito difícil. Hoje a escola tem quase 25% o do seu projeto de Carnaval custeado pela escola. Queremos um pouco mais, talvez chegar a 30%, quem sabe, sem abrir mão das verbas públicas”.

Verbas públicas

“Temos consciência, a Portela e todas as escolas, como a Liesa, da importância das escolas para a cidade, para o estado, para o país, para a cultura brasileira. Mas não pode ser dependência exclusiva.  E tem que ter força para fazer exigiências, para colocar o Carnaval efetivamente como a maior festa brasileira”.

“(É preciso) Ter um cronograma quase que físico-financeiro, da necessidade de cada passo, de cada momento do ano, com uma correspondência de entrada de recurso. Não importa quanto é, mas é importante ter uma parcela, em julho, em agosto, em setembro. A Liesa se vira pra fazer, mas a verba pública, que é a principal, tem que colocar no orçamento essa periodicidade, aí vai ajudar muito”.

Internacionalização da marca

“O Carnaval é um sucesso no mundo inteiro. Estive agora em Tóquio (Japão) e vi de perto, ninguém me contou. Já estive em Sesimbra (Portugal) e vi a quantidade de escolas de samba que tem. As feijoadas, por exemplo, proliferam pelos hotéis chiques da Zona Sul e a Portela não ganha nada. A escola gera essa riqueza”.

“A Portela não quer muito, só quer justiça. Já que é a sua marca que alavanca isso tudo, ela quer contemplada com uma parte disso, para jogar no nosso Carnaval, nos nossos projetos sociais, para manter nossa quadra limpinha, com banheiros limpos, organizada, com segurança. Todo mundo ganha dinheiro com o Carnaval, com as escolas, menos as escolas”.

Mais competitividade em 2019

“Para 2019, a torcida portelense pode esperar competitividade. Nenhuma escola vence sem ser competitiva. Qualquer escola competitiva pode ganhar o Carnaval. O problema é o desfile pegar na veia, o samba ser maravilhoso, incendiar o nosso público. Isso é que faz a diferença. Bonitas todas são, muito bem preparadas todas são, todas têm samba bons, mas tem alguma coisa que faz a diferença”.

“No ano passado, a Portela ficou a dois décimos. No ano anterior, foi a campeã. Este ano temos um enredo maravilhoso, que vai na alma do portelense. Escolher o samba vai ser difícil para caramba. Que nós estejamos iluminados para escolher o melhor samba. Tudo isso nós vamos levar para a Avenida e o Carnaval da Rosa (Magalhães) que é desnecessário falar”.

Barracão da Portela

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