Por uma operação coordenada dos aeroportos do Rio | Diário do Porto

Artigo

Por uma operação coordenada dos aeroportos do Rio

Em artigo, Eduardo Eugenio Gouvêa Vieira, presidente da Firjan, defende que o aeroporto do Galeão não seja prejudicado na privatização do Santos Dumont

13 de julho de 2021


Firjan apoia fortalecer o hub aéreo no Galeão (foto: Agência Brasil / Marcos Gouvea)


Compartilhe essa notícia:


ARTIGO

Eduardo Eugenio Gouvêa Vieira

Eduardo Eugenio Gouvêa Vieira*

 

Em meados de 2022, o Governo Federal deverá concluir a concessão, para o setor privado, dos aeroportos hoje administrados pela Infraero. E a 7ª e última rodada de leilões inclui uma das chamadas “joias da coroa”: o Aeroporto Santos Dumont.

O leilão vai atrair novos investimentos, gerando desenvolvimento para o Estado. Mas é essencial que o modelo de concessão do Santos Dumont leve em conta a operação do Aeroporto Internacional Tom Jobim, o Galeão, e assim traga o máximo de benefício para a economia local.

Um crescimento descoordenado do Santos Dumont provocaria competição entre aeroportos da mesma cidade, colocando em risco a viabilidade do Galeão e do sistema como um todo.

Gerando mais de 17 mil empregos e com um amplo potencial de crescimento, o Galeão tem papel relevante na economia fluminense e no país. Foi concedido para a iniciativa privada em 2014, entre 2015 e 2019 gerou arrecadação de R$ 1,4 bilhão em impostos e já investiu R$ 2,4 bilhões na melhoria da infraestrutura.

A longo prazo, essa descoordenação entre os aeroportos é insustentável: provoca a perda de voos do Rio para outros estados e traz efeitos negativos à economia e à geração de empregos e renda.

Em 2018, o tráfego no sistema Galeão-Santos Dumont era de 24 milhões de passageiros/ano. Mas, segundo estudos internacionais, o funcionamento irrestrito de aeroportos que atendem a uma mesma área só pode ocorrer com 30 milhões a 35 milhões de passageiros/ano. Senão a concorrência acaba corroendo todo o sistema.

Hoje há concentração de 80% da oferta doméstica do Rio no Santos Dumont, e o Galeão sofre com pouca conectividade para retomar a malha internacional. O Rio está se transformando em alimentador de hubs vizinhos: cerca de metade dos assentos do Santos Dumont alimenta hubs como Brasília, Guarulhos (SP) e Confins (MG).

O município do Rio de Janeiro recebe cerca de 30% do total de turistas estrangeiros que visitam o Brasil. Trata-se do principal destino nacional, sendo uma importante porta de entrada para o país. A proximidade a outros municípios que também recebem elevado fluxo de turistas (como Angra dos Reis, Paraty, Cabo Frio e Armação dos Búzios) reforça o potencial de consolidação do Aeroporto do Galeão como hub de voos.

Há tempos a Firjan vem atuando fortemente em defesa do planejamento coordenado dos aeroportos do Rio. E desde o início deste ano articula a convergência de esforços entre os governos federal, estadual e municipal.

Nos reunimos com o presidente da República e ministros, com o governador Cláudio Castro e o prefeito Eduardo Paes. Entre nossas iniciativas, além da defesa da competitividade tributária para o Galeão atrair voos – que resultou na redução do ICMS sobre querosene de aviação – está a proposta, no documento “Rio Canteiro de Obras”, de implantação de um metrô leve ligando o Centro do Rio ao Aeroporto Internacional.

A operação coordenada dos dois aeroportos é uma prioridade para o desenvolvimento socioeconômico fluminense. Ao Galeão cabe a função de hub de voos comerciais (domésticos e internacionais). Já o Santos Dumont tem vocação para operar voos da aviação comercial regional, como a Ponte Aérea com São Paulo.

Com um fortalecimento harmônico dos nossos aeroportos, reforçamos nossa certeza: o Rio tem jeito!

*Eduardo Eugenio Gouvêa Vieira é presidente da Firjan (Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro)


LEIA TAMBÉM:

Sesc RJ Na Estrada vai ao Museu do Café, em Vassouras

O Villarino está voltando! Em agosto, reabre as portas

Sacrifício do Galeão é isca para vender 3 aeroportos de MG