Petrobras espera concluir venda de refinarias até o final de 2021


Petróleo e Gás

Petrobras espera concluir venda de refinarias até o final de 2021

Petrobras deixará de ser monopolista do setor à política de preços. Ações fazem parte do plano de desinvestimentos da companhia

4 de dezembro de 2020

Petrobras precisa vender as refinarias até o final de 2021 (André Motta/ Petrobras)

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A Petrobras espera concluir integralmente a venda das oito refinarias até o final de 2021. Hoje, a empresa tem 13 refinarias em seu portfólio, mas pretende chegar a 2025 com apenas cinco unidades, concentradas no Sudeste. A venda dos ativos simboliza a quebra de monopólio do setor, pois estimulará a competição no mercado interno de refino e, consequentemente, a formação de preço final.

De acordo com a diretora executiva de Downstream (segmento relacionado ao refino) do Instituto Brasileiro do Petróleo e Gás Natural (IBP), Valéria Lima, caso as vendas sejam bem sucedidas, o mercado será mais dinâmico e transparente. Ela considera o movimento uma segunda onda da Lei do Petróleo, que quebrou o monopólio de exploração e produção em 1997. A Rlam, na Bahia, que deverá ser a primeira refinaria a passar às mãos do setor privado, foi inaugurada em 1950.

Quando a Petrobras define a carga de petróleo que vai ser mandada para a refinaria, olha o abastecimento do mercado nacional. Mas quando entram outros agentes, o novo dono vai querer maximizar o valor do ativo e poderá ter sobras de produtos diferentes do que tem hoje, estimulando a exportação de derivados brasileiros.

“O Brasil é um grande exportador de petróleo e vai passar a ter uma dinâmica diferente na exportação e importação dos produtos”, diz, afastando qualquer risco de desabastecimento interno. “Com o mercado que o Brasil tem, não é vantagem exportar tudo, o mercado consumidor está ali do lado.”

Com mais operadores, maior será a concorrência no estabelecimento e a Petrobras se livraria de polêmicas relacionadas à tabela dos combustíveis. “Hoje a gente não sabe quanto ela (Petrobras) paga pelo petróleo das refinarias e, se você quiser vender, a lógica de mercado é dela. Mas, com inúmeros agentes, você vai ter clareza de quanto se paga pelo petróleo no Brasil, gera mais transparência”, afirma.

Negociações avançadas

Pelo menos três refinarias da estatal já estão com o processo de venda avançado, são elas: Rlam, da Bahia, Repar do Paraná e Refap, do Rio Grande do Sul, sendo a primeira a mais adiantada, com negociações sendo finalizadas com o fundo Mubadala Investment, de Abu Dabi. As outras duas receberão propostas vinculantes no próximo dia 10. Após a assinatura da venda, a estimativa da estatal é de que o processo de venda leve pelo menos nove meses para ser concretizado.


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