Petrobras confirma vazamento na Bacia de Campos

Mancha de óleo não chegou ao litoral, diz empresa. Novo presidente, Castello Branco diz que Rio pode ser uma nova Houston, a capital mundial do petróleo

O edifício sede da Petrobras, no centro do Rio
O edifício sede da Petrobras, no centro do Rio (Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil)

A Petrobras informou, em nota, que detectou uma mancha de óleo na Bacia de Campos, decorrente de vazamento de óleo em um dos tanques do FPSO Cidade do Rio de Janeiro (plataforma flutuante que produz, armazena e escoa petróleo e gás natural).

A empresa nega, no entanto, que o óleo vazado tenha chegado ao litoral do Rio de Janeiro. Segundo a estatal, “80% da mancha já foram reduzidos e não há qualquer possibilidade de que ela venha a atingir o litoral, uma vez que o restante encontra-se a 130 km da costa”.

A unidade, que é afretada pela companhia e operada pela Modec do Brasil, encontra-se fundeada no campo de Espadarte, a aproximadamente 130 km da costa de Macaé, no litoral norte do estado do Rio.

A Petrobras sustenta, ainda, que a plataforma “já se encontrava com a produção interrompida desde julho de 2018 para processo de descomissionamento (desativação da unidade)”.

De acordo com informações oficiais, “o Plano de Emergência foi imediatamente acionado por ambas as empresas [Petrobras e Modec] e medidas de controle da situação foram tomadas, cessando o vazamento”.

Três embarcações atuam na dispersão da mancha, cujo volume inicial foi estimado em 1,4 m³ de óleo (1.400 litros).

“Os órgãos reguladores foram devidamente informados e uma comissão de investigação irá apurar as causas do incidente em cooperação com a Modec”, conclui a nota.

Presidente diz que Rio pode ser Houston

O novo presidente da Petrobras, Roberto Castello Branco, disse ao tomar posse nesta quinta-feira que sua prioridade será fazer crescer a produção de petróleo no país. E que se dedicará também à produção de gás natural, um importante recurso cada vez mais utilizado pelos países, como a China.

Paulo Guedes cumprimenta o presidente da Petrobras, Roberto Castello Branco, na posse, no Rio
Paulo Guedes cumprimenta o presidente da Petrobras, Roberto Castello Branco, na posse, no Rio (Domingos Frazão/Agência Brasil)

“Eu sou muito otimista em relação ao gás natural. Não só a produção de gás natural no Brasil tende a aumentar muito e ter novas aplicações para ele. Como por exemplo, a China já usa gás liquefeito de petróleo para abastecer sua frota de caminhões. Já existem mais de 200 mil caminhões abastecidos por gás natural. Isto é mais barato, uma energia mais limpa e, no caso do Brasil, atenderá o interesse dos caminhoneiros e da indústria do transporte de cargas”, disse Castelo Branco.

A posse de Castello Branco foi na sede da Petrobras, no Centro. Na presença do ministro da Economia, Paulo Guedes, e do governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel, ele afirmou que o crescimento da companhia pode fazer o Rio de Janeiro se tornar uma nova Houston. É a cidade do estado americano do Texas conhecida como capital internacional da indústria do petróleo.

“Há um novo amanhecer no Brasil e na Petrobras para trazer um benefício para os acionistas e a sociedade brasileira. O crescimento da Petrobras pode beneficiar o Rio. O Rio pode ser uma nova Houston. Vamos ousar, respeitando as leis, as pessoas e o meio ambiente. Impossível é nada. Impossível é apenas uma palavra”, discursou.

Castello Branco prometeu preservar a saúde financeira da estatal e sua capacidade de investimentos, especialmente nos campos do pré-sal. Em relação à política de preços dos combustíveis, uma das principais fontes do endividamento da empresa, afirmou que deve manter o repasse das oscilações da cotação do petróleo no mercado internacional.

“Os precos devem atender à paridade internacional, com um sonoro não ao subsídio e à tentativa de exercer monopólio. A solidão no refino incomoda. Gostaríamos de ter outros players competindo com a Petrobras”, defendeu.

Castello Branco pregou também a busca por preços baixos, meritocracia, segurança no trabalho e proteção ao meio ambiente. “O importante é ser forte e não gigante. O foco é onde a Petrobras é dona natural do ativo. O foco são os grandes campos de petróleo em águas profundas e ultraprofundas. Vamos acelerar a produção de petróleo e as parcerias serão sempre bem vindas. Ser simples é o máximo da sofisticação”, simplificou.

Ele elogiou os dos mais recentes antecessores, Pedro Parente e Ivan Monteiro, afirmando que “dirigiram a empresa com normas de ética e de responsabilidade”. A Petrobras de hoje, segundo Castello Branco, é melhor do que a de 2015, mas há muito o que fazer. “Já fui conselheiro da empresa entre 2015 e 2016. Vi a Petrobras com crise moral e dívida. A primeira levou à segunda. E foi saqueada por políticos corruptos, empresas e um grupo pequeno de funcionários”, analisou. “A Petrobras escapou do rebaixamento, foi salva, mas tem muito a ser feito. Meu desejo e do governo é fazer da Petrobras uma campeã.”

(Com Agência Brasil)

 

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