Pesquisa inédita aponta os hábitos culturais dos cariocas | Diário do Porto

Cultura e Lazer

Pesquisa inédita aponta os hábitos culturais dos cariocas

Festa junina – e não o Carnaval como muitos pensavam – é a atividade cultural mais frequentada pelos cariocas. É o que revela a pesquisa Cultura nas Capitais, que será apresentada nesta segunda-feira (30), em evento no Museu do Amanhã

29 de julho de 2018


Em 4 anos sob a gestão do IDG, Museu do Amanhã chegou a 4 milhões de visitantes (Foto DiPo)


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Festa junina em clima de Copa
Festa junina no Biergarten: evento típica é maior diversão popular dos cariocas (Foto: Divulgação)

Que a cultura faz parte do DNA do carioca, muita gente já sabia. Mas uma pesquisa recém-lançada mostra que a população do Rio de Janeiro está entre as que mais participam de atividades culturais em 12 grandes capitais brasileiras. Entre as festas populares, as festasjuninas são as que tiveram maior citação de frequência pelos entrevistados (76%), à frente do Carnaval (21%). Os resultados da pesquisa Cultura nas Capitais, da JLeiva Cultura & Esporte, serão apresentados no Museu do Amanhã nesta segunda-feira (30), às 15h, na sétima edição do Plataforma 2018: Brasil do Amanhã’.

O estudo mostra que a população carioca é a segunda que mais vai ao cinema (junto de Curitiba e atrás de Porto Alegre) e a museus (atrás de Belo Horizonte e Curitiba) e está entre as quatro primeiras em seis das 12 categorias analisadas: leitura de livros, shows de música, festas populares, eventos de dança e teatro. O Theatro Municipal é o ponto mais conhecido (94%) e frequentado (42%) pela população. O segundo mais citado é o Museu do Amanhã (90%), mas perde na frequência para a Biblioteca Nacional, o Museu da República e o Museu Naval. O Museu de Arte do Rio de Janeiro (MAR) é o terceiro mais conhecido (79%), mas ocupa apenas a sexta posição em frequência.

Outros pontos culturais citados na entrevista são a Sala Cecília Meireles, o Museu Histórico Nacional, o Centro Cultural Cartola, o Museu da Vida, o Museu da Maré, o Museu Casa do Pontal, o Memorial dos Pretos Novos, o Museu Bispo do Rosário e o Museu de Arte Naif. Em ordem decrescente, as atividades de que os cariocas participam são leitura de livros (69%), ida ao cinema (68%), a shows musicais (49%), a festas populares (44%), a feiras de artesanato (39%), a bibliotecas (37%), a eventos de dança (36%), a museus (37%), ao teatro (33%), a circos (18%), a saraus (16%) e a concertos (11%).

Desafios para incrementar a economia da cultura

Além de detalhes das opções culturais dos moradores do Rio, o estudo mostra que o setor das artes e da cultura está entre os que tem o maior potencial de crescimento para os próximos anos, apesar da forte recessão e toda a incerteza do atual período. Diante deste cenário, o evento desta segunda-feira coloca em pauta os desafios nacionais para incrementar a economia da cultura como eixo de desenvolvimento estratégico para o Rio e para o Brasil.

Na segunda parte do encontro, que inicia com coquetel às 18h, haverá debate sobre atual cenário das artes e da cultura, reflexão sobre os atuais indicadores, tendências e propostas para ampliar a representatividade do setor na construção do país que queremos. O desafio é aproximar a produção cultural nacional dos anseios da sociedade brasileira e construir modelos de gestão e autofinanciamento mais compatíveis com a realidade de um país em constante transformação. A inscrição é gratuita.

João Leiva, do Instituto JLeiva Cultura e Esporte, falará sobre o comportamento cultural do brasileiro; Leandro Valiati, da UFRGS, tratará sobre dados macroeconômicos da cultura; Julianna Araujo, da VOID, abordará os novos modelos de produção cultural autossustentáveis; e Afonso Borges, da Filaraxá/Sempre um Papo, se dedicará aos novos tempos da produção cultural literária. Ricardo Piquet, diretor-presidente do Museu do Amanhã fará a abertura, e a mediação será de Cristina Aragão, diretora de Arte e Cultura da GloboNews.

Livro e plataforma digital e seminários

O maior levantamento sobre o tema já feito no Brasil analisa o comportamento cultural de moradores de 12 capitais brasileiras – Belém, Belo Horizonte, Brasília, Curitiba, Fortaleza, Manaus, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, Salvador, São Luís e São Paulo. Um universo de mais de 33 milhões de brasileiros a partir de 12 anos, segundo o IBGE. Entre 14 de junho e 27 de julho de 2017, o estudo ouviu 10.630 pessoas, sendo 1.522 moradores da cidade do Rio de Janeiro, sobre suas práticas culturais ao longo dos 12 meses anteriores.

Os dados detalhados e as principais conclusões da pesquisa estão compilados na publicação ‘Cultura nas Capitais: como 33 milhões de brasileiros consomem diversão e arte’, lançada no último dia 24. O livro contém 180 infográficos e análises assinadas por especialistas de 15 temas abrangidos pelo estudo: Tempo livre, Acesso e Prática, Educação, Renda, Gênero, Idade, Religião, Cor da Pele, Cultura e Tecnologia, Música, Artes Visuais, Artes Cênicas, Audiovisual, Políticas Públicas e Cidades.

Todas essas informações estão também disponíveis para acesso público e gratuito no site Cultura nas Capitais. A plataforma interativa permitirá ainda o cruzamento livre de dados compilados, servindo como importante ferramenta de análise para o usuário.

O projeto Cultura nas Capitais contempla ainda seminários em sete das capitais analisadas pela pesquisa. O primeiro foi realizado no dia 24, na Pinacoteca, em São Paulo. O segundo será nesta segunda (30), no Rio de Janeiro, e na quarta-feira (1º de agosto), a apresentação acontece em Brasília, no Centro Cultural Banco do Brasil. Na sequência, os seminários serão recebidos em Belém, em 9 de agosto, no SESC Boulevard; Salvador, 22 de agosto, no Teatro Gregório de Mattos; Curitiba, 29 de agosto, na Capela Santa Maria. Os detalhes do seminário de Manaus serão anunciados em breve.

Metodologia da pesquisa

O estudo procura entender como algumas variáveis demográficas, sociais, econômicas e comportamentais (sexo, idade, escolaridade, renda, estado conjugal, presença de filhos, cor e religião) influenciam a vida cultural da população, aproximando ou afastando os moradores do cinema, do teatro, do circo, de shows de música e de outras atividades culturais.

O questionário, com 55 perguntas, traçou um panorama dos hábitos culturais, apontando as atividades mais e menos praticadas. A pesquisa também explora a forma pela qual o brasileiro se relaciona com o audiovisual, as artes cênicas, as artes visuais e a música. Além de perguntas sobre as motivações e barreiras que aproximam e afastam as pessoas de algumas atividades, o estudo também traz questões que avaliam o impacto das novas tecnologias e a forma pela qual a população escolhe as suas atividades culturais.

Para melhor interpretar os resultados, a JLeiva Cultura & Esporte analisou as respostas utilizando um modelo de regressão – equações que estimam as relações entre as variáveis de uma pesquisa. O objetivo foi compreender com mais precisão o impacto de cada característica dos respondentes (como sexo, idade e religião) na frequência às atividades culturais. Com essa metodologia, conseguiu-se uma abordagem inédita sobre acesso à cultura no Brasil. No conjunto das 12 capitais, a margem de erro da pesquisa é de 1 ponto percentual, para mais ou para menos. Nos resultados de cada município, a margem varia de 2 a 4 pontos.

 

Plataforma 2018: Brasil do Amanhã vai discutir os hábitos culturais dos cariocas

Plataforma Brasil do Amanhã

De acordo com os organizadores, aPlataforma 2018: Brasil do Amanhã‘ é um movimento nacional pela qualidade do debate e pela defesa, promoção e desenvolvimento de agendas propositivas para o país. Intencionalmente organizada a um ano das eleições majoritárias, se propõe a desenvolver temas de interesse nacional, de maneira científica a partir de dados concretos, evidências ou constatações acadêmicas, com o objetivo de aprimorar o nível de informação, mobilização e engajamento social. Lançada no final de 2017, tem como principal objetivo aprimorar o nível de informação, engajamento social e mobilização no período que antecede o processo de representação democrática pelo voto.

Até as vésperas das eleições, acontece uma série de eventos em formatos específicos visando comunicar de forma eficiente, variada, inclusiva e apartidária os desafios e os compromissos necessários para a construção de um país melhor. A cada mês são realizados eventos temáticos no Auditório do Museu do Amanhã e transmitidos via streaming pelo site do Canal Futura. Todo o conteúdo produzido nos encontros fica documentado não apenas em vídeo mas também através do site www.brasildoamanha.org.br.

Até as vésperas das eleições, será organizada uma série de eventos visando comunicar de forma eficiente, inclusiva e apartidária os desafios e os compromissos necessários para a construção de um país melhor. O próximo encontro será sobre alimentação e está marcado para o dia 13 de agosto. Outros temas a ser abordados são respeito e representatividade da diversidade; energia; floresta; gestão pública; economia circular e novos modelos; educação.

Da Redação, com Assessorias