Pescadores retiram 200 toneladas de lixo da Baía de Guanabara | Diário do Porto


Sustentabilidade

Pescadores retiram 200 toneladas de lixo da Baía de Guanabara

Projeto Águas da Guanabara está contribuindo para limpar áreas degradadas do fundo da Baía, em Magé, com a participação de 108 pescadores

3 de agosto de 2022

Projeto ambiental Águas da Guanabara busca ajudar pescadores fluminenses (Foto: Águas da Guanabara/ Divulgação)

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O projeto ambiental Águas da Guanabara já retirou mais de 200 toneladas de lixo de praias e manguezais do fundo da Baía, na orla do município de Magé, desde fevereiro. A iniciativa é da Federação Estadual dos Pescadores do Rio de Janeiro (FEPERJ) que tem três objetivos: recolher a sujeira do mar, ajudar financeiramente os pescadores das áreas afetadas pela poluição, e educar ambientalmente as comunidades que vivem ao redor da Baía de Guanabara. 

No último mês, as análises da qualidade das águas da Baía de Guanabara tiveram a pior classificação, desde que o Instituto Estadual do Ambiente (INEA) começou a fazer esses estudos, em 2014. Todos os pontos monitorados apresentaram qualidade ruim ou péssima.

Diante desse cenário, Alberto Toledo, coordenador do Águas da Guanabara, diz se sentir realizado em estar colaborando para diminuir a degradação da Baía. “Me sinto feliz em ver não somente a melhoria do ambiente onde o pescador trabalha, mas a questão da educação ambiental e conscientização das comunidades ao entorno. É muito gratificante”, afirma. O projeto é mantido por recursos próprios da FEPERJ e tem o apoio do Governo do Estado e da Prefeitura de Magé.

Pescadores que participam do projeto relatam que já há uma melhora do ambiente, com a volta de camarões, peixes e caranguejos na região da praia de Mauá, em Magé. A bolsista do projeto, Ionne Chagas, afirma que os resultados são muito positivos. “Isto tem sido muito gratificante para mim, que amo e defendo a natureza. É motivo de orgulho saber que faço parte da construção de um futuro melhor. As novas gerações agradecerão.”


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Baía de Guanabara
Iniciativa conta com um total de 108 pescadores (Foto: Águas da Guanabara/ Divulgação)

Despoluição requer ações integradas na Baía de Guanabara

A Baía de Guanabara recebe cerca de 98 toneladas de lixo por dia, segundo dados da ABRELPE, associação de empresas do setor de limpeza pública. Para o ambientalista Sérgio Ricardo, coordenador do Baía Viva, a iniciativa projeto Águas da Guanabara, mas não está longe de resolver o problema da poluição da Baía.

“A iniciativa é relevante, porém a Baía recebe mais de 90 toneladas por dia de lixo. Para ser eficaz, ela deveria envolver dezenas de comunidades pesqueiras e ter cerca de 2 a 3 mil pescadores. Além disso, elas precisam ser integradas com outras ações, como a coleta seletiva do lixo, obrigatória desde 2010, mas que não é realizada, e também a melhoria do serviço de coleta do lixo humano nas periferias. Dessa forma, como está sendo feita atualmente, infelizmente é uma operação enxuga gelo”, explica Sérgio.

O presidente da Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental do Rio de Janeiro, Miguel Fernández, também diz que a situação não deve melhorar enquanto as ações não forem integradas. Para ele, a poluição só vai diminuir quando houver um tratamento de esgoto adequado e eficiente.


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