Pesca ilegal de camarão ameaça Baía de Guanabara | Diário do Porto


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Pesca ilegal de camarão ameaça Baía de Guanabara

Fiscais apreenderam 7 redes ilegais. Para cada quilo de camarão pescado por arrastão, são capturados 5 quilos de peixes ainda em desenvolvimento

11 de novembro de 2019

Fiscais fizeram apreensão de redes de arrastão na Baía de Guanabara (foto: divulgação)

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Sete redes de arrasto foram apreendidas neste ano pelos fiscais que vistoriam a zona de exclusão de pesca nos fundos da Baía de Guanabara, nas proximidades da APA (Área de Proteção Ambiental) de Guapimirim.

Segundo os fiscais, as redes são usadas principalmente para a pesca ilegal do camarão, cujo impacto destrutivo contra a biodiversidade é imenso. Para cada quilo de camarão retirado das redes, cerca de 5 quilos de outros peixes são mortos, a maior parte ainda em estágio de desenvolvimento.

As informações foram publicadas na página da APA de Guapimirim no Facebook. A pesca de arrastão é descrita como a terceira maior causa de perda de biodiversidade na Baía, atrás da poluição causada pelos esgotos e do despejo de lixo.

A maior parte dos camarões pescados atualmente na Baía é de origem ilegal, pois quase nenhum pescador tem licença para essa atividade. A pesca com redes de arrastão é proibida também nas proximidades das ilhas de Paquetá, Brocoió e Pancaraiba. O mesmo ocorre na zona de amortecimento da Estação Ecológica da Guanabara.

A fiscalização na área de exclusão da APA de Guapimirim é feita com duas embarcações e duas equipes. Os fiscais também colaboram com a Polícia Ambiental da Polícia Militar, o Ibama e o Inea, que são os órgãos responsáveis por atuar em todas as áreas da Baía.


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A APA de Guapimirim, que completou 35 anos em setembro, nasceu da luta de ambientalistas e da comunidade científica contra o desenvolvimento predatório. Desde 1984, a APA protege os últimos remanescentes de manguezais naturais na região leste dos fundos da Baía de Guanabara, que abrange parte dos municípios de Magé, Guapimirim, Itaboraí e São Gonçalo.

Estudos realizados desde 2008, revelam a existência de 242 espécies de aves, 167 espécies de peixes (sendo 81 marinhos e 86 fluviais), 34 espécies de répteis e 32 espécies de mamíferos, que habitam o mangue, as florestas alagadas, os rios e o mar do fundo da Baía.

Segundo os pesquisadores, a espécie mais ameaçada é o boto-cinza, com pouco mais de 30 animais restantes, e em grande risco de extinção. Outros animais que também estão em vias de desaparecer são o gato mourisco (espécie de felino de pequeno porte), a lontra e aves como o pato-do-mato, a biguatinga e outras espécies migratórias do hemisfério norte.


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