Personalidades negras dão nomes a ruas na Pequena África | Diário do Porto


História

Personalidades negras dão nomes a ruas na Pequena África

Na semana da Consciência Negra, novas vias criadas após a revitalização da Região Portuária homenageiam importantes figuras negras da cidade e do Brasil

19 de novembro de 2021

Ruas da Pequena África ganham nomes de personalidades da cultura e da história negra no Rio e no Brasil (Foto: Alexandre Macieira/Riotur)

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Na véspera do Dia da Consciência Negra, a Prefeitura do Riopublicou Decreto que homenageia quatro personalidades negras com nomes de ruas na Região Portuária do Rio. Tia Ciata, Dodô da Portela, Tia Lúcia e Milton Santos agora estampam esquinas e endereços no Porto. A região, também conhecida como Pequena África, concentra diversos pontos importantes na celebração das vivências negras e história afro-brasileira.

As vias não existiam antes da Operação Urbana Porto Maravilha. Foram criadas após a revitalização da área e até ontem tinham nomes provisórios. Além destas, uma quinta rua, no Santo Cristo, recebe o nome Rua Ilha das Moças, em referência à ilha que existia no local quando ainda era parte da Baía de Guanabara, antes da área ser aterrada e ter a configuração atual.

A ação é uma parceria entre a Companhia de Desenvolvimento Urbano da Região do Porto do Rio de Janeiro (Cdurp) e a Secretaria Municipal de Planejamento Urbano (SMPU), em conjunto com à Coordenadoria Executiva de Promoção da Igualdade Racial da Prefeitura do Rio (Cepir) e compõe o calendário de celebração do mês da Consciência Negra.


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Quatro personalidades negras maravilhosas

Tia Ciata: Hilária Batista de Almeida, conhecida como Tia Ciata, ficou marcada como uma das principais percursoras da cultura negra nas nascentes favelas cariocas e considerada por muitos historiadores como uma das figuras mais influentes para o surgimento do samba carioca. Tia Ciata tornou-se símbolo da resistência negra no Brasil pós-abolição e uma das principais incentivadoras do samba depois de abrir as portas de sua casa para reuniões de sambistas pioneiros quando a prática ainda era proibida por lei.

Tia Ciata (divulgação/Cdurp)

Dodô da Portela: Maria das Dores Alves Rodrigues – a Dodô da Portela – foi uma ícone do Carnaval carioca até seu falecimento em 2015 aos 95 anos. Moradora ilustre do Morro da Providência, Dodô recebeu dois Estandartes de Ouro e participou da conquista de onze campeonatos como primeira porta-bandeira da Portela. Após deixar o posto, continuou desfilando pela escola, no período em que a Portela foi campeã mais dez vezes.

Dodõ da Portela (divulgação/Cdurp)

Tia Lúcia: Lúcia Maria dos Santos – a Tia Lúcia, como era conhecida na Região Portuária – foi um ícone do Porto Maravilha que deixou um legado de luta, arte e admiração. Mulher, negra, artista, e representatividade das ruas da Saúde, Gamboa e Santo Cristo. A griô, guardiã da cultura e ancestralidade, deixou obras expostas por toda a cidade, em especial pela Região Portuária. Tem trabalhos expostos no Instituto de Pesquisa e Memória dos Pretos Novos (IPN), no Museu de Arte do Rio (MAR) e no Centro Cultural José Bonifácio (CCJB). Ela também foi tema e referência para outros artistas. Sua imagem está gravada na escadaria de acesso ao Morro da Conceição, obra de arte a céu aberto na Travessa do Liceu, por trás do Edifício A Noite, e em mural em frente ao badalado Largo de São Francisco da Prainha. Tia Lúcia foi a homenageada na primeira exposição no Pequeno Museu Carioca, a nova invenção de Raphael Vidal, criador da Casa Porto e do Bafo da Prainha, este último eleito pelo prêmio Comer & Beber da “Veja Rio” o melhor botequim do Rio.

Tia Lúcia (divulgação/Cdurp)

Milton Santos: Milton Almeida dos Santos é considerado o maior geógrafo brasileiro. Recebeu em 1994 o prêmio Vautrin Lud, a maior honraria da geografia mundial. Ganhou o mundo com seus estudos sobre urbanização em cidades de países emergentes. Além de geógrafo, Milton foi escritor, cientista, jornalista, advogado e professor. Foi preso pela Ditadura Militar. Solto, buscou exílio na França onde deu aulas em universidades como a Sorbonne, em Paris.

Mílton Santos (CEB/UFG)