Pequena África deve ganhar circuito histórico e arqueológico

Projeto foi aprovado na Alerj e agora só depende da sanção do governador Luiz Fernando Pezão. Além de visitar espaços como o Cais do Valongo, podem ser contempladas ainda as ilhas da Baía de Guanabara, que serviram de lugar de quarentena e depósito de cativos africanos

A Região Portuária e o Centro Histórico do Rio de Janeiro podem ganhar o Circuito Histórico e Arqueológico da Pequena África. É o que propõe o projeto de lei 4.054/18, dos deputados Wanderson Nogueira (PSol) e Waldeck Carneiro (PT), aprovado, em segunda discussão, pela Assembleia Legislativa do Estado (Alerj) na última quarta-feira (5). O texto seguirá para o governador Luiz Fernando Pezão, que terá 15 dias úteis para decidir pela sanção ou veto.

O projeto tem como objetivo incentivar a criação de circuitos que passem pelo trajeto da diáspora africana no estado, para a realização de atividades de caráter científico, educacional, social, econômico e turístico. O circuito deverá contemplar áreas, espaços, paisagens, personagens históricos, roteiros e qualquer outro elemento que retrate a cultura de matriz africana e dos afrodescendentes presentes ou ainda a serem identificados.

Hoje, alguns historiadores já exploram esse circuito, como opção cultural. É o caso do projeto Rotas Culturais que o DIÁRIO DO PORTO acompanhou, tendo como ponto alto a visita ao Cais do Valongo, os Jardins Suspensos do Valongo, onde fica o último mercado de escravos da região, a Pedra do Sal (único quilombo urbano do Rio) e também ao Instituto Pretos Novos, entre outros pontos de referência.

Podem ser contempladas ainda as ilhas da Baía de Guanabara, que serviram de lugar de quarentena e depósito de cativos africanos, junto com municípios atravessados pelas rotas internas por onde passavam os escravos. Antigos portos, mercados de escravos, cemitérios, igrejas, irmandades, antigas propriedades rurais, vilarejos e demais lugares identificados como ponto de chegada e dispersão da população africana e seus descendentes no período da escravidão no Brasil estarão inclusos no roteiro.

Quilombos e áreas doadas a grupos ou famílias de ex-cativos também poderão fazer parte. “A criação do circuito representa um ato de reconhecimento, respeito e reparação com a memória e a cultura de matriz africana que se constituiu no Estado do Rio de Janeiro. As possibilidades culturais e educativas que surgem dessa medida são inúmeras”, argumentam os deputados.

Fonte: Alerj, com Redação

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