Pênaltis encerram uma era para as mulheres no futebol brasileiro | Diário do Porto


Nas esquinas de Tóquio

Pênaltis encerram uma era para as mulheres no futebol brasileiro

Derrota nos pênaltis para canadensese encerra uma era no futebol feminino do Brasil. Apesar da evolução, futuro da modalidade é incerto

30 de julho de 2021

Depois de sete Olimpíadas, Formiga dá adeus sem um ouro no peito (Sam Robles/CBF)

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Nas esquinas de Tóquio

Vicente Dattoli

Quando terminou a fase de grupos e o emparelhamento determinou o Canadá como adversário do Brasil no futebol feminino nas OIimpíadas de Tóquio, vários dos “entendidos” do esporte afirmaram que o caminho para a medalha estava aberto. Principalmente na televisão, as narradoras e comentaristas fizeram os torcedores acreditarem que as canadenses seriam presas fáceis.

Por não acompanharem com a necessária proximidade, diziam que o Brasil enfrentara quatro vezes o Canadá com a nova treinadora e não perdera. Verdade. Foram quatro jogos, com duas vitórias e dois empates – reparem, duas vitórias e dois empates. Jamais jogos fáceis.

Só que, como não acompanham e valem-se dos modismos para terem espaços, esqueceram de dizer que as mulheres têm enorme espaço no futebol no Canadá. Como, aliás, também nos Estados Unidos, modelo que eles seguem. Seria interessante não esquecerem que o Canadá já recebeu, até, uma Copa do Mundo feminina.

Nesta sexta-feira, o Brasil realizou um jogo sofrível. O 0 a 0 nos 90 minutos e na prorrogação seriam até previsíveis. Faltava o Brasil ser Brasil. E não adianta falar em falta de apoio, em superação, nada disso. É a nossa realidade e ponto final. Nos pênaltis, a goleira Bárbara, tão criticada, pegou logo a primeira cobrança. Seria interessante, inclusive, que algumas de suas críticas pedissem perdão.


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Futuro incerto

A vantagem, espetacular, colocou pressão nas canadenses. Com três cobranças para cada lado, estava 3 a 2 para o Brasil. Perdemos, porém, as duas cobranças finais. E, claro, vieram as lamentações de sempre. Chegaram a falar na diversidade da comissão técnica – e percebam a incoerência, na diversidade, um mau resultado. O pior dos últimos tempos.

A eliminação para o Canadá, porém, mais do que tirar as chances de uma medalha em Tóquio, encerra uma era, um ciclo, na seleção feminina. Formiga, veterana de sete Olimpíadas, estreeou em Atlanta-96, já disse que deu adeus. Marta, a “Pelé” do futebol feminino, apesar de deixar a dúvida no ar, perdeu aquela que talvez seja sua última chance de ganhar olímpico, competição que no Brasil atrai atenção até maior até que as Copas do Mundo da modalidade.

Agora, é trabalhar, trabalhar e trabalhar. E acabar com esse discurso fácil de que tudo depende apenas de apoio, investimento e diversidade. É o conjunto de tudo isso que levará, algum dia, às con

quistas. Lembrando, por fim, que com tudo errado desde sempre, o Brasil é um dos três países que participou, até hoje, de todos os Jogos Olímpicos nos quais houve o torneio feminino de futebol.

E bateu na trave, inclusive prejudicado pela arbitragem, de levar o ouro. Desta vez, nada.


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