Patrulha Ambiental quer salvar jacarés dos humanos na Barra | Diário do Porto


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Patrulha Ambiental quer salvar jacarés dos humanos na Barra

Jacarés estão sendo mortos pela ação de pescadores e caçadores ilegais. Comissão da Alerj discute a degradação ambiental causada pelos esgotos irregulares

21 de outubro de 2019

Os jacarés-de-papo-amarelo são animais naturais das lagoas de Jacarepaguá e da Barra (foto: Instituto Jacaré)

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A fauna das lagoas de Jacarepaguá e da Barra está ameaçada também pela caça e pesca predatórias, além da poluição causada pelo crescimento urbano desordenado e pela falta de saneamento básico. Na semana passada, agentes da Patrulha Ambiental encontraram um jacaré morto a tiros durante vistoria na Lagoa de Marapendi.

A Patrulha é um órgão da Secretaria Municipal de Meio Ambiente (SMAC), e a vistoria foi causada por denúncias de que pescadores que usam redes, prática proibida, estariam matando os jacarés. Para lançarem as redes, os pescadores entram dentro das águas da lagoa, expondo-se aos animais.

As denúncias sobre mortes de jacarés e também de capivaras acontecem pelo menos desde o ano passado, quando ambientalistas começaram a relatar o encontro de carcaças na região.

Para coibir a ação dos pescadores ilegais, a Patrulha Ambiental solicitou o apoio dos policiais da Delegacia de Proteção ao Meio Ambiente. Já a deterioração pelo lançamento irregular de esgotos foi discutida durante audiência pública da Comissão para o Cumprimento das Leis (Cumpra-se) da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), na última sexta-feita (18/10).

Na audiência, o biólogo e pesquisador Mario Moscatelli fez uma exposição sobre a degradação ambiental do sistema lagunar e alertou que o Rio de Janeiro parece ainda manter uma visão da época colonial, de uso dos recursos naturais até o seu esgotamento.

“Passados os séculos, os problemas são os mesmos. Com isso, as consequências sofridas hoje vão além das ambientais. A economia e a saúde pública também são diretamente afetadas. Sem contar o efeito devastador na fauna”, disse Moscatelli.


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Para buscar uma solução definitiva contra os despejos irregulares de esgoto, o Ministério Público Estadual negocia um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) estabelecendo obrigações de curto prazo com a Cedae, empresa de saneamento do Estado. Uma constante reclamação dos moradores da região da Barra e Jacarepaguá é que a taxa pela rede de esgotos é cobrada, embora o serviço não seja prestado com qualidade.

O subsecretário de Saneamento Ambiental do Estado do Rio, Omar Kirchmeyer, disse na audiência pública da Alerj que algumas ações paliativas estão em andamento, para tentar diminuir o problema da degradação do sistema de lagoas. Entre elas, a instalação de mais 4 ecobarreiras para retenção de resíduos sólidos, além da contratação de barcos para remoção de lixo.

O complexo lagunar de Jacarepaguá e da Barra da Tijuca é formado por três lagoas principais: Tijuca, Jacarepaguá e Marapendi, e a de Camorim, situada entre as lagoas da Tijuca e de Jacarepaguá.

A Lagoa de Marapendi vem se recuperando lentamente após a conclusão do emissário submarino da Barra. Ainda é considerada imprópria para banho e para a pesca, porém ambas as atividades são praticadas em suas águas. Suas margens fazem parte da Reserva do Marapendi, criada em 1991,  e servem de abrigo a diversas espécies nativas, como o jacaré-de-papo-amarelo, cujos indivíduos adultos têm em média 2 m de comprimento.


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