Patrimônios do Rio recebem R$ 3 milhões em doações internacionais | Diário do Porto


Cidadania

Patrimônios do Rio recebem R$ 3 milhões em doações internacionais

Enquanto isso quase não há doações de empresas ou pessoas físicas brasileiras. Para pesquisadora, isso ocorre por falta de confiança no governo e em ONGs

27 de maio de 2019

Cais do Valongo. (Foto: Marcos de Paula/Prefeitura do Rio)

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Doações feitas pelos governos e por entidades da Alemanha, Inglaterra e EUA já chegam a quase R$ 3 milhões para obras de recuperação do Cais do Valongo, no Porto Maravilha, e do Museu Nacional, em São Cristóvão.

As obras do Cais do Valongo, com custos estimados em R$ 2 milhões, estão sendo executadas pela Prefeitura do Rio graças a recursos do Fundo de Embaixadores dos EUA para a Preservação Cultural. Esse fundo foi criado pelo governo americano em 2001 e destinou mais de US$ 50 milhões para preservação de patrimônio em 125 países.

No Museu Nacional, destruído por um incêndio em setembro do ano passado, do cerca de R$ 1,1 milhão arrecadado para sua reconstrução, R$ 800 mil vieram do governo alemão e R$ 150 mil do consulado da Inglaterra. Há a expectativa de que a Alemanha poderá aportar mais, elevando o total para R$ 4,4 milhões.

Nos dois casos fica evidente que são quase ausentes doações de empresas ou de pessoas físicas brasileiras. Mais uma vez, é possível comparar com o esforço na França para a reconstrução da Catedral de Notre Dame, que, horas depois de ter sofrido um incêndio em abril passado, recebeu R$ 878 milhões do grupo LVMH (Louis Vuitton Moet Hennessy) e R$ 439 milhões da família Pinault, controladora da Gucci.


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Segundo Micheli Umebayashi, mestre em Gestão Internacional, os brasileiros realizam poucas doações para caridade ou para a recuperação de patrimônio público por não confiarem no governo ou nas organizações não-governamentais. Além disso, desconhecem os mecanismos de incentivo fiscal para ações de filantropia.

De acordo com suas pesquisas, os brasileiros associam governo e ONGs à lavagem de dinheiro e esquemas de corrupção, faltando aos dois setores transparência na gestão dos recursos.

O Cais do Valongo, no Porto Maravilha, foi declarado Patrimônio Histórico da Humanidade em 2017, por ser um dos mais importantes sítios da memória da escravidão.

O Museu Nacional fica no prédio que, após 1808, serviu de moradia para a Família Real portuguesa e depois para a Família Imperial brasileira. Ainda não há um consenso sobre o quanto irá custar sua restauração. Até agora, não foi feita a licitação para a empresa que irá executar as obras definitivas.