Pandemia fecha igreja histórica do Porto | Diário do Porto

História

Pandemia fecha igreja histórica do Porto

Patrimônio do século XVII, Igreja de São Francisco da Prainha, na Saúde, está fechada desde o começo da pandemia e não tem data para reabertura

6 de outubro de 2021


Há meses fechada, igreja do Século XVII testemunha da história da Região Portuária não tem data para reabrir (DIÁRIO DO PORTO)


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Chico Silva

Uma das cinco igrejas mais antigas do Rio de Janeiro, a São Francisco da Prainha, localizada na Saúde bem próxima à Praça Mauá, está fechada desde o começo da pandemia. E segundo seu mantenedor, a Ordem Terceira de São Francisco da Penitência, ainda não há previsão para reabertura deste patrimônio da cidade erguido no século XVII. Engenheiro e administrador da Ordem, Carlos Alberto Pinheiro alega que a pandemia não permitiu a reabertura segura para funcionários e frequentadores da igreja, que também é sede do Museu Sacro São Francisco da Prainha.

“A igreja é também sede do Museu Sacro de São Francisco da Prainha, com registro inclusive no Instituto Brasileiro de Museus (Ibram). Nosso interesse como Franciscanos é divulgar essa maravilhosa obra. Mas infelizmente a pandemia não nos permitiu reabrir e inclui-lo no Roteiro de Museus para visitação dos escolas públicas e privadas com convênios com a Prefeitura e instituições mantenedoras em geral”, disse Pinheiro em mensagem de texto enviada à reportagem do DIÁRIO DO PORTO.

Na mesma mensagem, o administrador informou que no próximo dia 18 anunciaria às medidas que a Ordem tomará para reabertura da histórica igreja, mas sem confirmar prazos ou possível data para reabertura. Pinheiro preferiu não responder se a Ordem buscou recursos para adaptar a igreja às normas sanitárias determinadas pelas autoridades de saúde por meio de editais ou programas de apoio à Cultura na pandemia, como Lei Aldir Blanc, do Governo Federal, ou Fomento à Cultura Carioca (FOCA) da Prefeitura do Rio. Tanto museus como igrejas estão com as portas abertas no Rio, apenas com limitação de público para respeitar o distanciamento social e a obrigatoriedade de uso de máscara e álcool gel.


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Patrimônio com mais de 300 anos de história

Construída em 1696 pelo padre Francisco da Motta, a Igreja de São Francisco da Prainha foi doada em testamento em 1704 para a Ordem Terceira de São Francisco da Penitência. Poucos anos depois, foi inteiramente destruída durante a Invasão Francesa no Rio. Em 1710, as tropas de Jean-François Duclerc estavam encurraladas entre a capela e o trapiche (armazém próximo ao cais para depósito e guarda de mercadorias) de propriedade da Ordem. Para forçar a rendição do inimigo, o então Governador-Geral do Rio, Castro Morais, ordenou o incêndio e destruição dos dois prédios. Tudo ficou em ruínas até que a Ordem mandou reedificar o trapiche, à época o mais importante da cidade.

A igreja como conhecemos hoje foi restaurada e entregue à comunidade em 1740. Do adro onde está fincada, no começo da avenida Sacadura Cabral e a poucas centenas de metros da Praça Mauá, a simpática igrejinha foi testemunha de um dos mais trágicos e brutais episódios da história humana, a chegada dos navios negreiros que trouxeram ao Brasil mais de um milhões de africanos, o que fez do Cais do Valongo o maior porto de escravos do mundo no século XIX.

Em 2014, a igreja foi completamente restaurada com recursos do Porto Maravilha Cultural, iniciativa coordenada pela Companhia de Desenvolvimento Urbano da Região do Porto do Rio de Janeiro (Cdurp). O programa investe 3% dos Certificados de Potencial Adicional de Construção (Cepacs), títulos públicos emitidos pela Prefeitura do Rio que financiaram a Operação Urbana que criou o Porto Maravilha, na valorização do patrimônio material e imaterial local. O custo da reforma foi de R$ 4,3 milhões.

Imagem de Santo Antônio no canto da porta da Igreja de São Francisco da Prainha (DIÀRIO DO PORTO)