Diário do Porto

Passageiros de ônibus, metrô e trens do Rio poderão ser multados por ouvir música sem fones de ouvido

Imagem feita com IA mostra um passageiro em pé no corredor central do ônibus ouvindo música enquanto usa o celular. Passageiros o observam irritados, e ele os ignora.

Imagem feita com IA mostra um passageiro em pé no corredor central do ônibus ouvindo música enquanto usa o celular. Passageiros o observam irritados, e ele os ignora.

A Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) aprovou, nesta quarta-feira (13/08), em primeira votação, o Projeto de Lei 2.026/23, que proíbe o uso de aparelhos sonoros sem fones de ouvido nos transportes coletivos intermunicipais do estado. A proposta, de autoria do deputado Renato Machado (PT), visa melhorar a qualidade das viagens para os passageiros, promovendo um ambiente mais confortável e respeitoso, especialmente em horários de pico.

Se aprovado em segunda votação e sancionado pelo governador, o projeto prevê que quem descumprir a regra será advertido e poderá pagar uma multa de até 200 UFIR-RJ, o equivalente a cerca de R\$ 950. Em caso de reincidência, o valor da multa dobra. Além disso, o infrator poderá ser convidado a se retirar do transporte, e caso se recuse, o condutor poderá acionar a polícia.

Alvo: transporte coletivo intermunicipal

A nova lei se aplicará a uma ampla variedade de transportes coletivos intermunicipais, incluindo ônibus, micro-ônibus, vans, catamarãs, lanchas, barcas, balsas, metrôs, VLTs, trens e outros veículos similares. No entanto, os artistas de rua, que realizam apresentações dentro dos veículos, ficam de fora da proibição, garantindo que sua arte não seja afetada pela medida.

O objetivo principal do projeto é garantir que os passageiros possam viajar em um ambiente mais tranquilo, sem o incômodo do som alto vindo de aparelhos de celular e caixas de som. Segundo o deputado Renato Machado, o projeto tem como base a experiência de legislações similares, como a lei municipal já existente na capital fluminense e normas adotadas em cidades como São Gonçalo e até em outros estados, como a Bahia. A ideia é adaptar essas práticas ao contexto dos transportes intermunicipais do Rio de Janeiro, equilibrando os direitos individuais com o bem-estar coletivo.

Fiscalização e alertas nos veículos

Para garantir o cumprimento da nova regra, os veículos de transporte coletivo deverão exibir avisos claros com a seguinte frase: “É proibido o uso de aparelhos sonoros ou musicais no interior deste transporte, sem a utilização de fones de ouvido, sob pena de retirada do infrator e multa, conforme Lei Estadual”.

A fiscalização ficará a cargo da Agência de Regulação dos Serviços Públicos do Estado do Rio de Janeiro (Agestransp), que poderá firmar convênios com outros órgãos para reforçar a aplicação da lei. Além disso, a Agestransp manterá um registro de infrações para identificar e penalizar reincidentes, buscando garantir que as viagens sejam mais agradáveis para todos os usuários do transporte coletivo.

Mudança de hábito ou excesso de controle?

Embora a proposta tenha como principal objetivo melhorar a convivência nos transportes públicos, ela também gerou debates sobre os limites do controle nas ações individuais dos passageiros. Para alguns, a medida é uma forma de garantir que todos possam ter uma experiência mais tranquila no transporte público. Para outros, a imposição de regras desse tipo pode ser vista como um excesso de regulamentação.

O projeto ainda passará por uma segunda votação na Alerj, onde poderá ser alterado ou aprovado como está. Caso a proposta seja sancionada, ela se junta a outras iniciativas no estado e em municípios vizinhos para tornar o transporte coletivo mais civilizado e acessível.


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