Para ler na rede

Para ler na rede, clássicos em novos tempos

Os livros “Por que ler os clássicos” e “Sidarta” são as sugestões da coluna Para Ler Na Rede para começar um ano leve e divertido

30 de dezembro de 2019
A vida de Buda inpirou clássico de Herman Hesse (Deposit Photos)

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Para ler na rede

Olga de Mello

Olga de Mello

Dois mil e dezenove foi um ano tão atípico – até o verão carioca custou a dar as caras – que nada melhor do que encerrá-lo reencontrando leituras “clássicas”. Segundo Italo Calvino, os clássicos são aqueles livros que geralmente estão sendo relidos. Isso, explica Calvino no início de Por que ler os clássicos (Companhia das Letras, R$ 30,90), acontece pelo menos quem se considera “grande leitor” e não se aplica aos jovens, que vivem a idade em que “o encontro com o mundo e com os clássicos como parte do mundo vale exatamente enquanto primeiro encontro”. Mais adiante, ele acrescenta que a releitura de um clássico na maturidade é tão empolgante como sua leitura na juventude. Essa seria uma das definições de clássico.

Livro Por que ler os clássicos

Muitos especialistas apontam novos livros como “clássicos modernos”, desprezando, talvez, a necessária distância histórica mínima de 50 anos desde o lançamento para consagrar um título. Afinal, há autores que entram e saem de moda como bebidas alcoólicas. Gim, que era popular nos anos 1960, acaba de ser redescoberto. O mesmo pode acontecer com o Prêmio Nobel de Literatura de 1946, Herman Hesse, que já foi o queridinho da contracultura nas décadas de 1960 e 1970, e que, na primeira metade do século XX, apresentou o Zen Budismo ao Ocidente.

Livro Sidarta

Romântico, espiritualista e um mestre da criação literária, o alemão de nascimento – e suíço por naturalização – esse popularizou o pensamento oriental através de práticas como a meditação e o jejum em diversas obras, entre elas Sidarta (Record, R$ 71,90). A visão de Hesse sobre a trajetória do Buda, da juventude privilegiada até a maturidade, quando encontra na simplicidade a fórmula do bem viver, é habilmente traçada por Hesse, sem oferecer certezas para as dúvidas existenciais. A leitura dessa anti-autoajuda, que ganhou uma belíssima nova edição com capa dura coberta de mandalas em dourado, pode ajudar quem busca compreender os estranhos rumos do planeta, onde a incerteza, a barbárie e a desigualdade assomam tristemente, sem sepultar, no entanto, a esperança de
tempos menos obscuros.

Que 2020 seja mais leve e divertido!