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Paes diz que ministro prejudica o Rio e beneficia SP

Prefeito do Rio, Eduardo Paes, afirma que Tarcísio de Freitas está prejudicando o Galeão e fortalecendo Guarulhos, na privatização do Santos Dumont

9 de dezembro de 2021

Paes afirma que pode ir até o "limite do limite" para defender Galeão (reprodução da CNN)

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Texto atualizado às 18h20

O prefeito Eduardo Paes acusou o ministro da Infraestrutura, Tarcísio de Freitas, de estar prejudicando o Rio para beneficiar sua candidatura ao Governo de São Paulo. Isso estaria ocorrendo por meio das iniciativas que enfraquecem o Aeroporto Internacional do Galeão e fortalecem o aeroporto paulista de Guarulhos.

No entender de Paes, o ministro está agindo dessa forma no processo de privatização do aeroporto Santos Dumont, cujo edital de leilão prevê a expansão de suas operações. O prefeito é contrário a esse crescimento e exige que a maior parte dos voos desse aeroporto seja transferida para o Galeão, de forma a consolidar no Rio um hub aéreo internacional. Sem esse hub, quem ganha são os aeroportos de outros Estados, principalmente o de Guarulhos.

“Com todo respeito, ou restringem os voos no Santos Dumont ou acabam com o Galeão. O ministro tem todo direito a ser candidato a governador em SP, mas não é correto usar o cargo para prejudicar o Rio favorecendo Guarulhos. Tem outras formas de ganhar seus votos. O resto aí é enrolação”, publicou o prefeito em sua conta no Twitter.

O DIÁRIO DO PORTO solicitou à assessoria do ministro Tarcísio de Freitas uma resposta às acusações de Eduardo Paes. A assessoria enviou uma nota em que diz que o edital ainda está sendo elaborado, sem um posicionamento direto do ministro sobre as declarações do prefeito. Um dos trechos da nota diz que “O Ministério da Infraestrutura segue em diálogo constante com o governo estadual e a prefeitura do Rio, parlamentares e setor produtivo, para que o Rio de Janeiro supere seus graves problemas socioeconômicos. Situação agravada pela pandemia de covid-19 e que se reflete na movimentação de passageiros, especialmente no Galeão, que se recupera em ritmo mais lento do que o Santos Dumont e outros terminais aéreos do país”. Veja ao final da reportagem a íntegra da resposta do Ministério.

Paes tem o apoio do presidente da Alerj

Paes chama de enrolação o aceno do Ministério da Infraestrutura para uma possível construção de linha de metrô até o Galeão. Ele também não aceita a promessa de um adiamento na expansão do Santos Dumont.

A opinião do prefeito é compartilhada pelo presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), André Ceciliano. Ambos concordam com a privatização do Santos Dumont, mas querem que esse aeroporto seja limitado a voos de no máximo 500 km, com exceção das linhas para Brasília.

Isso levaria a maior parte das operações atuais para o Galeão, aumentando as conexões nacionais e alimentando as rotas para o exterior. Com isso os passageiros com origem e destino ao Rio não precisariam mais fazer conexões em outros Estados e, ao mesmo tempo, aumentariam as operações de exportação e importação de bens pelo Galeão. Ambas as medidas trariam benefícios diretos para toda a economia do Estado.

Íntegra da nota do Ministério da Infraestrutura ao DIÁRIO DO PORTO:

O Governo Federal está prestes a finalizar o debate sobre o formato da 7ª rodada de concessões aeroportuárias, a ser realizada no primeiro semestre de 2022. As contribuições colhidas durante o período de consulta pública foram consolidadas e passarão, em breve, por deliberação final da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). Na sequência, o projeto segue para análise do Tribunal de Contas da União (TCU) – previsto ainda para este mês de dezembro.

Além dessas contribuições, houve série de encontros e conversas do ministro da Infraestrutura, Tarcísio Gomes de Freitas, e equipe do MInfra com o governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, e o prefeito carioca, Eduardo Paes, além de técnicos dos dois governos locais, parlamentares e representantes do setor produtivo fluminense. Tais encontros e contribuições levaram a ajustes na modelagem de concessão, especialmente nos aeroportos Santos Dumont (RJ) e Congonhas (SP).
Entre outros itens, a limitação da faturação para 80% (em vez de 90%), a ampliação da capacidade operacional apenas após período de cinco anos – para os outros 14 aeroportos da 7ª rodada, serão três anos – e ampliação da fase para correção de inconformidades nos dois terminais também de três para cinco anos: o que incluiu obtenção de certificação e licenciamento ambientais e de tombamento, por exemplo.
O Ministério da Infraestrutura segue em diálogo constante com o governo estadual e a prefeitura do Rio, parlamentares e setor produtivo, para que o Rio de Janeiro supere seus graves problemas socioeconômicos. Situação agravada pela pandemia de covid-19 e que se reflete na movimentação de passageiros, especialmente no Galeão, que se recupera em ritmo mais lento do que o Santos Dumont e outros terminais aéreos do país.
Neste sentido, são estudados projetos a serem desenvolvidos com recursos e apoio federal, capazes de contribuir para a melhoria da segurança pública e mobilidade urbana, o que, na avaliação do MInfra, ajudará a atrair turistas e moradores para o aeroporto da Ilha do Governador. Daí não estar descartada a utilização de parte da outorga do leilão da 7ª rodada para viabilizar algum empreendimento, mas ainda não há definição sobre os projetos a serem executados e modelos de financiamentos.”

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