Paes dá pito em Bolsonaro por Centro vazio | Diário do Porto


Política

Paes dá pito em Bolsonaro por Centro vazio

Crítica de Paes é para que presidente cumpra o que diz e determine a volta ao trabalho presencial nas estatais do Centro, como Petrobras e BNDES

24 de agosto de 2021

No Centro, prédios da Petrobras recebiam cerca de 20 mil pessoas por dia antes da pandemia (André Motta de Souza /Ag Petrobras)

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Chico Silva

O prefeito Eduardo Paes deu um pito público no presidente Jair Bolsonaro e pediu que ele faça o que tanto defende e determine a volta dos funcionários das grandes estatais instaladas no Centro ao trabalho presencial. Paes lembrou que um dos motivos do esvaziamento na região é o sistema home-office praticado até o momento por grandes empresas do Governo ou de capital misto como Petrobrás, BNDES, Caixa e Eletrobras.

“Eu vejo o presidente Bolsonaro sempre se posicionando a favor trabalho presencial. Então que ele faça o que defende. A Petrobrás, BNDES, Eletrobras precisam retornar. A gente tem que  começar  pela nossa própria casa”, disse o prefeito durante o evento “Rio em Frente”, promovido pela Fecomércio-RJ

Paes disse que pediu também ao Desembargador Henrique Carlos de Andrade Figueira, presidente do Tribunal de Justiça do Estado, para retomar os trabalhos presenciais no Fórum Central, um dos locais com maior circulação de pessoas na região. Estima-se que o trabalho remoto tenha tirado mais de 30 mil pessoas do Centro diariamente. Só os edifícios da Petrobras na avenida Chile e na rua do Senado recebiam diariamente mais de 20 mil pessoas entre funcionários e visitantes.

Com o avanço da vacinação, algumas empresas começam a voltar ao “velho normal”. O BNDES marcou para 01/09 o retorno gradativo e escalonado de seus funcionários aos escritórios do banco de fomento estatal. A Petrobras fará o mesmo a partir de 01/10. Mas o Centro que encontrarão não é o mesmo que deixaram. O esvaziamento da área provocou um verdadeiro “genocídio” comercial na região. Vários bares, restaurantes, cafés, livrarias e outros pequenos e médios comércios baixaram suas portas de vez. O último a passar o trinco vai deixar saudade para os amantes da boa gastronomia. Recentemente, o tradicional Mosteiro colocou na porta uma placa de “Passo o Ponto”.


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Centro perde uma de suas melhores mesas

Referência de boa mesa na região, para muitos inclusive era o melhor do Centro, a elegante casa teve como proprietário o português José Temporão, morto em abril de 2020. Ele era pai do ex-ministro da Saúde do governo Lula, José Gomes Temporão. Aberto no ano do Golpe de 1964, o estabelecimento com acento lusitano na cozinha teve como clientes gente do calibre de João Havelange, Castor de Andrade, Carlos Lacerda e Renato Archer, entre outros assíduos frequentadores. O Mosteiro é mais uma vítima indireta da tragédia do Covid-19 e da falta de apoio e incentivo a um dos setores mais castigados pela pandemia. E não houve tempo para uma vacina que o salvasse.

No, centro, restaurante Mosteiro não resistiu a pandemia e vai baixar as portas (divulgação)

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