O prefeito do Rio, Eduardo Paes, acusou a Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) de estar agindo “às escuras” para prejudicar o Aeroporto Internacional do Rio, o Galeão, tentando fazer com que as empresas aéreas voltem a operar mais voos no Aeroporto Santos Dumont. Paes pretende conversar com o presidente Lula para que o Governo Federal impeça o plano da Anac, que pode afetar também a recuperação do turismo no Rio.
Paes lembrou que a regulação dos voos na cidade do Rio, para fortalecer o Galeão, é uma política pública decidida por Lula, não cabendo a burocratas de segundo escalão tomar iniciativas para mudar a situação.
“Tenho certeza que o presidente Lula e o ministro Silvio Costa não vão permitir que a maior conquista do Governo Federal para o Rio seja ameaçada por esses interesses que são no mínimo estranhos!”, afirmou o prefeito, lançando suspeitas sobre os reais motivos que estão movendo os envolvidos na questão. As restrições de voos no Santos Dumont, com a transferência de linhas para o Galeão, foram decididas por Lula em agosto de 2023, atendendo a pedidos de Paes e de várias entidades empresariais, como a Fecomércio e a Firjan.
Com a regulação dos voos entre os dois aerportos, o Galeão tem vivido um crescimento contínuo, passando de décimo aerporto do país, em 2022, para a terceira posição neste ano. Ao mesmo tempo, o Santos Dumont deixou de ser um aerporto quase em colapso, afetado por superlotação diária. Segundo Paes, a regulação impulsionou o turismo do Rio, com reflexos positivos para a economia do Estado, além de ter recuperado a viabilidade econômica do Galeão, sem afetar o Santos Dumont.
Em postagem nas redes sociais, o prefeito afirmou que “forças ocultas estão se movimentando na Anac para alterar a política bem-sucedida” que restringe voos no Santos Dumont. Em outra publicação, Paes afirmou que a LATAM Airlines seria “uma das forças ocultas que opera nas trevas contra o Rio”. Procurada, a companhia informou que se manifestaria ao longo da semana.
Paes sustenta que a coordenação do espaço aéreo e a distribuição de voos entre os aeroportos do Rio não são decisões técnicas isoladas, mas uma política pública definida pelo presidente Lula, com o apoio do Ministério de Portos e Aeroportos e do Tribunal de Contas da União (TCU). Segundo o prefeito, qualquer mudança sem aval do Planalto ameaça uma estratégia que “salvou e fortaleceu” o Galeão e que culminará na relicitação prevista para março de 2026.
Por meio de nota, a Anac negou as acusações e afirmou que atua com transparência e em consonância com diretrizes do Ministério de Portos e Aeroportos, do TCU e do Governo Federal. A agência explicou que a eventual flexibilização no Santos Dumont vem sendo discutida desde junho. Segundo a Anac, a medida busca preservar a coordenação do sistema aeroportuário do Rio e a sustentabilidade do Galeão, e a autarquia disse permanecer aberta ao diálogo com a Prefeitura.
