Ouro para entrar na história | Diário do Porto


Nas esquinas de Tóquio

Ouro para entrar na história

As velejadoras Martine Grael e Kahena Kunze se unem ao seletíssimo grupo de atletas brasileiros que conquistaram ouro em duas Olimpíadas seguidas.

4 de agosto de 2021

Martina e Kahena conquistam seu segundo ouro seguido na Vela (Jonne Roriz/COB)

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Nas esquinas de Tóquio

Vicente Dattoli

Conhecem aquela musiquinha de criança que dizia assim “Um elefante incomoda muita gente… Dois elefantes incomodam muito mais… Dois elefantes incomodam muita gente… Três elefantes incomodam muito mais…”?

Pois bem.

Participar de uma Olimpíada já é um feito para qualquer atleta. Participar de uma Olimpíada e conquistar uma medalha, um feito ainda maior. Participar de Jogos Olímpicos e ganhar uma medalha de ouro, para poucos. Participar de duas edições de Jogos Olímpicos e, consecutivamente, ganhar a medalha de ouro, então…

Foi exatamente isso que fizeram Martine Grael e Kahena Kunze no Japão. Isso mesmo: as meninas de Niterói foram ouro no Rio e em Tóquio, duas medalhas de ouro em duas Olimpíadas seguidas.

Com o feito, elas igualam Adhemar Ferreira da Silva, do atletismo, no salto triplo, ouro em Helsinque (52) e Melbourne (56); e Fabiana Claudino, Paula Pequeno, Thaisa Menezes, Jacqueline Carvalho, Sheilla Castro e Fabi, do vôlei, ganhadoras em Pequim (2008) e Londres (2012) – outros atletas conquistaram duas vezes o ouro, mas não consecutivamente, até agora.


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Perceberam a dificuldade?

E a conquista de Martine e Kahena, olhando aqui, de longe e sentadinho no sofá, nem foi tão difícil. Depois ficamos sabendo dos problemas na primeira regata, por exemplo, mas “de boa”, dentro de casa a impressão foi que havia sido “molezinha”. Elas fazem a gente pensar assim.

Bem diferente, por exemplo, do ouro de Ana Marcela Cunha, que faturou o ouro na maratona aquática. A baiana teve de nadar simplesmente 10km para ocupar o lugar mais alto do pódio. Foram quase duas horas dentro d’água, na Baía de Tóquio, pontilhada pelos cabelos em verde e amarelo da nadadora.

Vale registrar também o bronze de Thiago Braz, no salto com vara. E por pouco ele não entrou na pequena lista citada acima dos dois ouros seguidos. Campeão no Rio, acabou em terceiro lugar em Tóquio. Duas  medalhas em duas Olimpíadas seguidas… Feito para poucos.

Como também é para poucos ser medalhista olímpico e registrar a quarta melhor marca da história, como fez Alison dos Santos, nos 400m com barreiras. Em outra Olimpíada, com seu tempo ele teria sido ouro. Desta vez, porém, dois outros atletas o superaram – e com recordes. De qualquer forma, quebrou um jejum de mais de 30 anos do atletismo nacional sem conquistar medalhas em provas de pista.

Coisas do esporte.

Ana Marcela Cunha “morde” o primeiro ouro da Maratona Aquática do Brasil (Jonne Roriz/COB)

 


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