Os Veios Abertos da Baía de Guanabara | Diário do Porto


Geral

Os Veios Abertos da Baía de Guanabara

Série de fotos da carioca Ana Carolina Fernandes sobre a agonia da Baía de Guanabara foi uma das premiadas do Prix Photo Aliança Francesa

7 de dezembro de 2018

Mais uma foto da série de Ana Carolina Fernandes

Compartilhe essa notícia:


Os veios abertos da Baía de Guanabara (Ana Carolina Fernandes)
Os veios abertos da Baía de Guanabara (Ana Carolina Fernandes)

A Baía de Guanabara em sua triste agonia foi transformada pela fotógrafa Ana Carolina Fernandes em um belíssimo trabalho reconhecido pelo Prix Photo Aliança Francesa. A obra, que ficou em segundo lugar, tem tudo para entrar para a galeria da luta pela despoluição daquela que poderia ser a baía mais bonita do mundo.

O projeto de Ana Carolina é sobre o descaso com as águas deste patrimônio da humanidade. “Onde, no passado, havia exuberância, biodiversidade e qualidade de vida, hoje vemos rios assoreados, transformados em valões de esgoto a céu aberto e bacias hidrográficas completamente sem vida ou agonizantes pelo despejo de 18 mil litros de esgoto não tratado por segundo”, explica a fotógrafa.

A Baía em agonia (Ana Carolina Fernandes)
A Baía em agonia (Ana Carolina Fernandes)

Ana Carolina lembra que bilhões de reais já foram gastos na despoluição da Baía de Guanabara, terceira maior do mundo, mas o que se viu de melhoria na qualidade das águas foi muito pouco. Nem o compromisso olímpico, lembra ela, foi cumprido para reduzir o prejuízo da sujeira para as 8 milhões de pessoas que vivem no entorno da baía. Só 27% das casas, ressalta a fotógrafa, possuem saneamento básico. Os moradores são testemunhas das consequências desse arranjo insalubre.

“A rede de esgoto improvisada por eles entope toda vez que a maré sobe ou cai um temporal e devolve todos os dejetos para dentro das casas. Com ela, voltam ratos e baratas, que trazem o risco de doenças como leptospirose. Fiz esse ensaio-denúncia com fotos áereas que remetem a paisagens extra terrestres e uma beleza visual quase apocalíptica para chamar a atenção da urgência de uma solução para salvar o que resta de vida na Baía de Guanabara”, descreve Ana Carolina Fernandes.

Mais uma foto da série de Ana Carolina Fernandes
Mais uma foto da série de Ana Carolina Fernandes

 

VEJA MAIS:

Soluções para preservar a Baía de Guanabara em pauta

Como despoluir a Baía de Guanabara, segundo Witzel e Paes

Soluções para preservar a Baía de Guanabara em pauta

O Prix Photo Aliança Francesa, em sua oitava edição, tem apoio da Air France e do Sofitel Ipanema. Três fotógrafos dois eleitos pelo júri oficial, e um foi escolhido pelo júri popular em votação pelo site. O primeiro colocado foi Weberton Skeff de Fortaleza (CE) com a série “Doces desejos de fôlego”. A série aborda a relação do sertanejo com a água e sua escassez. Ele ganhou uma viagem a Paris, com passgem e hospedagem de seis noites.

Foto "Doces desejo de fôlego", 1º lugar do juri (Weberton Skeff)
Foto “Doces desejo de fôlego”, 1º lugar do juri (Weberton Skeff)

“Os Veios Abertos da Baía de Guanabara”, de Ana Carolina, ficou em segundo, com direito a duas noites no Sofitel Ipanema. O prêmio do júri popular foi para o mineiro Rodrigo Lessa, com a série “Ser peixe”. Ele representa alguns olhares sobre a relação humano-água no cotidiano, principalmente relacionados ao ciclo, à apreciação, à saciação e à sobrevivência. Ganhou seis meses de curso de francês.

"Ser Peixe", júri popular (Rodrigo Lessa)
“Ser Peixe”, júri popular (Rodrigo Lessa)

O concurso recebeu quase 300 ensaios fotográficos vindos de todas as regiões do Brasil dentro do tema “Mas onde está a água?” ou “Mais où est l’eau?”. As fotos vencedoras podem ser acessadas no site oficial do concurso: www.prixphotoaf.com.br. Os três premiados participam de exposições itinerantes pelas Alianças Francesas no Brasil e no exterior. A exposição de abertura será na Galeria da Aliança Francesa Rio de Janeiro, em março de 2019.


/