Segurança

Operações combatem imóveis ilegais construídos por milícias

As construções estão na Zona Oeste. No Bosque Pedra da Boiúna, terrenos e casas são vendidos na internet. Em Rio das Pedras, 200 imóveis são demolidos

11 de março de 2020
Operação em Rio das Pedras já demoliu mais de 130 construções construídas em área sujeita a enchentes ( foto: Prefeitura / Rhavinne Vaz )

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Duas operações de origens diferentes começaram a combater construções ilegais na Zona Oeste da cidade, erguidas por integrantes de milícias, grupos criminosos que atuam no Rio.

O Ministério Público do Estado realizou prisões contra acusados de construir um condomínio residencial em área de preservação ambiental, no bairro da Taquara, em Jacarepaguá. A Prefeitura, por sua vez, continua a demolição de cerca de 200 imóveis, a maioria do comércio, erguidos às margens do canal Rio das Pedras, em terrenos sujeitos à enchentes.

O condomínio da Taquara foi iniciado em 2012 e tem o nome de Bosque Pedra da Boiúna. Segundo o Ministério Público, o líder do grupo criminoso que realizou as obras é um capitão da Polícia Militar.

Mesmo com as prisões sendo executadas, ainda era possível verificar, em sites da internet, ofertas de imóveis no condomínio, com entradas a partir de R$ 30 mil.

A Secretaria Municipal de Urbanismo confirmou que o loteamento é clandestino e que não é possível a sua regularização.  Ao fazer as obras, o grupo destruiu a vegetação de áreas protegidas e falsificou documentos.


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Para dar aparência de legalidade à comercialização dos terrenos e casas, a quadrilha opera por meio de uma empresa de construção, cujo titular é um dos milicianos. A publicidade e a venda dos imóveis é feita por anúncios em redes sociais, sites de classificados e do aplicativo Whatsapp, além da comercialização no próprio local.

Já em Rio das Pedras, a Prefeitura do Rio enfrentou a resistência de moradores quando iniciou na segunda-feira, 10 de março, a demolição dos primeiros 131 boxes comerciais, erguidos sem licença ao lado do canal. Houve enfrentamentos e os manifestantes foram dispersados com bombas de gás.

Antes de serem derrubados, os estabelecimentos foram notificados para a desocupação do local, que está em área não edificante, sujeito às enchentes, erosão e desabamento. As ocupações também promovem a obstrução da calha do rio, impedindo sua dragagem.

Além dos boxes comerciais, há também moradias no local  e cerca de 30 famílias serão removidas e passarão a receber o Auxilio Habitacional Temporário,  no valor de R$ 400,00 mensais.