Odontologia digital: 5 novidades mudam profissão | Diário do Porto


Inovação

Odontologia digital: 5 novidades mudam profissão

Às vésperas do Dia do Dentista, conheça cinco das grandes novidades que mudaram para melhor a vida dentro dos consultórios

20 de outubro de 2018

Rafael mostra o alinhador feito (Foto Fernanda Knupp)

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A tecnologia ainda não move montanhas, mas provoca tantas transformações na sociedade que é difícil acompanhar. Não são poucas as profissões modificadas – ou até destruídas – por hardwares e softwares. Na Odontologia, para a felicidade geral dos clientes, mudança é o que não falta.

Às vésperas do Dia do Dentista, 25 de outubro, o DIÁRIO DO PORTO entrevistou um profissional antenado para nos apontar tendências e novos procedimentos da Odontologia Digital. Assim, homenageamos todos os profissionais que se esforçam para melhorar a saúde, o sorriso e nossa qualidade de vida.

Rafael Guerra (álbum de família)
Rafael Guerra (Álbum de família)

Aos 38 anos, Rafael Rangel Guerra, formado pela Uerj, tem três especializações: Endodontia na PUC, Implantodontia na Universidade São Leopoldo Mandic e Prótese Dentária na Associação Brasileira de Odontologia. Ele não economiza esforços – e recursos – para se atualizar. Gosta tanto da profissão que casou-se com a ortodontista Fernanda Knupp, formada pela UFF.

O “casal sorriso” carioca trabalha na Vertente Odontologia, em Ipanema, mas Rafael também atua em duas unidades da clínica Oral Shape no Centro (Rua do Ouvidor e Rua Neri Pinheiro, na Cidade Nova).

Fomos à procura do Rafael para contar o que acontece de diferente na cadeira de dentista. Ele não hesitou: a Odontologia Digital está mudando a profissão, como aconteceu outras duas vezes nos últimos 50 anos. A primeira foi com a chegada do implante, há uns 40 anos. O sistema derrubou a ponte fixa, a móvel (perereca) e a dentadura.

Há 15 ou 20 anos, chegaram os materiais adesivos, colas poderosas que libertaram o paciente de desgastes grandes nos dentes para criar “encaixes” para os blocos. Agora chegou a vez do scanner, principal equipamento da Odontologia Digital.

O DIÁRIO DO PORTO pediu a Rafael Guerra que apontasse as cinco maiores inovações dos consultórios modernos. Como sempre acontece, o preço alto dos equipamentos retarda o investimento dos dentistas, mas a tendência é que, com o barateamento da tecnologia e as práticas de compartilhamento, o consultório que você conhece hoje logo deixará de existir. Vamos às novidades:

 

1 – A impressora 3D

Sabe aquele vai-e-vém no consultório do dentista quando você precisa fazer uma restauração, um bloco? Está com os dias contados. Inventado nos anos 1980 na Suíça, o CAD-CAM (‘Computer Aided Design’ e ‘Computer Aided Manufacturing’) é um sistema que ‘escaneia’ a boca e manda a informação (via wifi mesmo) para uma impressora, onde o “dente” é feito na hora, em cerâmica ou resina.

Impressora constrói um bloco odontológico
Impressora constrói um bloco odontológico (Divulgação)

 

Fica perfeito, dispensando até aquelas muitas mordidas no carbono para marcar os excessos a serem removidos pelo motorzinho irritante. Um processo que chegava a exigir quatro idas ao consultório, dependendo da habilidade do protético, é concluído em 40 minutos. O investimento do dentista é alto, cerca de R$ 270 mil na impressora e no scanner. O compartilhamento tem sido a solução, e protéticos já estão adquirindo o equipamento.

2 – Alinhadores invisíveis na Ortodontia

rafael guerra com alinhador
Rafael mostra o alinhador

Acaba com aqueles terríveis brackets de metal colados em todos os dentes e unidos por um fio apertado em incontáveis idas ao consultório. Esse sistema fixo, que atormenta a pessoa durante uns 30 meses em média, perde espaço para o alinhador de polímero (plástico). O scanner copia a arcada, um software simula a movimentação desejada e manda para uma impressora 3D confeccionar o aparelho.

O alinhador é quase imperceptível e pode ser tirado a qualquer momento para a higiene bucal. Outra vantagem é que não provoca movimento de outros dentes (como o sistema antigo), dispensando os ajustes e reduzindo para a metade o tempo do tratamento. O preço ainda é salgado. Os brackets fixos variam de R$ 3,5 mil a R$ 8 mil; o alinhador de polímero vai de R$ 7 mil a R$ 12 mil.

 

3 – Planejamento das “lentes de contato”

Você já deve ter ouvido falar de “lentes de contato” para os dentes. A pessoa pode modificar a boca “encapando” os dentes, um a um, com cerâmica. Parte do esmalte é retirada para o dente receber uma “capa” e ficar com o tamanho e formato desejados. Antes, o planejamento da “nova boca” exigia até três meses de estudo.

Planejamento dos novos dentes é na tela
Planejamento dos novos dentes é na tela

O dentista fotografava os dentes, fazia moldes de gesso e enviava para o protético, que esculpia em cera várias propostas, dente por dente. Sabe quantas vezes você precisa ir ao dentista para fazer isso hoje? A rigor, em uma só sessão o profissional pode fazer a proposta, desgastar o dente, escanear, mandar para a impressora, fazer as “lentes de contato” e fixá-las nos dentes. Pronto, uma nova pessoa sai do dentista pronta para sorrir como um ganhador de loteria.

4 – Implante sem corte

Ficou menos importante a habilidade do cirurgião em provocar o menor trauma possível na colocação do parafuso de sustentação do dente de cerâmica. Hoje o cálculo do tamanho e da inclinação do pino é feito de forma precisa pelo scanner e o software. A impressora então fabrica uma “guia” de polímero, que o dentista coloca na gengiva para conduzir a broca. Não é mais necessário abrir a gengiva para o dentista enxergar o osso. Não tem corte, não tem pontos, e o risco de inflamação é drasticamente reduzido. A desvantagem, ainda, é o preço: geralmente, quase o dobro do procedimento tradicional.

5 – Placas de bruxismo

Essa dupla de scanner e impressora não faz apenas placa para evitar o ranger de dentes durante o sono. É usada também para confeccionar, em polímero, protetores bucais para esportes como o boxe e órteses para tratar muitos casos (não todos) de ronco e apnéia. O método tradicional consiste em fazer o molde em gesso e mandar para o protético, que transforma em acrílico. Se o encaixe não ficar bom, começa tudo de novo.

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