Oásis-Lab ajuda comunidades a limpar a Baía | Diário do Porto


Sustentabilidade

Oásis-Lab ajuda comunidades a limpar a Baía

Programa da Fundação Boticário destacou-se no seminário Ações Ambientais, na Firjan. Despoluir a Baía é mais investimento do que utopia de ambientalista

25 de junho de 2019

O seminário Ações Ambientais, na Firjan

Compartilhe essa notícia:


A sujeira da Baía da Guanabara é um dos grandes entraves ao desenvolvimento do Rio. Por isso, sua despoluição deve ser vista muito mais como investimento gerador de riqueza do que como utopia de ambientalistas. A conclusão é do programa Oásis-Lab, lançado nesta segunda-feira 24 no seminário Ações Ambientais, na sede da Federação da Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan).

O Oásis-Lab planeja a recuperação do manancial de uma região hidrográfica de 500 mil hectares, com 40% das áreas naturais ainda preservadas, segundo mapeamento do Instituto Estadual do Ambiente (Inea). As maiores fontes de poluição dos cursos d’ água que desembocam na Baía são esgoto e lixo não coletados. Pouco mais da metade dos domicílios dispõe de redes de esgoto. A irregularidade na coleta de lixo agrava o quadro.

O Oásis-Lab, um hub de inovação, se propõe a encontrar soluções possíveis para reduzir essa tragédia. Tem cinco metas: 1. Demonstrar os benefícios econômicos e sociais da conservação ambiental, 2. sensibilizar as comunidades, 3. buscar fontes de financiamento, 4. aumentar a capacidade de iniciativas existentes e 5. criar oportunidades de negócios.

Eduardo Eugenio e Israel Klabin
Eduardo Eugenio homenageou Israel Klabin no seminário (Divulgação Firjan)

De 150 iniciativas de conservação ambiental e gestão de recursos hídricos da região, o Oásis-Lab selecionou 50 para capacitar os agentes. “O programa visa a escolha de modelos de negócio viáveis para investimento”, explicou Thiago Valente, analista de Projetos Ambientais da Fundação O Boticário.

O programa articula setor público, iniciativa privada e redes de cooperação nas comunidades, gerando valor para serviços ambientais e aumentando o impacto das iniciativas. “O grande entrave para a recuperação da Baía de Guanabara hoje é a credibilidade. Vamos reverter o descrédito apoiando projetos que já estão em andamento, procurando saber o que está faltando para acontecerem e colaborando desde a captação de recursos e desenvolvimento de novos projetos ao modelo de governança”, completou Thiago Valente.


VEJA TAMBÉM:

Eduardo Eugenio critica fim do Cidade Limpa

Megaleilão do pré-sal adiado ameaça contas do governo

Think Rio ESPM quer unir pensadores e gestores


O programa é uma iniciativa da Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza, em parceria com a Firjan e o Instituto Estadual do Ambiente do Rio de Janeiro (Inea). A principal estratégia a ser adotada é a formulação de Soluções baseadas na Natureza (SbN). São ações que utilizam processos e ecossistemas naturais para enfrentar desafios atuais urgentes da sociedade. No caso da Baía de Guanabara, os principais desafios e as possíveis Sbn aplicáveis são:

  • Segurança hídrica: conservar e recuperar os ecossistemas visando ampliar a capacidade de armazenamento e produção de água na natureza, reduzindo o transporte de sedimentos e os custos com o tratamento da água.
  • Assoreamento: ampliar a cobertura de vegetação nativa na região, especialmente nas margens de rios, controlando a quantidade de sedimentos que chegam à Baía.
  • Enchentes/inundações: manter e ampliar áreas naturais nativas que possam minimizar os fluxos superficiais de água, aumentando o potencial de adaptação aos eventos extremos de chuva que historicamente impactam a região.
  • Degradação dos ecossistemas costeiros: serão realizadas ações de manejo sustentável e recuperação de recifes, que podem ser eficientes também para conter o avanço do nível do mar e ao mesmo tempo desenvolver a economia local;

A lógica é a valorização dos serviços ambientais (PSA), promovendo adoção de práticas adequadas de uso do solo e conservação de áreas naturais, com impacto na economia e na qualidade de vida.

Participaram do seminário representantes dos governos estadual e municipais, do Ministério do Meio Ambiente (MMA), da Brasken, Klabin, Gerdau/Cosigua, BRK Ambiental, Confederação Nacional da Indústria (CNI) e Comlurb. O presidente da Firjan, Eduardo Eugênio Gouveia Vieira, abriu o seminário e homenageou o empresário Israel Klabin, segundo ele, “um operário para o desenvolvimento do Estado, que esperar vir a ser modelo para o resto do Brasil”.

 

 


/