O Villarino está voltando! Em agosto, reabre as portas | Diário do Porto

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O Villarino está voltando! Em agosto, reabre as portas

Clube Senac Villarino Bar estreia em agosto, como escola da gastronomia de botequins do Rio. Depois, com o avanço da vacinação, receberá também o público

12 de julho de 2021


O Villarino está passando por reformas que preservam seu interior (foto: reprodução do Instagram)


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Agosto está chegando, e o Rio vai ganhar um presente para fortalecer a alma e a esperança no futuro. Graças a um projeto do Senac RJ e da Fecomércio RJ, a Casa Villarino vai reabrir as portas, na esquina entre as avenidas Calógeras e Presidente Wilson, no Castelo, área do Centro que é o berço da história carioca.

O bar e restaurante, inaugurado em 1953 e que fechou as portas no último mês de novembro, agora vai voltar às atividades como o Clube Senac Villarino Bar, inicialmente como uma escola da tradicional gastronomia de botequins do Rio. Com o tempo e o avanço na imunização contra a Covid-19, o plano é também receber o público geral, voltando a ser um ambiente para as trocas entre as gerações que criam a cultura da cidade.

As memórias iniciais desses intensos encontros no bar foram registradas no livro “À mesa do Villarino”, pelo jornalista Fernando Lobo, pai do compositor Edu Lobo. Como o dia em que o poeta chileno Pablo Neruda, futuro Prêmio Nobel de Literatura, foi levado até lá por Vinicius de Moraes, e ambos deixaram versos escritos em uma das paredes do pequeno salão.

Ou a célebre história, de 1956, em que o mesmo Vinicius, em um papo com o jornalista Lúcio Rangel, conta que já havia escrito os versos da ópera popular “Orfeu da Conceição”, mas precisava de um parceiro para musicá-las. E Rangel lhe apresenta ali mesmo, numa outra mesa do bar, o jovem Antonio Carlos Brasileiro de Almeida Jobim, então um músico promissor.

Simulação do interior do Villarino após as obras (foto: Senac RJ)

As bossas do Villarino

Por causa desse encontro seminal, o Villarino passaria a ser conhecido como um dos berços da Bossa Nova, movimento carioca que projetou a música brasileira internacionalmente. Antes de Jobim, Vinícius havia tentado musicar os versos com Vadico, antigo parceiro de Noel Rosa, que declinou por já ter outros compromissos. É em um samba de Noel (“Coisas Nossas”), de 1932, que se canta pela primeira vez a palavra “bossas”, em um estribilho ainda muito atual.

Em tempos mais recentes, o bar tinha no acolhimento de sua equipe um dos grandes diferenciais apreciados pela clientela fiel. Entre os profissionais mais antigos da casa, estava Severino Ramos, mais conhecido com o Marlon Brando do Villarino, por sua semelhança com o ator célebre, na fase em que, quarentão, interpretou um tórrido romance em “O Último Tango em Paris”.

Essa riqueza do Villarino está sendo preservada pelo projeto do Senac RJ, cujas obras não modificam a ambientação histórica do bar, apenas revitalizam seu interior e fachada, além de ampliar a área da cozinha. E o respeito pelo passado é fortalecido com as ferramentas do presente. A futura escola irá fazer Lives, a partir do local, falando sobre harmonização nas áreas de bebidas e comidas da gastronomia dos botequins cariocas. Outro serviço que será oferecido é o delivery de happy hour, pelo qual os clientes poderão pedir, em domicílio, um menu com os clássicos do bar. Futuramente, também haverá apresentações musicais no espaço, promovidas pelo Sesc RJ.

O diretor regional do Senac RJ, Sérgio Ribeiro, destaca os impactos do projeto Clube Senac Villarino Bar. “Por toda sua importância histórica e cultural, o Senac RJ considera fundamental que o espaço permaneça aberto e em funcionamento para que antigos e atuais frequentadores, bem como as próximas gerações, possam conhecer e experimentar uma parte importante da história gastronômica, musical e cultural da cidade do Rio de Janeiro”, afirma.

Sergio Ribeiro, diretor do Senac RJ (foto: Helio Melo)
Sergio Ribeiro, diretor do Senac RJ (foto: Helio Melo)

Villarino e o Reviver Centro

Sérgio Ribeiro vê a iniciativa no contexto das ações para revitalização do coração da cidade, projeto que vem sendo executado pela Prefeitura dentro do programa Reviver Centro. “Essa pauta é muito importante para o Sistema Fecomércio RJ, do qual o Senac RJ faz parte. Temos a convicção de que a sobrevivência de um espaço como esse no Centro do Rio contribui para estimular a ocupação dessa região pela população carioca. Queremos evitar o esvaziamento da região, o abandono e a degradação do patrimônio histórico e contribuir para a manutenção da segurança”, enfatiza o diretor.

O projeto foi apresentado aos antigos proprietários do Villarino, que acompanham e aprovam as fases de execução, de forma a garantir a continuidade de sua cultura. Em novembro, quando anunciaram o fechamento, o último comunicado aos frequentadores dava conta de que o bar fora mais uma das vítimas do esvaziamento do Centro, agravado pela pandemia de Covid-19. Situação que afetou duramente todo o segmento de bares e restaurantes.

Segundo o SindRio, Sindicato de Bares e Restaurantes, na cidade do Rio o mercado de trabalho formal do setor foi o mais impactado pela pandemia, entre todas as atividades econômicas, perdendo 5.530 empregos, entre abril de 2020 e o mesmo mês deste ano. A crise sanitária causou o fechamento definitivo de mais de 2.750 estabelecimentos na capital do Estado.

Agosto terá também a volta do Bar Luiz

Antonio Florencio Queiroz Filho
Antonio Florencio Queiroz Filho , presidente do Sistema Fecomércio RJ

O projeto do Clube Senac Villarino Bar conta com o entusiasmo do presidente do Sistema Fecomércio RJ, Antonio Florencio de Queiroz Junior. “O Villarino é parte de história do Rio de Janeiro e retrata o jeito carioca de ser. Poder perpetuar este pedaço da cidade nos orgulha muito”, comemora o presidente.

A volta do Villarino é celebrada por Rosana Santos, proprietária do Bar Luiz, da rua Carioca, que também pretende reabrir as portas no próximo mês. Ela figura entre os sobreviventes que acreditam em novos e bons tempos para o Centro do Rio.

“A reativação do Villarino é de suma importância para a nossa cidade. Fico muito feliz em saber desse projeto da escola do Senac RJ que vai ajudar a muitos jovens a se colocarem no mercado profissional. É muito inovador pensar em cursos sobre a tradicional gastronomia dos botequins”, afirma Rosana, que está envolta nos preparativos para os 135 anos do Bar Luiz, em 2022, quando o Villarino fará 69 anos.

 

O DIÁRIO DO PORTO deseja vida longa e próspera aos bares e restaurantes cariocas, guardiães da cultura e do modo de vida do Rio.


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