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Literatura

O que você anda lendo, Olga de Mello?

“Fora gente séria, acadêmicos e estudiosos, leitor comum lê bobagem”, diz nossa colunista, que responde a pergunta e dá dicas preciosas de leitura leve

13 de maio de 2022

Ler livros é um privilégio. Veja as dicas (Photo Deposit)

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Olga de Mello

Olga de Mello

 

O título é a pergunta que leitor compulsivo ouve quase mais do que “você já leu todos esses livros aí?” quando recebe visitas que estranham sua biblioteca doméstica com modestos 2.500 volumes (incomparáveis às de leitores/editores/pensadores importantes, que acumulam acima de 10 mil tomos fácil, fácil). Dizer o que se está lendo no momento é um perigo, pois a resposta certamente poderá parecer arrogante ou meio burrinha mesmo. Fora gente séria, acadêmicos e estudiosos, leitor comum lê bobagem. Muito mais bobagem do que obras “de peso”. Vamos ao que está em leitura entre os tsundokus (palavra japonesa que significa montoeira de livros folheados e empilhados para um dia serem lidos) que decoram minha casa.

A inglesa Helen Russel é uma daquelas jornalistas que trafegam com tranquilidade entre o puro exercício profissional, a ficção e a mescla de vida pessoal com objeto de pesquisa. Depois do bestseller O segredo da Dinamarca (Leya, R$ 30), ela já produziu uma chick-lit divertida e, agora, chega ao Brasil Como ser triste – Tudo o que aprendi sobre a felicidade com a tristeza (Leya, R$ 42). A investigação jornalística vai além de pretender motivar o leitor ouvindo coaches. Russel conversou com especialistas diversos – psiquiatras, terapeutas, religiosos, celebridades, professores de filosofia – para apresentar observações sobre o óbvio – o estado de felicidade permanente não existe – e que evitar a tristeza prejudica o amadurecimento e até a alegria.

A mistura de dois bons ingredientes – a biografia e uma carreira bem-sucedida – está em Sabor – Minha vida através da comida (Intrínseca, R$ 55,90), do ator Stanley Tucci. Não é a primeira experiência desse americano, descendente de italianos em levar a gastronomia para sua rotina. Além de ter dirigido A grande noite, um delicioso filme sobre a última refeição servida em um restaurante falido, hoje ele apresenta uma série televisiva premiada sobre a culinária italiana. Entremeando memórias com os pratos favoritos da família, ele obedece, no livro, a um roteiro de cenas curtas, encadeadas por degustação de pratos – entre elas o episódio com a indicação de um restaurante por Marcelo Mastroianni, o que Tucci considera um dos grandes momentos de sua vida. O outro foi, depois de enviuvar, casar-se com a irmã da atriz Emily Blunt, a quem conheceu nas filmagens de O diabo veste Prada. Para dar um gostinho de cobertura de celebridades ao leitor, Tucci conta que conheceu a esposa no casamento da cunhada, no cinematográfico cenário da mansão na Toscana de outro amigo, o superastro George Clooney.

 


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A onda dos escritores escandinavos de thrillers explodiu no Brasil por volta de 2005, quando a trilogia Millenium, do sueco Stieg Larson, aqui chegou. Outros compatriotas de Larsson já haviam sido lançados no mercado brasileiro, como Henning Mankell e Camilla Läckberg. Em comum, além das tramas de mistério, eles garantiram fortunas com seus livros. Larson morreu em 2004, sem testemunhar o sucesso de sua série, que vendeu em torno de 100 milhões de cópias mundo afora. Já Mankell, falecido em 2015, teve mais de 40 milhões de exemplares vendidos com as aventuras de seu detetive Kurt Wallander. Camilla, ainda na ativa e no planeta, tem batido recordes com suas histórias sobre crimes e erotismo soft porn.

Uma delas é A gaiola de ouro (Arqueiro, R$ 23), a primeira de uma série, Revenge, que dá raiva da trajetória protagonista de ingênua dominada a emponderada vingativa. Um dos motivos é inconsistência da personagem, que trocou de nome para esconder uma infância e adolescência em ambiente de violência doméstica, pronta a abandonar os estudos de Economia depois de fornecer ideias geniais para a startup do marido claramente adúltero. Mas é rapidinho para ler.