O que vai ser do gigante Moinho Fluminense? | Diário do Porto


Investimentos

O que vai ser do gigante Moinho Fluminense?

Para o pessoal da Gamboa, o Moinho pode se transformar em shopping, hotel, escritórios ou residências. Desde que traga mais movimento ao bairro

22 de agosto de 2019

Moinho Fluminense foi comprado pela Autonomy Investimentos em julho do ano passado (Foto: DiPo)

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O grupo Autonomy Investimentos e Affiliates, que há um mês comprou o Moinho Fluminense, na Gamboa, ainda não revelou seus planos para o espaço imenso da nova propriedade. Isso tem aguçado a curiosidade dos moradores e comerciantes vizinhos.

O DIÁRIO DO PORTO foi saber quais são as expectativas do povo da Gamboa para o novo empreendimento. E, ao mesmo tempo, ouvimos no mercado que a compra do Moinho foi feita em parceria com um grande fundo de investimento internacional.

Isso mostra que o Porto, após um período de retração nos negócios, está novamente sendo objeto de interesse de investidores. Já para os vizinhos, na Gamboa, os sonhos podem se resumir em um único desejo. Todos querem que o novo empreendimento traga mais pessoas para a região, sejam moradores ou visitantes.

 

Moinho Fluminense foi comprado por empresa que investe em prédios comerciais
Fachada do Moinho Fluminense, em estilo industrial inglês, foi restaurada em 2011 (Foto: DiPo)

Moradias e lazer

Com 79 anos de idade, 70 dos quais como morador do bairro, Evani Sant´anna reclama que os investimentos para revitalização da região acabaram por elevar os preços dos aluguéis de casas e lojas. Com isso, muitos imóveis estão vazios. Ele espera que o novo dono do Moinho invista em residências para trazer mais moradores. “Precisamos de gente nova nas nossas ruas. Gente traz vida”, resumiu, certeiro.

Cidney Coutinho, 50, chefe de segurança, não tem dúvida. Ele quer um shopping center, que traga clientes de todas as regiões da cidade. “Um shopping vai gerar empregos para quem já mora aqui, trará lazer, diversão. Além disso, não iríamos mais precisar ir até outros bairros para achar uma papelaria, um supermercado.”


 

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Empreendimento multiuso

Dono de uma banca bem em frente à entrada do prédio principal do Moinho, na Praça da Harmonia, Antonio Mascarenhas, 38, acredita que os novos proprietários podem fazer um empreendimento misto, com comércio, residências e escritórios. Afinal, área construída para aproveitar é o que não falta.

“Você já viu o tamanho que o Moinho ocupa? São vários quarteirões. Dá para fazer um hotel, um shopping, escritórios, e, no restante, é só completar com apartamentos”, disse, mostrando em gestos como poderia ser o futuro.

A dona do bar “Delas”, Cristiane de Souza, 42, está na Gamboa desde que nasceu e diz que chegou a hora de os investimentos no Porto Maravilha beneficiarem diretamente quem já mora na região. “Acho que o Moinho pode se transformar em várias coisas, mas o importante é que aumente o movimento da vizinhança. Quero mais gente no meu bar, aqui nas ruas, não só na Orla Conde.”

 

Moradores dizem que o antigo silo vai virar um hotel (Foto: DiPo)

Shopping e bons vizinhos

O fechamento do Moinho, com a transferência de suas atividades para Duque de Caxias, reduziu o movimento no bairro, segundo Sandra Bento, 39. Agora ela espera uma recuperação. “Um shopping aqui seria muito melhor porque, depois que o comércio fecha, lá pelas 18h, não tem mais nada para os moradores fazerem.”

O motorista de aplicativo Marcos Pereira, 35, lembra que os cerca de 600 funcionários do Moinho animavam o comércio das redondezas e que muitos eram seus fregueses. “Agora, todos aqui do bairro esperam que os novos donos sejam bons vizinhos, que venham conversar.”

 


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