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O Palácio Gustavo Capanema é nosso!

Neste artigo, Wagner Victer defende o Palácio Capanema e diz que, no lugar de ser vendido, deveria tornar-se sede da Secretaria de Educação do Estado do Rio

16 de agosto de 2021

O Palácio Gustavo Capanema, no Centro do Rio, é um dos mais importantes ícones da arquitetura modernista (foto: Agência Brasil)

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Wagner Victer

WAGNER VICTER*

 

Não há dúvidas que o Palácio Gustavo Capanema, construído entre 1937 e 1945, é uma das mais belas construções do nosso Estado, a qual traz um simbolismo muito grande, especialmente para a área de educação e para o período Rio Cidade Capital.

Para justificar sua venda polêmica, não acredito no atual argumento utilizado pela equipe Econômica Federal, ou seja, no elevado grau de custeio necessário para manter aquela unidade. Acredito, sim, no interesse em “fazer caixa” com a venda desse imóvel, como é percebido pelos burocratas, o que certamente poderá descaracterizar o seu uso.

Na linha da redução do custeio e ainda como Secretário de Educação do Estado, em 2016, busquei junto ao Governo Federal, com o auxílio do então governador em exercício, Francisco Dornelles, transferir para o Palácio Gustavo Capanema a sede da Secretaria Estadual de Educação. Na ocasião ofereci que assumiríamos os custos operacionais.

Cheguei até a conversar que nessa ocupação temática também para lá fosse a Secretaria de Estado de Ciência e Tecnologia, que não possuía até então uma sede própria. Além do Conselho Estadual de Educação, localizado hoje próximo ao Fórum, em instalações não adequadas.

Essa medida infelizmente não prosperou, pois na época os burocratas federais não se preocupavam com “o custeio” e possivelmente pensavam em ter outro tipo de aplicação para o prédio. Se a mudança tivesse ocorrido, daríamos uma utilização vinculada à história dessa belíssima construção, continuando vocacionada às atividades de educação. E também daríamos vida a toda aquela região do centro da cidade, com um grande complexo de gestão da educação.

Vejo agora a correta reação de indignação da sociedade para reverter esse abrupto processo de venda. Também aplaudo a iniciativa do presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Rio (Alerj), deputado André Ceciliano, buscando coordenar esforços para que essa absurda venda não aconteça. Ele quer envolver diversos setores, em especial o Governo do Estado e a Prefeitura Municipal – o prefeito certamente poderia aportar recursos, pois recentemente se propôs até a demolir um prédio próximo, o anexo da Alerj na Praça 15.

Dessa forma, volto sugerir a ideia da utilização do Palácio Capanema para concentrar todas as atividades voltadas à Educação do Estado, não só a Secretaria Estadual de Educação, como o Conselho Estadual de Educação e a Secretaria de Ciência Tecnologia. Também seria possível até para algumas das entidades relacionados à educação, como a Fundação Cecirerj, além do Centro de Formação de Professores para Educação Básica. Além disso outras Secretarias Estaduais que não possuem sede própria, mas são totalmente sinérgicas, como a Secretaria de Turismo e a Secretaria de Cultura, que poderiam se incorporar nessa lógica de ocupação para salvação dessa joia arquitetônica com elevado valor histórico.

O fundamental é que o Palácio Gustavo Capanema seja preservado!

 

*Wagner Victer foi Secretário de Educação do Estado do Rio de Janeiro


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