Jornalismo chora por Boechat. Veja repercussão | Diário do Porto


Tragédia

Jornalismo chora por Boechat. Veja repercussão

Jornalista morreu em acidente de helicóptero em São Paulo aos 66 anos. Políticos, jornalistas e celebridades lamentam nas redes sociais

11 de fevereiro de 2019

Ricardo Boechat morreu aos 66 anos nesta segunda (Foto: Divulgação/Band)

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Uma tragédia para o jornalismo. A morte do jornalista Ricardo Boechat em acidente de helicóptero na tarde desta segunda-feira, em São Paulo, deixou milhares de fãs e colegas em estado de choque. Políticos, celebridades e jornalistas se manifestaram, lamentando a morte de um dos âncoras mais populares do país.

Por volta das 14h, a Rádio BandNews FM informou que sairia do ar. Os colegas do jornalista pediram desculpas aos ouvintes e disseram que não estavam em condições de continuar a transmissão. Âncora da Band News, ele havia apresentado o seu programa matinal na emissora de rádio antes de embarcar na aeronave.

Na emissora de TV, José Luiz Datena foi quem anunciou a morte. “Se o Boechat estivesse aí vivo agora, ele diria que a vida vale a pena para caramba”, afirmou, chorando. “Maior jornalista do país por sua coragem, a forma de combater a corrupção, combater as injustiças, era uma das grandes referências da história do jornalismo brasileiro.”

José Simão, dupla de Boechat no quadro “Buemba! Buemba!” da Band News FM, também esteve no programa “Brasil Urgente”, apresentado por Datena, e se emocionou ao falar sobre o parceiro. “Nossa química foi instantânea. Foi quase no primeiro dia. Antes de entrar no ar, eu ouvia as opiniões dele sobre política, sobre tudo. Ele era um vulcão. Sabe vulcão quando entra em erupção? Boechat não tinha partido, preferência, antipatias ou simpatias eternas, era coisa do dia mesmo”, contou ao apresentador.

“Agora estou tentando digerir isso, essa nossa dupla que jamais será retomada. O que mais me dói é não poder falar com ele de manhã, entendeu? Isso que está me deixando mais devastado”, prosseguiu, tentando conter as lágrimas.

No Instagram, Veruska Seibel Boechat, esposa do jornalista, se manifestou sobre a morte. “Pior dia da minha vida”, escreveu na legenda de uma foto do casal se abraçando.

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Pior dia da minha vida.?

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O helicóptero caiu sobre um caminhão no km 22 da Rodovia Anhanguera, próximo ao Rodoanel Mário Covas. Além de Boechat, também morreu o piloto, Ronaldo Quattrucci. O motorista do caminhão ficou ferido e foi socorrido.

Políticos

Nas redes sociais, o presidente da República, Jair Bolsonaro, foi um dos que lamentaram a morte do jornalista.

Davi Alcolumbre (DEM-AP), presidente do Senado, também usou o Twitter para prestar suas condolências.

Rodrigo Maia (DEM-RJ), deputado federal e presidente da Câmara:

Hamilton Mourão (PRTB-RS), vice-presidente da República:

Eduardo Suplicy (PT-SP), vereador:

Marcelo Freixo (PSOL-RJ), deputado federal:

Marina Silva (REDE-AC), senadora:

Wilson Witzel (PSC-RJ), governador:

Histórias

No Twitter, colegas e admiradores contaram histórias bem-humaradas que viveram com o jornalista.

 

Trajetória

Nascido em Buenos Aires em 1952, Ricardo Boechat fez seus estudos no Rio de Janeiro. Iniciou a carreira na década de 1970 no “Diário de Notícias”. Ao longo da vida, passou pelos principais veículos de comunicação do Brasil, como “O Globo”, “O Dia”, “O Estado de S. Paulo” e “Jornal do Brasil”.

Na política, teve uma breve passagem como secretário de Comunicação Social do governo do Rio, na gestão de Moreira Franco, em 1987.

Na televisão, foi comentarista da TV Globo e do SBT e, há mais de dez anos, ancorava o Jornal da BandAtualmente, era o principal nome do jornalismo do grupo Bandeirantes, onde ancorava também a rádio BandNews FM. De segunda a sexta, ele apresentava um programa matinal na rádio. Além disso, também mantinha uma coluna na revista semanal IstoÉ.

Boechat venceu três prêmios Esso, o principal do jornalismo brasileiro, 17 edições do Prêmio Comunique-se, além de outras condecorações. É autor do livro “Copacabana Palace – Um Hotel e sua História”, sobre o tradicional hotel do Rio de Janeiro.

Ele vivia seu segundo casamento com Veruska Seibel desde 2005, com quem teve duas filhas. O jornalista deixa 6 filhos.

 


 

O editor do DIÁRIO DO PORTO, Aziz Filho, trabalhou com Boechat no jornal O Globo, na revista IstoÉ e no Jornal do Brasil. Ele relembrou um momento divertido de Boechat para manifestar sua admiração e saudade. “Boechat sempre foi um louco adorável. Quando O Globo proibiu cigarro na redação, a gente ia para o fumódromo. Mas ele xingava a regra nova e, para não perder tempo, fumava com a cabeça baixa, sempre ao telefone, e jogava a fumaça dentro da gaveta. Era a gaveta mais fedorenta da redação. E ele era o jornalista mais inquieto, curioso, indignado e atrevido que eu conheci. Vai fazer muita falta, mas viverá para sempre, como todo grande cara.”

 


 


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