O furto de fios e o vexame das forças de segurança | Diário do Porto

Editorial

O furto de fios e o vexame das forças de segurança

Quase todo mundo sabe onde encontrar os receptadores dos fios elétricos e equipamentos públicos roubados nas ruas do Rio. Por que só a Políca não os encontra?

19 de setembro de 2021


Homem flagrado por reportagem da TV Globo queimando fios (reprodução/TV Globo)


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A Polícia Civil, a Polícia Militar e a Guarda Municipal do Rio de Janeiro estão com os brios feridos. Se não estão, deveriam estar. Uma equipe de reportagem da TV Globo mostrou para o mundo como é fácil chegar até os receptadores de fios elétricos e equipamentos públicos roubados 24 horas por dia na Região Metropolitana. Qualquer morador de bairros e cidades que estão sendo destruídas pelos larápios sabe quem compra, quanto pagam, onde são as fogueiras para derreter a borracha dos fios de cobre. Policiais e guardas, pelo jeito, ignoram. As poucas ações realizadas não surtem efeito, e a esculhambação segue corroendo o espaço urbano.

Não existe explicação lícita para o fato de as instituições de segurança não conseguirem fazer frente aos larápios descamisados que as desafiam todo dia, zombando das polícias, dos prefeitos e do governador. É inaceitável a dimensão tomada pelo comércio escancarado de fios, bancos de praças, estátuas, postes, lâmpadas, câmeras, grades de ferro e alumínio, cercas, holofotes, cabos de aço e de internet, portas, janelas, caixas de correio, caixas d´água, hidrômetros, tampas de bueiros, cestas de lixo.


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O fracasso da segurança pública

Como toda rede de crimes, qualquer estudante sabe que o caminho para desmontar as quadrilhas é seguir o dinheiro. No caso de muitos ferros velhos e postos de “reciclagem” que receptam o material roubado, não é preciso esforço para ler as tabelas de preços expostas publicamente. Peças são compradas e vendidas sem comprovação de origem em um mundo sem imposto sobre a renda. Muito pelo contrário, há um submundo financiado pelo roubo de equipamentos comprados com o dinheiro de nossos impostos.

É inaceitável que milhares de trabalhadores fiquem sem transporte porque um vagabundo ou uma quadrilha roubou fios da SuperVia. Quadras inteiras ficam às escuras, obras de arte são vilipendiadas nas praças públicas à luz do sol, e a polícia não assume para si a vergonha de uma cidade que vai se esfacelando pela inação, pela incompetência ou pela conivência daqueles que são pagos para protegê-la. Tudo na vida tem limite, e já passou da hora de acabar com essa falta de vergonha.