O ‘carioquistério’ da era Bolsonaro

Bolsonaro e filhos, Maia x Freixo na Câmara, 5 ministros cariocas e outros 5 com passagens pelo Rio: é o carioquistério na Esplanada e do noticiário

Bandeira da Cidade do Rio de Janeiro
Bandeira da Cidade do Rio de Janeiro: tremulando em Brasília

 

O favoritismo do presidente da Câmara, deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ), para a reeleição e a entrada em jogo do deputado Marcelo Freixo (Psol-RJ) como anticandidato da esquerda são mais uma expressão do super espaço que os políticos cariocas ocupam em Brasília na era Bolsonaro. Nos poderes Executivo e Legislativo, o protagonismo é inquestionável.

Paulista de nascimento, o presidente fez carreira política no Rio de Janeiro, assim como dois de seus três filhos com mandato – o vereador Carlos e o senador Flávio – e anunciou um ministério que tem tudo para ser chamado de carioquistério.

A expressão foi usada em 2008 pelo então ministro da Justiça Tarso Genro para definir o primeiro escalão do governo Lula, quando o deputado Carlos Minc, no Ambiente, virou o oitavo ministro do governo petista. Era uma reação aos tempos do minastério de Itamar Franco, que empoderou mineiros da “república de Juiz de Fora” e aos paulistérios dos dois governos do PSDB (Fernando Henrique Cardoso) e do primeiro governo Lula.

Dez dos 22 ministros de Jair Bolsonaro são cariocas ou pessoas nascidas em outros estados, como o próprio presidente, mas que tiveram parte importante da carreira profissional no Rio de Janeiro. No mínimo, como colegas nos cursos de formação de oficiais da Academia Militar das Agulhas Negras, em Resende, no Sul do Estado.


Os cariocas puro-sangue

O ministro da Economia, Paulo Guedes, na solenidade de transmissão de cargo
O ministro da Economia, Paulo Guedes: carioquíssimo (Valter Campanato/Agência Brasil)

O “primeiro-ministro” Paulo Guedes, aquele que bate o martelo em todas as questões econômicas e preencheu os cargos mais importantes dos escalões superiores, nasceu na cidade do Rio de Janeiro há 69 anos. Mestre e doutor pela Universidade de Chicago, o onipresente ministro da Economia foi professor da PUC-Rio, na Gávea, e da Fundação Getúlio Vargas (FGV), na Praia de Botafogo.

Paulo Guedes foi um dos fundadores do Banco Pactual, em 1983, com sede também na Praia de Botafogo, e de vários fundos de investimentos e empresas. Esteve também entre os criadores do Ibmec, que surgiu como instituto de pesquisas sobre o mercado financeiro, e do Instituto Millenium, em 2005, ambos no Rio de Janeiro.

O ministro da Defesa, general Fernando Azevedo e Silva, é outro carioca com enorme influência sobre o presidente. Ele foi presidente da Autoridade Olímpica (de 2013 a 2015) e comandante militar do Leste, com sede no Porto Maravilha, em 2016.

O também poderoso Ministério da Infraestrutura tem outro carioca, Tarcísio Gomes de Freitas. Ele se formou em Engenharia Civil pelo Instituto Militar de Engenharia (IME), na Urca. É servidor e foi engenheiro do Exército, chefe da seção técnica da Companhia de Engenharia do Brasil na Missão da ONU para a Estabilização do Haiti. Freitas foi diretor executivo do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) em meados de 2011, nomeado pela então presidente Dilma Rousseff.

Nascido no Rio de Janeiro, o almirante Bento Costa Lima de Albuquerque está no comando do Ministério de Minas e Energia. Ele começou a carreira na Marinha em 1973, onde foi comandante em chefe da Esquadra, chefe de gabinete do Comando da Marinha e comandante da Força de Submarinos Brasileira. No exterior, atuou como observador militar das forças de paz da ONU em Sarajevo, na Bósnia-Herzegovina.

Gustavo Bebianno, super amigo do presidente da República e secretário-geral da Presidência da República, nasceu no Estado do Rio, graduou-se em Direito pela PUC-Rio. Cursou MBAs em Direito da Economia e da Empresa na FGV, Management na Escola de Negócios da PUC-Rio e Gestão Corporativa no Ibmec.

Bebianno passou a maior parte da vida no bairro do Leblon, dedicando-se à advocacia e a outra paixão, as lutas de jiu-jitsu, e atuou no escritório de advocacia de Sérgio Bermudes, também no Rio, do qual é sócio. Uma “missão carioca” importante de Bebianno foi promover a reestruturação jurídica do centenário Jornal do Brasil. Tornou-se o diretor mais jovem da história do veículo, chegando ao posto de diretor-geral.


Cariocas por adoção

General Augusto Heleno, ministro-chefe do GSI, no CCBB de Brasília
General Augusto Heleno, ministro-chefe do GSI, no CCBB de Brasília (Fabio Rodrigues/Ag. Brasil)

O prestigiado general Augusto Heleno, do Gabinete de Segurança Institucional, um dos que mais influenciam o pensamento do presidente, nasceu em 1947 no Paraná, mas teve alguns pontos altos da carreira no Rio de Janeiro. Graduou-se aspirante-a-oficial de cavalaria em 1969 na Academia Militar das Agulhas Negras. E exerceu o cargo de diretor de comunicação e educação corporativa do COB na organização da Olimpíada de 2016.

O ministro da Educação, Ricardo Vélez Rodríguez, é filósofo e professor emérito da Escola de Comando e Estado Maior do Exército, na Urca. Ele nasceu na Colômbia há 75 anos e graduou-se em Filosofia e Teologia. Veio para o Brasil fazer pós-graduação nos anos 1970, sempre na área de Filosofia, obtendo o título de mestre e depois de doutor por universidades do Rio de Janeiro, além de Londrina (PR) e Juiz de Fora (MG).

A Secretaria de Governo da Presidência da República é comandada por outro general oriundo da Academia Militar das Agulhas Negras, de Resende (RJ). O general Carlos Alberto Santos Cruz nasceu na cidade de Rio Grande (RS), em junho de 1952.

No Ministério da Transparência e Controladoria-Geral da União está o jovem Wagner de Campos Rosário, de 43 anos. É quase carioca, pois nasceu em Juiz de Fora, a grande cidade mineira mais próxima do Rio. Além disso, graduou-se em Ciências Militares nas Agulhas Negras. É ex-capitão do Exército, como Bolsonaro.

O ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, é ortopedista pediátrico. Ele fez carreira no Estado natal, Mato Grosso do Sul. Mas formou-se pela Universidade Gama Filho, em Piedade, Zona Norte da cidade do Rio. Foi médico militar, como tenente, no Hospital Central do Exército (HCE), em Benfica, também na Zona Norte.


Os não cariocas

O ministro Onyx Lorenzoni, em entrevista no Palácio do Planalto
O ministro Onyx Lorenzoni, no Palácio do Planalto (Wilson Dias/Ag. Brasil)

Ministro-chefe da Casa Civil: Onyx Lorenzoni

Ministro da Justiça: Sérgio Moro

Ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos: Damares Alves

Ministro do Meio Ambiente: Ricardo Salles

Ministro do Turismo: Marcelo Álvaro Antônio

Ministro da Cidadania: Osmar Terra

Ministro do Desenvolvimento Regional: Gustavo Canuto

Advogado-geral da União: André Luiz de Almeida Mendonça

Presidente do Banco Central: Roberto Campos Neto

Ministro das Relações Exteriores: Ernesto Araújo

Ministro da Ciência e Tecnologia: Marcos Pontes

Ministro da Agricultura: Tereza Cristina

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