Novo local para autódromo poderia salvar 180 mil árvores | Diário do Porto


Sustentabilidade

Novo local para autódromo poderia salvar 180 mil árvores

Floresta onde a Prefeitura quer o autódromo tem 3 vezes o tamanho do Jardim Botânico. MPF quer evitar devastação usando outra área do Exército

30 de junho de 2019

Floresta do Camboatá, em Deodoro, tem 77 espécies de árvores e centenas de animais (foto: SOS Floresta do Camboatá)

Compartilhe essa notícia:


Ingás, ipês, angicos, jacarandás, cambarás e quaresmeiras estão entre as 180 mil árvores que poderão ser derrubadas na Floresta do Camboatá, caso a Prefeitura do Rio construa no local o novo autódromo da cidade. A devastação pode ser evitada, com a escolha de uma outra área próxima, segundo o Ministério Público Federal.

A Floresta do Camboatá, localizada no bairro de Deodoro, na zona norte, está em terreno que o Governo Federal concordou em ceder ao Município. O MPF argumenta que a União possui duas outras propriedades perto da floresta, que poderiam ser usadas, sem necessidade de desmatamento.

O MPF aponta ainda que a licitação para a construção e exploração do autódromo por 35 anos não foi precedida por um estudo de impacto ambiental (EIA/Rima). Em outubro do ano passado, a Justiça já havia decidido que o Governo do Estado não poderia realizar nada na área, sem antes ter o relatório ambiental. Porém a decisão não envolvia a Prefeitura, o que foi pedido pelo MPF no mês passado.

Livre desse impedimento, a Prefeitura realizou a concorrência, que foi vencida no dia 20 de maio pelo consórcio Rio Motorsports, única empresa que apresentou proposta para obras orçadas em R$ 697 milhões.

A área total do empreendimento é de 201 hectares, sendo que 150 hectares correspondem ao espaço em que haverá a derrubada da floresta. Isso equivale a 3 vezes o tamanho do Jardim Botânico do Rio.


LEIA TAMBÉM:

Parque Nacional de Itatiaia faz 82 anos e ganha terras

Pensando fora do quadrado: Rio, cidade federal

Think Rio ESPM: o Rio renascerá no Porto, onde começou


O contrato entre as duas partes ainda não foi assinado, pois há exigências prévias  que não foram cumpridas, como a transferência da propriedade do terreno da União para o Município. Outro ponto que causa controvérsia é a necessidade de uma lei que teria que ser aprovada pelos vereadores, autorizando o consórcio a usar parte da área em um empreendimento imobiliário.

A Prefeitura e o consórcio vencedor contestam a necessidade de realização prévia do estudo de impacto ambiental, dizendo que essa apresentação vai ocorrer antes da assinatura do contrato.

Para o MPF, a licitação deveria ter sido feita para uma das outras áreas, hoje usadas pelo Exército. Além disso a concorrência teria que exigir como ação compensatória a preservação total da Floresta do Camboatá.

Segundo o Instituto de Pesquisas do Jardim Botânico, essa floresta é o único ponto remanescente de grande porte de Mata Atlântica, em área plana na cidade. Lá foram catalogadas 125 espécies diferentes de vegetação, sendo 77 de árvores, além de centenas de animais.

 


/