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Cultura e Lazer

Nova sede da Caixa não terá espaço para teatro

Preocupados com um possível esvaziamento na programação artística exibida pela Caixa, agentes culturais se manifestaram logo após o anúncio sobre a decisão da mudança do Edifício Almirante Barroso para o Passeio Corporate, na Rua das Marrecas 20 até junho de 2019

26 de julho de 2018

Passeio Corporate, que será nova sede da Caixa a partir de novembro, não teria espaço para teatro (Foto: Divulgação)

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Passeio Corporate
Passeio Corporate, nova sede da Caixa a partir de novembro (Foto: Divulgação)
Não são apenas agentes públicos, investidores e entusiastas do projeto de revitalização da Região Portuária do Rio que não gostaram da mudança da sede da Caixa Econômica Federal para a Cinelândia – e não para o Porto Maravilha, como era esperado. Preocupados com um possível esvaziamento na programação artística exibida pela Caixa, agentes culturais se manifestaram logo após o anúncio sobre a decisão da mudança do Edifício Almirante Barroso para o Passeio Corporate, na Rua das Marrecas 20 até junho de 2019.
Para tentar acalmar o setor cultural, o comunicado da Caixa afirma que o novo endereço “terá um espaço central e de destaque destinado à programação da Caixa Cultural Rio de Janeiro com galeria, cinema e sala do programa educativo”. Produtores, artistas e técnicos do meio, entretanto, veem o comunicado com desconfiança e alegam falta de transparência. “Até agora, se eles têm um novo espaço e não disseram exatamente o que esse novo espaço tem, isso é uma falha. Do meu ponto de vista, eles poderiam esclarecer. A gente quer saber”, cobrou o produtor cultural Paulo Ricardo Gonçalves de Almeida. 
O vice-presidente do banco, Marcelo Campos Prata, confirmou nesta terça-feira (24) que o teatro de arena não caberá no Passeio Corporate, segundo relato do presidente da Associação do Pessoal da Caixa Econômica, Paulo Cesar Matileti, informou a ‘Agência Brasil’.  A sede atual abriga um teatro de arena, dois cinemas, quatro galerias de arte, além de salas de oficinas e ensaios.
Delcio Marinho, diretor Cultural do Sindicato de Artistas e Técnicos do Estado do Rio, também critica a redução das galerias da Caixa Econômica e cobra políticas culturais. “A infraestrutura do novo prédio não pode ser a mesma do antigo, dá para ver”, observa. Para ele, a economia que a Caixa fará com a mudança da sede (R$ 2,6 milhões, como anunciou – veja aqui) levará também à redução da infraestrutura dedicada à cultura, que contava todos os anos com os editais da Caixa no Rio, um dos principais no país.
O último edital do banco não prevê financiamento para atividades culturais no local no período de março de 2019 até fevereiro de 2020, oito meses depois que a mudança para a nova sede da Cinelândia terá terminado. A exceção será o Teatro Caixa Nelson Rodrigues, que continuará funcionando por estar instalado em outro endereço. “Reduzir tudo a um teatro apenas é uma perda gigantesca para a arte”, comenta Paulo Ricardo.

Referência na cultura da cidade

Os espaços culturais da sede atual da Caixa na Avenida Almirante Barroso são considerados referência para mostras e exibições de artes visuais, cinema e teatro. O prédio recebeu várias edições do World Press Photo, com as principais imagens fotojornalísticas do ano, obras de Portinari, da mexicana Frida Kahlo – com ingressos esgotados –, além de mostras de cinema cubano, africano e russo, por exemplo. As atividades movimentaram o setor cultural e também a economia, acrescenta Délcio. O sindicato também fica na Cinelândia, a menos de 500 metros da nova sede do banco. Para ele, a mudança ocorre quando a sociedade defende ampliação desses espaços.
Delcio Marinho frisou que a cultura é “uma vocação da cidade do Rio” e pilar da economia fluminense.  “Um artista não trabalha em uma sala de escritório, ele precisa desses espaços. Lembrando que nós garantimos renda para artistas e técnicos, mas também para o bar e o restaurante ao lado, que vendem mais, para o táxi, que locomove o público. É toda uma indústria”, afirma. Nos últimos anos, foram fechados no Rio a casa de espetáculo Canecão, o Teatro Glória e o Teatro Villa-Lobos, na zona sul.  “A prefeitura não tem mais, o estado, também não, então, a cultura está minguando. Percebemos, mais uma vez, que a cultura é a primeira área a ser cortada quando querem fazer economia”.

Banco defende mudança

Em comunicado à imprensa, o banco alegou que, além da economia, o novo endereço oferece melhores condições de trabalho, mas não especificou detalhes. Na reunião com os empregados no Rio, o vice-presidente que atendeu ao pedido dos funcionários, que chegaram a fazer um abaixo-assinado relatando medo e insegurança na região portuária. Segundo o banco, a mudança permitirá uma economia de R$ 2,6 milhões mensais com aluguel. A prefeitura defendeu a mudança do banco e dos 2 mil funcionários para o porto, com objetivo de movimentar a economia local. A decisão, no entanto, foi por uma sede próxima à atual.
Em nota à Redação do DIÁRIO DO PORTO, a Caixa esclarece que, na decisão pela nova sede no Rio de Janeiro, “foram considerados aspectos técnicos da edificação, buscando ganhos de ambiência e eficiência operacional. Foi considerada ainda a questão do acesso à mobilidade urbana, segurança e custos, incluindo valores de aluguel e de demais despesas operacionais. O banco ressalta ainda que sempre considera a opinião das pessoas envolvidas, no caso os empregados, nas decisões em que a mudança os afetem”.
Fonte: Agência Brasil, com Redação

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