No sofrimento, futebol fará terceira final olímpica seguida | Diário do Porto


Nas esquinas de Tóquio

No sofrimento, futebol fará terceira final olímpica seguida

Olímpiada não é feita só de glória. Tem muito sofrimento também. E a Seleção masculina de futebol sofreu um bocado para ir a mais uma final olímpica

3 de agosto de 2021

Futebol sofre mas garante vaga em mais uma final olímpica (Lucas Figueiredo/CBF)

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Nas esquinas de Tóquio

Vicente Dattoli

Algumas expressões tornam-se modismos de tempos em tempos – e, fiquem tranquilos – não vou fazer mais nenhum tratado sobre o que é ser cringe. Tenho ouvido muito falar-se em “aprender a sofrer”, como se isso fosse bom. Quero deixar bem claro que considero qualquer sofrimento, mesmo para chegar ao paraíso, uma deslealdade. Não há, porém, como não usar a expressão para qualificar a classificação da Seleção Brasileira masculina de futebol à final dos Jogos Olímpicos de Tóquio.

O jogo semifinal, realizado na madrugada/manhã desta terça-feira, foi contra o México. O mesmo México que em 2012, em Londres, impediu nosso ouro. Naquela final, Neymar, então, digamos, “moicano“, saiu de campo com a prata. Isso depois de o Brasil sofrer o gol mais rápido em uma partida de futebol olímpica.

Continuávamos sofrendo e sem o ouro no futebol. O único título que nos faltava, cansavam de falar os comentaristas. Aí, veio a Rio 2016. Brasil de novo na final. Contra a Alemanha, a mesma Alemanha (o país, não os jogadores) que dois anos antes nos aplicara uma goleada, o tristemente inesquecível 7 x 1 na Copa do Mundo e nos fizera sofrer.

O Brasil saiu na frente, levou o empate, fomos à prorrogação e aos pênaltis. Parecia que o ouro olímpico, definitivamente, não fora feita para o peito dos jogadores brasileiros. Só que, nos pênaltis, Weverton defendeu a quinta cobrança alemã e Neymar converteu. Ouro, ouro, ouro. O futebol brasileiro finalmente era ouro, como já haviam sido os uruguaios (daí a Celeste Olímpica) e os argentinos (com Messi).


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Nesta terça-feira, enfrentamos o México na semifinal. No gol adversário, Ochoa, um dos goleiros com maior número de participações com a camisa da Seleção Mexicana. E como sofremos. Parecia, mesmo, que aprendemos a sofrer.

Foram 120 minutos sem gols. Jogo sofrível e com sofrimento. E vieram os pênaltis. Abrimos boa vantagem, com nosso camisa 1 defendendo logo a primeira penalidade – e o mexicano chutando na trave a segunda. Chegamos à terceira final consecutiva.

Vai ter sofrimento? Talvez. Mas vamos buscar a segunda medalha de ouro consecutiva. Aliás, sobre segunda medalha de ouro consecutiva, não há como esquecer das meninas do iatismo, Martine Grael e Kahena Kunze.  Só que elas, como o bronze do figuraça Alison dos Santos e do Thiago Braz, merecem um espaço maior e especial que será concedido depois.

 


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