No Rio, 1.300 presos já diminuíram penas com a leitura | Diário do Porto

Justiça

No Rio, 1.300 presos já diminuíram penas com a leitura

A cada livro lido, projeto diminui 4 dias na prisão. Há 126 opções de títulos para escolha dos presos. A adesão é voluntária e é preciso um teste final

2 de janeiro de 2020


Presos podem ter o benefício da redução de pena ao lerem livros (Foto: Governo do Estado / divulgação)


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A cada livro lido, os presos podem reduzir em 4 dias o tempo de sua condenação. Esse é o benefício oferecido pela Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap) aos participantes do projeto de remição de pena por meio da leitura. O projeto completou 3 anos, com a participação de 1.300 presos no sistema prisional do Estado.

Mas para ter a remição, não basta dizer que leu um livro. É preciso passar por um processo de avaliação e obter a nota mínima de 6, escrevendo um relatório ou resenha sobre a obra escolhida. A adesão ao programa é voluntária.

O projeto conta com a parceria de 3 universidades. Na capital, a Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO), e no interior do Estado, o Centro Universitário Geraldo Di Biase e o Centro Universitário Fluminense (UNIFLU).

O coordenador de inserção social da Seap, Geovani de Lima, diz que o projeto é forma de o Estado propiciar educação aos presos. “A literatura proporciona uma inspiração aos internos. O cidadão que hoje está privado da sua liberdade, não teve o acesso da educação no tempo pertinente na infância ou na adolescência, reencontra essa oportunidade aqui no sistema”, afirma.


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Segundo o Governo do Estado, a cada mês, o projeto é realizado em três momentos: a apresentação, onde os internos conhecem a iniciativa; a mediação de leitura, ocasião em que a produção textual é explicada e, por fim, a produção textual em si.

É no momento da mediação que há a participação dos alunos voluntários do projeto, que são graduando em Letras. Eles contam sobre a história de cada livro, permitindo um início de identificação com o leitor.

Lima relata que na produção textual, momento dos textos de avaliação de leitura, há constantemente uma autorreflexão dos presos, que fazem paralelos entre as obras e suas próprias vidas.

Atualmente, 126 títulos estão à disposição dos internos participantes do projeto. Livros com a temática de autoajuda são alguns dos favoritos dos apenados. Clássicos da literatura brasileira, como Dom Casmurro, de Machado de Assis, também são frequentemente escolhidos.